quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Médicos de VG estão em greve e só atendem emergência


O Diário de Cuiabá traz, na edição desta quarta-feira (15/12) matéria anunciando greve dos médicos em Várzea Grande a partir da zero hora. Confira abaixo reportagem na íntegra:


Alecy Alves

A partir de hoje a população várzea-grandense que já sofria com a precariedade dos serviços de saúde ficará sem nada. Isso mesmo. Portanto, enganou-se aquele que achava que a situação estava ruim e não poderia piorar. Os médicos do município, cerca de 250, decretaram greve por tempo indeterminado. Os postos de saúde e as policlínicas param de atender. Já o Pronto-Socorro e Hospital Municipal (PSHMVG) implantará um modelo de triagem mais rigoroso do que aquele que vinha sendo praticado há meses.

Somente os pacientes em situação de urgência e emergência serão atendidos. A greve é contra o descumprimento do acordo firmado entre a categoria e a prefeitura de Várzea Grande, que se comprometeu a aumentar o piso salarial dos médicos de R$ 1,3 mil para R$ 1,6 mil a partir de setembro deste ano e não o fez. Os profissionais de saúde também protestam contra o atraso no repasse da verba indenizatória, uma espécie de complementação salarial paga com recursos do Estado.

Até ontem funcionava no PSHMVG um sistema de atendimento por “classificação de gravidade”. A triagem dos pacientes que receberiam assistência médica estava sendo definida por cores. Se a situação se enquadrasse na cor vermelha, um princípio de enfarto, por exemplo, seria levado imediatamente para consulta. Os demais, da cor amarela até a azul, esperariam ser chamados conforme a classificação de urgência feita pelos próprios médicos. Nervoso e revoltado, Josivan Rodrigues Feitosa, marido de Lucilene Aparecida Torres, avaliou o serviço do PSHMVG como um desrespeito ao cidadão.

Lucilene, que há três dias mal consegue caminhar por causa das dores que sente na região uterina, não conseguiu atendimento ontem. “O médico nos disse que só atenderia se ela estivesse grávida ou com hemorragia, sangrando bastante”, contou o marido. “Tenho vontade de quebrar tudo aqui”. Ele disse que sua revolta maior é porque, mesmo pagando tantos impostos, precisava mendigar um socorro.

Jociley Messias, que ontem esteve pela segunda vez no Pronto-Socorro em menos de 24 horas, acha que em Várzea Grande a população está sendo muito maltratada. Com dores no abdômen, na segunda-feira ele conseguiu ser atendido, mas não passou por nenhum exame e recebeu apenas uma injeção de analgésico na veia. Ele disse que até voltou para casa, mas passou a noite em claro, sem dormir por causa das dores e que, por isso, decidiu recorrer mais uma vez ao PS.

OUTRO LADO - No início da tarde de ontem, o diretor geral do PSHMVG, João Betelho, disse que desconhecia a decisão dos médicos e que não havia recebido nenhuma notificação sobre a grave. Entretanto, Botelho avisou que a resposta aos grevistas será à altura do movimento. A prefeitura, disse, cobrará o cumprimento da responsabilidade de manter 30% dos serviços em pleno funcionamento.

“Não vamos aceitar que venham aqui e digam que estão trabalhando, enquanto permanecem com os braços cruzados”, disse. “Nossa resposta será a altura, do jeito que vier voltará”, completou, observando que recorrerá aos meios necessários se for preciso para manter as unidades em funcionamento. A reportagem tentou, mas não conseguiu falar com o secretário municipal de Saúde, Renato Tápias Tetilla.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Saúde Pública: Tragédias, lágrimas e muito silêncio

Circuito Mato Grosso traz matéria sobre os vários problemas existentes na saúde pública do Estado

Adriana Nascimento


Dor, desespero, superlotação e revolta. Essas são as coisas mais abundantes nos hospitais públicos de Mato Grosso. Até aí, nada de novidade, uma vez que todo mundo sabe que o setor da Saúde está em colapso há muito tempo. O problema é que este quadro se configurou em todo o ano de 2010, apesar de ter sido instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde pela Assembleia Legislativa - cujo relatório final tem previsão de ser concluído e divulgado até dia o próximo dia 15 – justamente para remediar esta situação. No entanto, pouco ou quase nada mudou no diagnóstico de caos anunciado dado no início dos trabalhos. Foi isto o que comprovou a diligência feita pela reportagem do Circuito Mato Grosso, na última sexta (03), ao percorrer as principais instituições de Saúde de Cuiabá e Várzea Grande.

No caminho solicitamos entrevista com o deputado e presidente da CPI, Sérgio Ricardo (PR), mas ele estava em São Paulo e o celular na caixa de mensagem, onde deixamos pedido de retorno e não obtivemos até o fechamento desta. Sem a presença do parlamentar em Mato Grosso pedimos a sua assessoria de imprensa que encaminhasse resposta a nossos questionamentos a respeito do que realmente mudou no setor com a investigação. Contudo, por ocasião da morte do irmão do deputado, ocorrida na mesma sexta, por conta de um acidente de carro, o assessor não encaminhou as respostas por ter que cuidar dos trâmites do enterro.

Saiba quais são as perguntas que não querem calar:

- Qual contribuição a CPI deu a sociedade?

- Quais os fatos mais graves descobertos pela CPI? Cite pelo menos três?

- O censo do IBGE apontou significativa redução nos leitos disponíveis em Mato Grosso e, no entanto, o Estado conta com duas unidades hospitalares novas sendo: uma em Várzea Grande e outra em Sinop. O que falta para colocá-los em funcionamento?

- Qual providência a CPI pretende tomar em relação a eles?

- Quais servidores e secretários foram convocados pela CPI?

- Houve algum tipo de punição, sanção ou advertência administrativa?

- A CPI já existe há mais de um ano. O que ela teve de resultado efetivo até agora?

- As farmácias de alto custo frequentemente apresentam falta de medicamentos, quais as sanções praticadas aos órgãos responsáveis por manter estoques disponíveis para o atendimento da população?

- O senhor não acha antiético presidir uma CPI ao mesmo tempo em que faz parte da base aliada do governo, cujo governador era seu companheiro de partido, Blairo Maggi e agora o do partido aliado, PMDB, Silval Barbosa?

- O atual governador liberou o PAS (Plano de Ações da Saúde - PAS) por causa da falta de leitos e o caos na rede pública de Saúde. Este programa teve apenas interesses eleitorais ou foi efetivamente cumprido?

- Quando o senhor vai liberar para a sociedade as conclusões desta CPI?

O Circuito Mato Grosso aguardou até o fechamento desta edição a resposta do deputado para que a sociedade pudesse saber se há esperança do setor melhorar a médio ou longo prazo. No entanto, nada foi respondido.

O que (não) diz Silval Barbosa

Em busca de respostas o Circuito Mato Grosso também questionou o governador Silval Barbosa (PMDB) que acompanha o problema na Saúde pública desde que era vice do ex-governador Blairo Maggi. Também a resposta foi o silêncio até o fechamento desta edição sem nem mesmo um pronunciamento da Secretaria de Comunicação do Estado sobre o assunto.

Diretor do Pronto Socorro de Cuiabá, Jair Gimenez

O diretor do Pronto Socorro de Cuiabá, Jair Durigon, não teve espaço na agenda para conversar com a reportagem a tempo do fechamento. As perguntas foram encaminhadas por e-mail, mas também não foram respondidas a tempo. A equipe tentou entrar no PS para verificar as condições encontradas hoje no local, após a reforma e com a transferência dos pacientes da chamada Ala Verde, considerada em condições críticas para atendimento dos pacientes. No entanto, o agendamento para que tudo fosse fotografado, não ocorreu. Questionada, a assessoria de imprensa do órgão encaminhou a nota abaixo:

“A administração do Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá (HPSMC) informa que o acesso da Imprensa no local está sendo realizado mediante prévio agendamento. Na tentativa de preservar a integridade dos pacientes e evitar transtornos aos mesmos que se encontram em estado de saúde fragilizado foi determinado este procedimento. Ressaltando que todo e quaisquer veículo de comunicação possui livre acesso ao Hospital em qualquer circunstância, seja para entrevistas ou para visitas monitoradas (Para o registro de fotos e imagens). Porém, como bem público que zela pela vida dos pacientes informamos que o agendamento é uma medida tomada restritamente para facilitar e organizar o fluxo de entrada no HPSMC. Desde já agradecemos a compreensão de todos e nos colocamos a disposição outros esclarecimentos.”

Ex-secretário de Saúde do Estado, Gabriel Novis

O médico e ex-secretário de Estado de Saúde, por duas vezes, Gabriel Novis Neves, foi a única voz que falou a realidade dos bastidores de como é tratada a Saúde em Mato Grosso. Para ele, a CPI é um grande engodo. Nada será resolvido, em sua opinião, sem que os governantes levem a vida humana a sério. Para Neves a base de tudo é a Educação. Ele tem propriedade para falar do assunto uma vez que foi secretário de Saúde no governo de Júlio Campos por dois anos e por 23 dias no início do governo Blairo Maggi. O médico explica a rapidez com que saiu do cargo na segunda vez pelo fato de ter visto o descaso com que o setor era tratado. “Logo que assumi soube de falta de medicamentos na farmácia de alto custo. Fui atrás para saber o por quê daquilo ocorrer já que havia um planejamento para compra feito no ano anterior e simplesmente me deparei com a resposta de que o governador cortou gastos linearmente e não levou em conta o prejuízo que causaria em setores essenciais como a Educação e a Saúde”, revelou.

Indignado, ele acredita que a falta de Educação de qualidade é o que lota hospitais. “O governo deveria pensar de outro modo. Por exemplo, onde mais houvesse pobreza, ali é que deveria ter o maior investimento em Educação e Saúde para evitar conseqüências maiores de lotação nas unidades de Saúde”, apontou. Em resumo, é preciso, antes de tudo, prevenção e estrutura para conter o câncer de descaso que se instalou no setor.

Na farmácia de Alto Custo...

Enquanto os governantes discutem o problema, distantes da dor que sentem os mais necessitados, o que se vê é desespero pelas unidades de Saúde. Na Farmácia de Alto Custo, pacientes todos os dias entram com apreensão e saem com tristeza ao invés de remédio para seus males. Uma delas é dona Ivone, 70 anos, que saía na última semana do local sem o colírio para o glaucoma do marido e diz que, quando não pega na farmácia, tem que gastar um valor alto, que não é compatível com o salário mínimo que ganha de aposentadoria. Outra com problemas é Celeste, de 53 anos, que pega remédios junto com a filha para colesterol e sai, quase sempre, segundo ela, de mãos vazias porque quase nunca tem o medicamento no local. Para se ter uma idéia uma caixa deste medicamente custa R$ 150,00. Para ouvir o “não” ela ainda teve que esperar por duas horas na fila.

Neiva, de 59, que sofre de esquizofrenia, também não teve sorte. O remédio estava em falta e ela terá que esperar porque não tem como comprar o medicamento, que custa R$ 600,00. A reportagem tentou falar com a gerente da farmácia de alto custo, mas, apesar de ser 16h ela não estava mais lá.

Em Várzea Grande...

No PS de Várzea Grande o cenário de descontentamento tanto de pacientes quanto de funcionários não é diferente. Para se ter uma idéia, o corredor sem ventilador e sem janelas onde ficam “internados” pacientes com problemas sérios, é apelidado pelos funcionários de “Faixa de Gaza”, em referência ao território em guerra disputado por judeus e muçulmanos que já causou a morte de milhares de pessoas. Sem alternativa, e lotado por conta da mudança no atendimento no PS de Cuiabá, o local, que atende 40% de pacientes vindos do interior, está em muito mais do que seu limite. Tem lugar para 192 acomodações, mas atende em média 700 pessoas por dia. Diante do caos os funcionários organizaram um mutirão de limpeza e manutenção por conta própria, na última segunda (6). Já nesta quinta (9) os atendimentos médicos nos ambulatórios do Pronto Socorro, Policlínicas, Postos de Saúde e Programa Saúde da Família (PSF) de Várzea Grande serão interrompidos por 48 horas. O protesto é de parte dos médicos que se sentem prejudicados pelo descumprimento do acordo firmado entre o Poder Executivo e a categoria neste ano. A mobilização iniciou-se em decorrência do não cumprimento do acordo estabelecido entre a categoria e o secretário de Administração do município, Marcos da Silva, o qual previa o aumento do piso salarial dos médicos de R$ 1,3 mil para R$ 1,6 mil, já em setembro deste ano. Apesar do protesto, serão mantidos os atendimentos nos casos de urgência e emergência. Já as cirurgias eletivas serão paralisadas. Até tudo ser resolvido os médicos ficarão em assembleia permanente e, no próximo dia 13, decidirão se entram em greve por tempo indeterminado.

Pronto Socorro de Cuiabá...

Filas na porta e desespero geral de quem não sabe o que tem, apenas que tem dor e não sabe o que fazer nem para onde ir além de tentar ser atendido no local que deveria não negar atendimento ou encaminhá-los para um local adequado.

Hospital Santa Helena...

Neste local a reportagem foi no horário noturno. O atendimento parecia sem problemas. Até sabermos que emergência existe só para gestantes na parte noturna.O restante das pessoas deve aguardar o dia seguinte.

Adauto Botelho

Não tivemos acesso a área interna. No entanto, quando procuramos informações sobre o local soubemos que a diretora tinha ido caminhar e só voltaria no fim da tarde para pegar suas coisas e ir embora para casa. Atendimento médico também não havia, conforme informações de funcionários. Lá só há médico pela manhã e à noite. Portanto, ninguém deve ter surto à tarde.

A CPI

Algumas das informações divulgadas ao longo do ano pela assessoria da CPI da Saúde informa que, em 2010, foram realizadas visitas pelos membros e seus técnicos em: 12/03/2010 – Hospital Regional de Cáceres; 19/03/2010 – Hospital Regional de Rondonópolis; 26/03/2010 – Hospital Regional de Colíder, e, em 09/04/2010 – Hospital Regional de Sorriso. Como também, ao Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (17/06) e ao Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande (01/07), para avaliar as condições de funcionamento. Os membros da CPI da Saúde participaram de três audiências sendo a primeira com o Ministro da Saúde José Gomes Temporão, durante a sua visita na Capital, a segunda com a Desembargadora Drª.Clarice Claudino, e a terceira com o Governador Silval Barbosa para a entrega das Recomendações da CPI da Saúde para execução urgente. Foi realizada ainda, uma reunião com os Secretários de Saúde de Estado e do Município de Cuiabá, Agostinho Moro e Maurélio Ribeiro para tratar das questões pertinentes à fila de espera por cirurgia no Estado de Mato Grosso, e uma reunião com o Secretário de Saúde do Estado Kamil Fares para a entrega da Demanda Reprimida.

Problemas encontrados

Durante as visitas nas unidades de saúde de Cuiabá e interior a CPI pode constatar inúmeros problemas, entre eles falta de médicos, medicamentos, equipamentos, leitos, UTIs e pessoal. O presidente da CPI, deputado estadual Sergio Ricardo (PR) disse, na época, que o excesso de burocracia resulta na demora de até três anos para a conclusão de numerosos processos de aquisição de equipamentos para os hospitais. “É preciso garantir a descentralização administrativa na gestão da nos Hospitais Regionais”.

PAS

Conforme a CPI, as ações em andamento no Plano de Ações da Saúde incluem medidas no atendimento de consultas especializadas de média e alta complexidade, conforme resolução assinada entre Cuiabá e o Estado e Cosems em março. São realizados consultas e exames como Broncoscopia, Retosigmoidoscopia, Eletroneuromigrafia Simples, RX Contrastado, Campimentria, Retinografia, Espirometria, Cintilografia Miocardio, Cateterismo, IAG Laser, Colonoscopia, Ultrassonografia, Cardiologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia Cirúrgica e Oftalmologia. O investimento do Estado e Município de Cuiabá juntos é de pouco mais de R$ 1 milhão.

Na prevenção e tratamento de cânceres, o Governo do Estado firmou convênio com o Hospital de Barretos (SP) que cedeu a Unidade Móvel do Hospital de Barretos para o atendimento preventivo ao Câncer de Mama, Próstata e Pele. Exames de Papanicolau, Próstata (físico e sangue). A ação prevê também procedimentos cirúrgicos no caso de pele.

O Hospital Metropolitano do Cristo Rei em funcionamento será referência para cirurgias eletivas de Média e Alta Complexidade na área de Geral e Ortopedia. Há ainda aço em Andamento no atendimento ao Alto Custo na revisão e confecção do novo Protocolo Clínico de Mato Grosso para Cessão de Medicamentos Excepcionais e/ou Alto Custo.

Planos

Por entender a necessidade de mais investimentos para o setor da saúde, o Governo do Estado acatou a recomendação do presidente da CPI da Saúde da Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Ricardo (PR), e incluiu o Imposto de Renda na base de cálculo dos 12% relativos ao orçamento da saúde previsto para o exercício de 2011. O Secretário de Estado de Saúde, Augusto Amaral anunciou a medida durante a primeira Audiência Pública realizada ontem (10), na Assembléia Legislativa para discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA/2011). Amaral avaliou como um avanço positivo a inclusão do imposto que irá refletir em mais benefícios a população. “O imposto de renda vai acrescer nosso orçamento para 2011 em torno de R$ 38 milhões. Isso não resolve o problema já que a demanda aumenta a cada dia, porém, vamos continuar trabalhando para melhorar a oferta dos serviços de saúde pública para nossa sociedade”, afirmou.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Servidores da saúde de Várzea Grande páram a partir de amanhã

A greve inclui suspensão das cirurgias eletivas do Pronto Socorro do município segundo matéria publicada hoje no jornal A Gazeta

Amanda Alves
Da Redação

Duzentos e quarenta médicos de postos de saúde, Programa de Saúde da Família (PSF) e policlínicas de Várzea Grande deixam de trabalhar a partir de amanhã. A greve dos serviços, que atingirá também o atendimento ambulatorial e suspenderá as cirurgias eletivas do Pronto-Socorro, se estende até sexta-feira. Parte da classe está sem receber a verba indenizatória, que já soma R$ 780 mil. Eles ameaçam greve por tempo indeterminado.

Conforme o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT), a verba indenizatória dos meses de outubro e novembro de 300 médicos estão atrasadas. Desses, 240 estão lotados em postos de saúde, PSF e policlínicas da cidade e têm o direito a receberem R$ 1 mil mensais. Os 60 médicos lotados no PS têm direito a R$ 2,5 mil mensais.

O presidente do Sindicato, Edinaldo Lemos, explica que a verba indenizatória foi um acordo fechado entre administração pública e categoria na última greve, que durou 60 dias. "A verba está prevista em lei e eles começaram a pagar em maio, mas pararam. Comentários extraoficiais é que só vão regularizar a partir de fevereiro".

Por causa da greve, a realização das cirurgias ortopédicas no prazo de 10 dias será prejudicada. Nesta semana, a Justiça determinou que os procedimentos sejam realizados. Cerca de 40 pessoas estão na fila, causando ainda mais lotação ao sistema caótico que vive o PS.

Outro lado - O secretário de administração de Várzea Grande, Marcos da Silva, diz que repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS pelo Estado estão atrasados, por isso, o pagamento da verba indenizatória ficou comprometido.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cuiabá tem 2º pior resultado em presença de larva da dengue

Confira matéria publicada hoje pelo Diário de Cuiabá e que revela situação da Dengue em Cuiabá

Da Reportagem


Cuiabá apresenta o segundo pior quadro entre as 14 capitais brasileiras que estão em situação de alerta quanto à proliferação da dengue. Segundo o Ministério da Saúde, o índice de infestação predial (Lira) cuiabano está em 3,4 e perde apenas para o registrado na capital baiana, Salvador, a primeira do ranking, com 3,5.

A dengue já matou quatro pessoas este ano em Cuiabá e outros quatro casos de morte seguem sob investigação. De acordo com o Programa Municipal de controle da doença, 3.707 pessoas contraíram dengue na Capital e conseguiram se curar.

O quadro epidemiológico de Cuiabá pode se agravar ainda mais. Em menos de um mês, saltou de 28 para 33 o número de bairros em situação de surto da doença. Nessas localidades, o índice de infestação fica entre 3,9 a 7,2, como é o caso dos bairros Pedra 90 e Industriário. Por lá, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, de cada 100 imóveis sete apresentam infestação larval que pode originar o mosquito da dengue.

Segundo a coordenadora do Programa de controle da doença, Alessandra da Costa Carvalho, o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti está sendo feito por meio de mutirões de limpeza nas quatro regiões da Capital. “Nós estamos fazendo limpeza nos bolsões de lixo que podem acumular água e visitas domiciliares para reverter esta tendência”, esclarece.

O programa de controle da doença já identificou nos últimos mutirões de limpeza que caixas d’água, terrenos baldios e pratinhos de planta continuam sendo reservatórios do mosquito. “A limpeza das caixas de água deve ser feita com escova de cerda em movimento circular, os terrenos devem ser limpos e os pratinhos de planta, furados para impedir acúmulo de água”, ensina Carvalho.

INTERIOR - Segundo o Ministério da Saúde, além de Cuiabá, outras duas cidades mato-grossenses estão em alerta. Várzea Grande supera Cuiabá com 3,8 de índice de infestação e Cáceres, com 1,8. (DM)

Médicos do SAMU já ameaçam paralisar serviços

A Gazeta de hoje também tráz reportagem sobre possibilidade de médicos do SAMU paralisarem atividades

Caroline Rodrigues
Da Redação

Os 31 médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fazem uma assembleia hoje para decidir se haverá uma paralisação da categoria. Eles reivindicam a melhoria na estrutura física, informatização do sistema de regulação de pacientes e um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). Outra exigência é a reformulação da lei que estabelece a função de médico regulador (o que fica na central e dá apoio às ambulâncias, além de manter contato com os hospitais para viabilizar o atendimento), deixando de lado o socorrista. No primeiro semestre deste ano, o Samu fez 4.194 atendimentos em Cuiabá e Várzea Grande, uma média de 23 socorros por dia.

A diretora do Sindicato dos Médicos (Sindmed) do Estado de Mato Grosso, Elza Queiroz, explica que às 19h acontece o encontro, no qual os profissionais podem optar pela greve, já que a proposta do PCCV foi enviado para o governo do Estado há 40 dias e ainda não houve resposta.

Conforme Elza, o prédio não é habitável e seria provisório até a conclusão da reforma do antigo Hospital São Thomé, que não tem previsão de entrega.

Os profissionais pedem ainda a abertura de concurso público.

Outro lado - A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou, por meio da assessoria de imprensa, que não foi informada oficialmente da paralisação. Conforme a assessoria, o governo está fazendo um estudo de viabilidade e também de déficit de profissionais para definir a abertura de concurso público e estabelecer o PCCV.

Pronto Socorro de Várzea Grande tem 10 dias para regularizar cirurgias ortopédicas

Matéria publicada na edição de hoje do jornal A Gazeta repercute caos no Pronto Socorro de Várzea Grande

Amanda Alves

Da Redação


A Prefeitura de Várzea Grande tem 10 dias para atender a demanda de cirurgia ortopédica que se acumula no Pronto-Socorro (PS). Há 15 dias, a fila era de 40 pacientes. A decisão do juiz Onivaldo Budny da 2ª Vara da Fazenda Pública confirma o pedido de liminar do Ministério Público e prevê multa de R$ 500 dia caso a administração pública não resolva a situação mais uma vez. Em janeiro, a Justiça já havia determinado o atendimento das pessoas em espera.

Prefeitura e PS ainda não foram notificados pelo oficial de Justiça da decisão, o que deve acontecer nos próximos dias. Após isso, começa a contar o prazo. Amanhã, a administração do PS envia o plano de gerenciamento do estabelecimento para o Ministério Público, como solicitado pelo promotor, Carlos Eduardo da Silva.



O diretor administrativo e financeiro do PS de Várzea Grande, João Santana Botelho, diz que o horário ambulatorial tem que ser reduzido para atender a demanda excessiva de pessoas, que chegam ao local todos os dias. A proposta é abrir a parte ambulatorial apenas das 7h às 22h, período em que outras unidades de saúde oferecem atendimento. "Temos 163 leitos de internação e tem dia que temos 260 pacientes. Então, o restante tem que ir para a cadeira".

Nas dependências da internação de quem está esperando por cirurgia, a reportagem apresentou há 15 dias a situação caótica do PS de Várzea Grande. Pacientes estavam "internados" nos corredores e até mesmo tomavam soro em pé, por falta de espaço físico. Além disso, as condições higiênico-sanitárias precárias são uma falha apontada pelo Conselho Regional de Medicina, que luta pela interdição de parte do estabelecimento.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pronto Socoro de VG: Caos na Saúde parece não ter fim

O jornal Circuito Mato Grosso traz, em sua última edição, matéria sobre situação caótica do Pronto Socorro de Várzea Grande. Comentem...

Regina Botelho

“A saúde é direito de todos e dever do Estado”. A magnífica frase de abertura do artigo 196 da Constituição dá a falsa impressão de que vivemos num país sério, onde o povo é bem cuidado. Mas a simples leitura dos jornais ou o comparecimento aos caóticos serviços de saúde são suficientes para provar que o sagrado direito constitucional à saúde é apenas letra morta. Um fato que comprova o desrespeito é ver que a obra pronta do Hospital Metropolitano do Cristo Rei, em Várzea Grande não tem data para ser inaugurada.

Essa realidade mostra que o estado de Mato Grosso está desestabilizado e com políticas públicas incoerentes que desrespeitam a sociedade. Os hospitais da Rede de Saúde do SUS (Sistema Único de Saúde) estão falidos, o atendimento é desumano, pessoas morrem nas filas, os corredores dos hospitais estão superlotados, faltam médicos, equipamentos, cadeiras, macas e leitos hospitalares.

Construído em 1988, o Pronto-Socorro Municipal da Cidade Industrial realiza uma média de 25 mil atendimentos por mês. Com a interdição da unidade em Cuiabá, a demanda de pacientes triplicou na cidade vizinha à capital.

Na semana passada, a mídia cuiabana deu ênfase à péssima qualidade dos serviços oferecidos à população. A reportagem do Jornal Circuito constatou que após a visita dos membros da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI), da Saúde da Assembleia Legislativa, denúncias do Conselho Regional de Medicina (CRM) e ação do Ministério Público foram atuações fortes que poderão mudar o quadro deplorável do local. Pacientes deitados em macas pelos corredores do Box de Emergência, sentados em cadeiras de fios ou em bancos tomando soro, salas de internações lotadas com pouca ventilação, umidade, rachaduras são algumas das principais deficiências.

O Ministério Público notificou na semana passada o município para que intervenha na situação do Pronto Socorro a fim de encaminhar pacientes que necessitam de cirurgias. A orientação do órgão é realizar um mutirão de atendimento médico e fazer a classificação de risco dos pacientes, priorizando atendimentos de urgência e emergência.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina, Arlan Azevedo Ferreira, o pronto-socorro não tem condições de funcionamento e deve ser interditado, pois vários setores têm problemas graves que colocam em risco o paciente. “Vamos oferecer todo suporte para que o Ministério Público determine a interdição parcial. Se nada for feito, o CRM vai entrar com uma ação civil pública para que alguns setores sejam interditados”, diz.

A população que não tem condições de pagar por saúde na rede privada, questiona, e cobra a inauguração do Hospital Metropolitano que teve suas obras iniciadas em agosto de 2004 e, mesmo pronto, não foi entregue. O hospital possui uma área de 5.511 metros quadrados, irá operar com 62 leitos com capacidade para 70.

O Hospital funcionará no sistema de porta fechada, ou seja: a Central de Estado de Regulação é quem vai encaminhar os pacientes. Ele será para atendimento em cirurgias gerais, eletivas e ortopédicas.

A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), através de nota, informou que as o Hospital Metropolitano ainda não foi entregue oficialmente pela prefeitura ao Estado.

Segundo a nota, o município de Várzea Grande precisa repassar à empresa construtora do hospital o valor de R$ 300 mil reais. A prefeitura declarou ao Estado impossibilidade financeira.

“O Estado vai assumir a dívida e regularizar a situação perante a empresa, ainda este mês. A Secretaria Estadual de Saúde já adquiriu 60% dos equipamentos, estando o restante já em processo de aquisição (Recursos Federal e Estadual)”, diz um trecho da nota.

O secretário de Estado de Saúde, Augusto Amaral, determinou várias frentes de trabalho com o objetivo de colocar o hospital em funcionamento o mais breve possível. Um grupo de trabalho estuda a forma de gestão que poderá ser finalizada com o terceiro setor.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Leitos hospitalares em MT, uma triste realidade

Confira artigo publicado na página de Opinião da edição de hoje (01/12) do Jornal A Gazeta.

Luiz Soares

Mato Grosso precisa ampliar com urgência a oferta de leitos hospitalares para atender sua população doente. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE em novembro, é coisa pra mais de mil leitos. Faltam leitos porque a população cresceu e não houve investimentos em novos hospitais públicos e nem privados. Faltam leitos porque em Cuiabá e no interior ocorreu o fechamento de vários hospitais nos últimos anos, a exemplo do São Tomé, Modelo, Santa Maria Bertila, Santa Cruz e Hospital das Clínicas. Inclusive, destes, os três primeiros foram adquiridos pelo governo do Estado, suas portas foram cerradas e seus prédios destinados a outras finalidades, que não a de serviços hospitalares.

Em Cuiabá, é visível a falta de leitos na rede privada. Basta dar uma olhada na situação dos setores de pronto-atendimento para verificar que pacientes tomando medicação sentados em cadeiras de fio ou aguardando procedimentos cirúrgicos sentados nas recepções, ao invés de serem acomodados em um leito para serem preparados para a cirurgia.

No setor público, a situação é um pouco pior até porque em torno de 80% da população depende exclusivamente do SUS. Nesse contexto, o Pronto-Socorro de Cuiabá acaba aparecendo como o grande vilão, apesar de tratar-se de um hospital municipal e que recebe demanda de todo Mato Grosso. É fato também que se o Pronto-Socorro fechar as suas portas instala-se o caos na saúde pública do estado. E aqui vale a máxima: ruim com ele, pior sem ele.

Agora o que não dá para entender é a passividade do governo do Estado diante deste quadro. Insiste apenas em divulgar a construção de um novo hospital universitário federal (e que por ser universitário tem como prioridade o ensino) e do hospital regional de Várzea Grande, com apenas 70 leitos, sendo 10 UTIs. Vão contribuir, mas nem de longe vão solucionar o problema.

O governo não se manifesta em relação, por exemplo, a construção e funcionamento de um grande hospital estadual em Cuiabá (até porque aqui está concentrado o maior número de profissionais da saúde), com no mínimo 400 leitos para média e alta complexidade. E esse hospital deve ser estadual ou federal porque o município de Cuiabá já vem gastando mais do que os 15% preconizados pela lei enquanto o Estado não gasta nem os 12% estabelecidos.

E a União mostra politicamente a sua face quando não se esforça para regulamentar a Emenda 29 que implicaria em aumentar os investimentos federais na saúde. Por outro lado, já ameaça trazer de volta a CPMF. E se nenhuma providência efetiva for tomada, Cuiabá chegará à Copa 2014 sem condições de atender os milhares de torcedores que por aqui aportarão para assistir ao Mundial. Rezemos para que não ocorra nenhuma tragédia durante o evento, pois onde serão atendidas essas vítimas? Já passa da hora de se inaugurar um debate franco e sincero na busca de soluções para este gravíssimo problema.

Luiz Soares é cidadão defensor do Sistema Único de Saúde (SUS). E-mail: luizsoarescba@gmail.com

Amanhã tem reunião do MSD para elaboração do plano de metas 2011

O Movimento Saúde e Democracia (MSD) convida para reunião dia 02/12/2010 cuja pauta é o planejamento das ações a serem colocadas em prática em 2011 “em defesa do SUS”.



Horário: 19 horas

Local: Rua Comandante Costa, 1.848.

Contamos com a presença de todos.

Comissão Executiva do MSD

terça-feira, 30 de novembro de 2010

CRM pede interdição do Pronto Socorro de VG

Jornal A Gazeta traz reportagem anunciando possibilidade de interição do Box de Emergência do Pronto Socorro de VG

Amanda Alves

Especial para A Gazeta

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) solicitará à Justiça a interdição do box de emergência e leitos de observação do Pronto-Socorro (PS) de Várzea Grande até sexta-feira (3). Por meio de uma ação civil pública, o órgão age paralelamente às manifestações do Ministério Público, que pede a determinação do prazo de 120 dias para que o município adote as providências necessárias para o atendimento das condições sanitárias, estruturais e organizacionais exigidas pela Vigilância Sanitária Estadual.

"Além da interdição do Pronto-Socorro, em que a própria administração reconhece a incapacidade de gerenciamento, solicitaremos o prazo de 30 dias para que o Hospital Metropolitano em Várzea Grande funcione em 30 dias", afirma o presidente do CRM-MT, Arlan Azevedo. O ingresso na Justiça visa antecipar a decisão da Justiça sobre questões estruturais, que já vem sendo reclamadas desde o ano passado.

Sobre a interdição ética, em que os profissionais de saúde ficariam proibidos de atuar nos setores em que colocassem a saúde em risco, diz que vai depender da liminar, que aguarda apreciação da 2ª Vara da Fazenda Pública. Chegou ontem às mãos do juiz Onivaldo Budny, o processo movido pelo Ministério Público com manifestação sobre as inspeções feitas no PS. Até o fechamento desta edição (19h30) não havia saído a decisão.

O promotor de justiça Carlos Eduardo Silva, encaminhou notificação recomendatória ao poder público municipal e à Fundação de Saúde de Várzea Grande (Fusvag) para que seja realizado um esforço conjunto no atendimento dos casos no pronto-atendimento, em virtude da superlotação, além do pedido de um plano criterioso para prestação de serviços no estabelecimento.


COMENTÁRIO DO MOVIMENTO SAÚDE E DEMOCRACIA

A inadequação das estruturas hospitalares de Cuiabá e Várzea Grande é pública e notória. Há décadas assistimos esse mesmo filme de denúncias e mais denúncias  mas estranhamente as mesmas se concentram quase sempre na rede pública, quando existem hospitais privados que também não  tem condições adequadas para atender a população. Basta dar uma olhada em alguns hospitais menores de bairros mais periféricos que isso será facilmente comprovado. Podem até ter uma fachadinha ajeitada, mas tècnicamente a maioria não passa  num crivo mais exigente feito com um mínimo de seriedade, sem protecionismos . Se considerarmos que esses hospitais tem um volume de atendimento muito menor que os públicos dá para imaginar como seria se tivessem que atender com “porta aberta” . Mas se derem uma olhada bem dada nos hospitais maiores, também vão encontrar com certeza graves irregularidades, mesmo nos de portaria de mármore, localizados em  bairros mais nobres. Vai um desafio : distribuir os relatórios da vigilância , CRM, quem mais tiver dados  para Câmaras, Assembléia, Conselhos Municipais e Estadual de Saúde, ONG´s e demais movimentos sociais e abrir um debate sobre o tema, ao invés de ficarmos colecionando denuncias e notificações.


sábado, 20 de novembro de 2010

Pesquisa aponta déficit de 1.409 leitos em MT

Foto: Sandra Carvalho

Jornal A Gazeta destaca hoje (20-11) a carência de leitos hospitalares em Mato Grosso

Faltam para a população de Mato Grosso 1.409 vagas em leitos para chegar à quantidade mínima recomendada pelo Ministério da Saúde (MS), que é de 2,5 leitos para cada grupo de 1 mil habitantes. Hoje, o Estado sustenta o índice de 2,02 por grupo. Conforme a pesquisa Assistência Médico-Sanitária divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem hoje no Estado apenas 6 mil vagas em leitos - sendo 39,2% (2.352) em estabelecimentos públicos e 60,8% (3.648) em privados.

Por causa da falta de leitos, neurocirurgias, além de cirurgias ortopédicas, pediátrica e cardíacas vão sendo prorrogadas no calendário, prejudicando os pacientes. O déficit por leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é o mais crítico.


O desempenho mato-grossense se equipara a maioria das regiões brasileiras, com exceção do Sul, onde a taxa é de 2,6 leitos por mil habitantes. A maioria dos leitos em estabelecimentos públicos do Estado se concentra na rede municipal, também acompanhando o verificado em nível nacional. São 1.877 vagas disponíveis, enquanto nas unidades estaduais é de 451 e na federal de apenas 24 leitos. Todas estas vagas federais estão em na única unidade que fica em Cuiabá, Hospital Universitário Júlio Müller.






Das 6 mil vagas do Estado, apenas 24% dos leitos estão na Capital, onde a população costuma ter melhor acesso aos serviços de alta complexidade e consequentemente necessita de internação. Aliado a isso, das 1.431, a maioria está em unidades particulares - 1.088 e somente 343 em públicos.






Para o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-MT), Arlan Azevedo, o déficit de vagas se verifica nas longas filas por cirurgias eletivas por não haver leitos e em enfermarias lotadas e sem condição de fluxo, como a exposta no Pronto-Socorro de Cuiabá. Leitos para internação variam de enfermarias para pacientes clínicos ou cirúrgicos a de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "O déficit é grande. Em Cuiabá, por exemplo, não temos investimento do Estado e nem federal e é o local onde mais precisamos".


A existência de apenas uma unidade federal no Estado, oferecendo 24 vagas, segundo o presidente do CRM, comprova a necessidade de mais recursos. "Ele é o único, tem pouco investimento e está extremamente precário". (Amanda Alves)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Surto de dengue em 28 bairros de Cuiabá


O Diário de Cuiabá dá destaque hoje ao surto de dengue na capital mato-grossense.
Confira matéria na íntegra.

Renê Dioz

Cuiabá tem 28 bairros com risco de surto da dengue, de acordo com o último Levantamento de Índice Rápido de Infestação (Lira) realizado pelo município. Enquanto a cidade apresenta um índice médio de 3,4% das residências com larvas do mosquito Aedes aegypti (número que sugere estado de alerta), bairros da região do Coxipó revelam índices aterradores, como os 7,3% do Parque Nova Esperança e os 7,2% do Pedra 90, historicamente assolado pela dengue.


A constatação dos 28 bairros com índice superior a 3,9% – a partir do qual o Ministério da Saúde (MS) aponta risco de surto - fez com que a prefeitura programasse uma sequência de mutirões para neutralizar os focos nesses locais a partir desta quinta-feira, no Pedra 90, até 23 de dezembro.

Cerca de 320 agentes de saúde ambiental em parceria com outros da Vigilância Sanitária e da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfe) farão desde borrifação à retirada de lixo que possa servir de criadouro para o mosquito vetor da dengue.

Lixo, aliás, é figura fácil pelas ruas dos bairros com risco de surto – e responsável por 17,8% dos criadouros detectados nas amostras do Lira em Cuiabá. No Jardim Fortaleza, por exemplo, as vias sem asfalto estão salpicadas de lixo molhado pelas últimas pancadas. Quase impossível não ver sacos plásticos ou garrafas pet estacionadas na grama em frente às casas, onde também passa o esgoto a céu aberto.

São problemas de saneamento básico que saltam aos olhos na maioria dos bairros que costumam ser mais assolados pela dengue, mas a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Alessandra da Costa Carvalho, explica que a origem do problema continua da porta para dentro das casas. “Mais uma vez a caixa d’água é o nosso criadouro predileto”, diz, referindo-se ao local onde o Lira detectou 62,1% dos criadouros amostrados.

E, se depender da disposição dos moradores, a dengue por enquanto tem tudo para criar tragédias no Jardim Fortaleza, segundo a moradora Gisele Espírito Santo Cruz, 20, que nasceu lá. Ela conta que visita vizinhos e não é difícil se deparar com suas caixas ou tambores d’água abertos. Sabendo que seu bairro é um dos que mais concentra larvas do Aedes aegypti na cidade, ela teme por sua filha de um ano.



O Jardim Fortaleza ainda não teve qualquer morte registrada como decorrência da dengue este ano, segundo boletim epidemiológico. Até o momento, as quatro mortes confirmadas na Capital foram nos bairros Dom Aquino, CPA II, Jardim Leblon e Jardim Vitória. Outros quatro óbitos estão sendo investigados.

Cuiabá já notificou este ano mais de 4,1 mil ocorrências de dengue. Na sequência elas estão mais concentradas nos bairros Pedra 90, Jardim Industriário, Nova Esperança, Santa Isabel e Tijucal. Destes cinco primeiros, somente o Santa Isabel não é da região sul (Coxipó e adjacências), mas, como os outros, também se inclui na lista dos 28 bairros com maiores índices de infestação de larvas do mosquito da dengue e são priorizados nos mutirões da prefeitura a partir desta semana.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Repasse de alto custo sem remédio em Cuiabá


Reportagem publica na última ediçao do jornal Circuito Mato Grosso

Adriana Nascimento

Em agosto deste ano o Circuito Mato Grosso apontou, na edição 301, a via crucis dos pacientes do Estado e Capital para conseguir medicamentos de alto custo. Neste mês faz um ano que foi criada a portaria 2981, de 26 de novembro de 2009, do Ministério da Saúde que determina o repasse. No entanto, fontes ligadas à Secretaria de Estado de Saúde informaram que pacientes ainda sofrem por não conseguirem alguns remédios e a única solução é tomarem uma alta dose de paciência para aguentar o “passa amanhã”. A portaria prevê que medicamentos para: tireoide, colesterol alto, osteoporose, mal de Parkinson e doença de Chron (intestinal), devem ser repassadas pela Saúde básica para evitar sobrecarga de doenças nas redes estadual e federal.


A situação pode ser vista diariamente na farmácia de alto custo do Estado com pessoas que vão para lá por não receberem remédios da prefeitura da Capital, segundo a fonte, que preferiu não se identificar para evitar represálias.

A reportagem procurou a prefeitura de Cuiabá e a assessora farmacêutica da Secretaria Municipal de Saúde, Sandra Maria de Araújo, alegou que a situação não procede. Conforme ela, o repasse está normal a todos os pacientes que solicitaram os remédios. A assessora explica que foi pactuado pela Comissão Intergestora Bipartite (CIB) que até 1º de julho o Estado ainda forneceria os medicamentos e também que a cidade teria a liberdade de dizer como a distribuição seria feita. Nesse caso, ficou decidido que seria operacionalizada da mesma forma que o Estado, ou seja, através de cadastro dos pacientes. “Os cadastros feitos antes de julho receberam o primeiro atendimento assim que entraram com o processo em menos de 30 dias”, de acordo com Araújo.

Portanto, “todos” têm sido atendidos desde que saiu a determinação do Ministério da Saúde. Ela alega que só o remédio para o mal de Parkinson é que teve demora em ser repassado porque é só o laboratório Roche que produz e ele demorou a entregar ao município. No entanto, para ela, tudo agora está ‘normal’.

Confira reportagem completa acessando: http://www.circuitomt.com.br/home/materia/48600

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Movimento retoma atividades após processo eleitoral

O Movimento Saúde e Democracia retomar esta semana suas atividades, após paralisação por conta do processo eleitoral. Voltaremos a nos comunicar por meio deste blog e colocamos novamente os nossos e-mails saudeedemocracia@hotmail.com e saudeedemocracia@gmail.com à disposição para sugestões, críticas e denúncias relativas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que, consequentemente, possam contribuir com a melhoria da qualidade de vida da população mato-grossense.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A RAPADURA É DOCE MAIS NÃO É MOLE NÃO.

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Entidades e pessoas que integram o MSD, avaliam que a gestão atual do SUS/Cuiabá, a despeito de contar com alguns bons profissionais da saúde pública, continua não dando conta de avançar na organização da rede de serviços (própria e contratada). Apesar de ter recebido as finanças em ordem, já se tem notícias de que os fornecedores que recebiam no mês seguinte ao vencido com os respectivos recursos financeiros daquele mês, estariam recebendo com 60 dias. É assim, as notas de maio devem ser pagas com recursos de maio que ingressam em junho. Estão recebendo agora o mês de abril com dinheiro de maio.

Nas USF a falta de medicamentos e insumos vem se agravando. Há semanas que falta espéculos, essencial para coleta de material visando o exame preventivo do câncer de útero. Os médicos passaram uma semana sem ofertar consultas, pois, foram liberados para capacitação e diminuem o número de consultas diárias quando estão nas USFs dando aulas para seus alunos. Seria ótimo que o Dr. Maurélio Ribeiro fosse aos bairros olhar de perto tal situação e também desse conhecimento público sobre as receitas e despesas mensais da SMS inibindo assim dúvidas e maledicências.

Cartilha do Usuário do Sus