quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A saúde na UTI, o que fazer? - 2

Nesta quinta-feira (13-01), o jornal A Gazeta publica segunda parte do artigo de Nei Moreira, neurologista membro do MSD

Nei Moreira

Os problemas da saúde pública têm solução? Parece-me que sim, mas tem um custo elevado financeira e politicamente. Assim, é necessário um plano de adequação (inclusive expansão) da rede publica para torná-la capaz de suportar a demanda e organizá-la regionalmente, para evitar-se a concentração de pacientes em Cuiabá. Para tal, Cuiabá necessita suporte financeiro dos cofres do Estado e da União, ambos devedores de tal obrigação há muito tempo. Afinal, o "esqueleto" do Hospital Central do Estado assombra a região do CPA há 35 anos pelo menos! Recentemente o governo do Estado decidiu concluí-lo, mas como prédio administrativo para o conforto da burocracia, enquanto o povo fica empilhado nos prontos-socorros de Cuiabá e Várzea Grande. Quando entrará em funcionamento o Hospital Metropolitano de Várzea Grande? Onde está também o prometido Hospital da Criança, prometido de pés juntos por tantos políticos quando candidatos, mas rapidamente esquecido quando eleitos? Onde foram parar as promessas de fazer funcionar uma unidade de alta complexidade com a aquisição de hospitais particulares fechados em nossa cidade? E quando a dengue explodir, o que infelizmente parece inevitável dado a insuficiências das atividades de prevenção, vai-se improvisar novamente "leitos para dengue" em estruturas adaptadas às pressas?







Outro ponto fundamental é a questão de recursos humanos, com a construção de carreiras de estado para profissionais da saúde e a criação de um novo quadro de servidores, remunerando-os condignamente, estipulando metas de produtividade quantitativa e qualitativa, garantindo-se ascensão, progressão e educação continuada, mas em contrapartida controlando-se eficazmente assiduidade, pontualidade, cumprimento de jornada, humanização no atendimento, enfim comprometimento com o serviço público.






A contratação de serviços privados deverá ter caráter complementar como já preconiza o SUS e ser refeita em novas bases contratuais, ajustando-se os patamares de remuneração, mas estabelecendo-se um rígido controle dos procedimentos a serem realizados, incluindo o absoluto controle dos leitos pela Regulação. Esse controle hoje é quase nenhum e os pacientes são internados de acordo com a aceitação (ou não) por parte do hospital contratado. As listas de espera devem ser publicizadas e controladas pelos gestores, usuários, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Ministério Público, Defensoria e outros órgãos controladores.






Obviamente, mudanças desse porte, como já dissemos, terão alto custo financeiro e político. No entanto, se nunca antes na história desse País se gastou tanto com o social, como se alardeia aos quatro cantos, chegou a hora da saúde ter recursos necessários. O desafio é dobrar - repito dobrar - os recursos federal e do estado destinado para a saúde! Pois não vamos gastar bilhões em obras para a Copa do Mundo? Ou o futebol é mais importante que a saúde do nosso povo? O que se gastou demolindo o Verdão e vai se gastar para construir a Arena Pantanal e adequações da "mobilidade urbana" dava e sobrava para fazer as obras necessárias para revolucionar-se a saúde em Cuiabá e Mato Grosso.






Quanto ao ônus político de mudar os atuais paradigmas de trabalho na saúde pode constituir-se em desgaste junto a alguns setores e corporações, mas poderá reverter o atual cenário caótico e beneficiar toda a nossa sociedade. O seu executor tornar-se-á um benfeitor do nosso povo e certamente não será esquecido por ele. Porém, haverá coragem e disposição para isso?






Nei Moreira da Silva é médico neurologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT. Foi secretário estadual de Saúde de Mato Grosso, secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, presidente da Associação Médica de Mato Grosso, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e diretor do Conselho Federal de Medicina

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Prefeito de Cuiabá anuncia mais de mil demissões na Saúde e Ação Social

A informacao está no jornal Folha do Estado desta quarta-feira, 12 de janeiro de 2.011.

Silnara Alvares

O prefeito Chico Galindo anunciou demissões para cerca de mil funcionários que atuam na área da Saúde e de Assistência Social de Cuiabá. Conforme o prefeito as demissões serão feitas como forma de corte no orçamento e serão realizadas, de fato, após a entrega de relatórios com o número de funcionários e as respectivas funções dessas pessoas em cada unidade de saúde da cidade.
A Secretaria Municipal de Saúde possui, no total, 2.984 funcionários prestadores de serviços, não concursados, que incluem médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
De acordo com o prefeito, no próximo sábado, dia 15 de janeiro, a administração do Pronto-Socorro de Cuiabá deve entregar o relatório à prefeitura (lotacionograma) da unidade. Em posse do documento será realizado uma análise para verificar a possibilidade demissões naquela unidade.
Ele afirmou que o temor quanto ao caos na saúde pública é desnecessário, já que não haverá demissões de médicos. “Mas se o Pronto-Socorro comprovar, por exemplo, que existe uma falta de pessoal, aí vamos ter que contratar ao invés de demitir”, ponderou.
Galindo admitiu que esta não é uma boa notícia para a cidade, mas garante que os serviços não serão prejudicados por causa das demissões que devem ocorrer ainda este ano. As principais demissões devem ocorrer nos serviços gerais das unidades. “É um processo de readequação. E garanto que não haverá prejuízos no atendimento”, afirmou. Galindo afirmou que em alguns Postos de Saúde da Família, PSF, existem quatro auxiliares de enfermagem trabalhando, neste caso, um profissional seria demitido.
ASSISTÊNCIA SOCIAL

As demissões, segundo ele, atingiram, principalmente, as áreas de Saúde e de Assistências Social que possuem grande parte dos contratos temporários do município.


O prefeito não especificou quantos servidores de cada pasta deverão ter os contratos cancelados pela gestão.

















A saúde na UTI, o que fazer? - Parte 1

O jornal A Gazeta publica hoje (12-01) artigo assinado pelo neurologista Nei Moreira, membro da Comissão Executiva Provisória do MSD


Nei Moreira da Silva


A virada do ano sempre traz para todos nós a esperança de que as coisas melhorem. Esta passagem de 2010 para 2011 teve uma dose maior de expectativas devido às mudanças de governo federal e dos estados, ainda que, em sua maioria, os cenários políticos permaneçam os mesmos.


Em Cuiabá, terminamos 2010 com mais um registro trágico de ineficiência de nosso sistema de saúde, com a morte de cinco recém-nascidos em 15 dias na UTI neonatal do Pronto-Socorro de nossa cidade. Inúmeros veículos de comunicação registraram o fato e o jornal A Gazeta, em editorial abordando essa longa crise que atinge o setor saúde em Mato Grosso, questionou: "o que falta para resolver este problema crônico?". Trata-se de uma pergunta cuja resposta aparenta ser fácil na teoria, mas que na hora de se por em prática as medidas necessárias à correção dos vícios existentes, as soluções pretendidas tem desafiado sucessivos gestores, não só do município, mas também das esferas estadual e federal, independente de seu matiz ideológico ou partidário.


O Sistema Único de Saúde é baseado em princípios que fundamentalmente significam respeito à pessoa humana e representa um enorme avanço que toda a sociedade deve defender. No entanto, o que se assiste de há muito é uma permanente e grave crise focada notadamente na assistência médica, em especial de média e alta complexidade, pois é onde o impacto das carências é mais diretamente sentido pelo cidadão, materializadas nas longas esperas para conseguir consultas e exames especializados e de vagas para internações, especialmente para cirurgias. São as famosas "filas da morte", com por vezes são chamadas. Tais "filas" surgem do descompasso entre, de um lado, o constante e progressivo aumento da demanda por atendimento, e de outro lado a insuficiente oferta de serviços pelo SUS, que em nosso meio não dispõem de uma rede pública própria com dimensão, qualidade e capacidade de produção de serviços capazes de suprir as necessidades da população.


Além disso, a produtividade dessas unidades é muito baixa, devido, entre outros fatores, aos salários ofertados aos seus profissionais, muito aquém do pretendido, especialmente pelos médicos especialistas. Dessa forma, eles não são atraídos para trabalhar no setor público, preferindo atuar no setor privado, onde tem maiores ganhos e não são submetidos a mecanismos de controle. Some-se a isso graves problemas gerenciais que fazem com que os custos da rede pública sejam habitualmente muito elevados, com o dinheiro esvaindo-se pelos conhecidos ralos de desperdício, corrupção, ineficiência e gestões politiqueiras amadoristas e pouco comprometidas com a supremacia do interesse público.


Não dispondo de rede própria, só resta ao SUS contratar serviços da rede privada, que é o modelo atualmente prevalente em nosso Estado, cujos resultados insatisfatórios são os que agora observamos. Essa relação entre SUS e prestadores privados sempre foi tormentosa, pois os valores de remuneração dos serviços prestados são historicamente apontados pelos empresários como insuficientes queixando-se eles ainda dos mecanismos de controle impostos pelo SUS ("excessivos", no seu dizer). Do lado dos gestores públicos, as queixas também são permanentes, acusando os hospitais contratados de praticarem seleção de pacientes (os casos mais graves são de difícil aceitação pelos hospitais, pois tem maiores custos) e da prática de diversas irregularidades especialmente nas cobranças. Enfim, de lado a lado as queixas se sucedem e se avolumam.


Nei Moreira da Silva é médico neurologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT. Foi secretário estadual de Saúde de Mato Grosso, secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, presidente da Associação Médica de Mato Grosso, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e diretor do Conselho Federal de Medicina

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

SAÚDE NA UTI. O QUE FAZER?

A virada do ano sempre traz para todos nós a esperança de que as coisas melhorem. Esta passagem de 2010 para 2011 teve uma dose maior de expectativas devido as mudanças de governo federal e dos estados, ainda que, em sua maioria, os cenários políticos permaneçam os mesmos.


Em Cuiabá terminamos 2010 com mais um registro trágico de ineficiência de nosso sistema de saúde, com a morte de 5 recém-nascidos em 15 dias na UTI neonatal do Pronto-Socorro de nossa cidade. Inúmeros veículos de comunicação registraram o fato e um deles, em editorial abordando essa longa crise que atinge o setor saúde em Mato Grosso, questionou; “o que falta para resolver este problema crônico?”. Trata-se de uma pergunta cuja resposta aparenta ser fácil na teoria, mas que na hora de se por em prática as medidas necessárias à correção dos vícios existentes, as soluções pretendidas tem desafiado sucessivos gestores, não só do município mas também das esferas estadual e federal , independente de seu matiz ideológico ou partidário.

O Sistema Único de Saúde é baseado em princípios que fundamentalmente significam respeito à pessoa humana e representa um enorme avanço que toda a sociedade deve defender. Assim, no SUS todos incondicionalmente e não apenas alguns, têm direito a serem beneficiados por ações de promoção, prevenção e assistência, devendo ser atendidos em todas suas necessidades, variando desde uma simples orientação em uma unidade básica até um procedimento de alta complexidade e elevado custo em um hospital especializado.

No entanto, o que se assiste de há muito é uma permanente e grave crise focada notadamente na assistência médica , em especial de média e alta complexidade, pois é onde o impacto das carências é mais diretamente sentido pelo cidadão , materializadas nas longas esperas para conseguir consultas e exames especializados e de vagas para internações , especialmente para cirurgias. São as famosas “ filas da morte”, com por vezes são chamadas. Tais “filas” surgem do descompasso entre, de um lado, o constante e progressivo aumento da demanda por atendimento, motivado por vários fatores, tais como o crescimento da população, a ineficácia das políticas de promoção e prevenção e da atenção básica, o aumento da violência urbana, etc, e de outro lado a insuficiente oferta de serviços pelo SUS, que em nosso meio não dispõem de uma rede pública própria com dimensão, qualidade e capacidade de produção de serviços capazes de suprir as necessidades da população. As que existem são habitualmente acanhadas e desprovidas de equipamentos e de profissionais em quantidade adequadas , especialmente em determinadas especialidades .

Além disso, a produtividade dessas unidades é muito baixa, devido, entre outros fatores, aos salários ofertados aos seus profissionais , muito aquém do pretendido, especialmente pelos médicos especialistas. Dessa forma, eles não são atraídos para trabalhar no setor público, preferindo atuar no setor privado, onde tem maiores ganhos e não são submetidos a mecanismos de controle, mesmo aos atuais, sabidamente frágeis quanto a assiduidade, pontualidade e humanização no atendimento. Tentar controlar isso é “mexer em vespeiro” e recentemente foi causa de sérios confrontos em Cuiabá . Some-se a isso graves problemas gerenciais que fazem com que os custos da rede pública sejam habitualmente muito elevados, com o dinheiro esvaindo-se pelos conhecidos ralos de desperdício, corrupção, ineficiência e gestões politiqueiras amadoristas e pouco comprometidas com a supremacia do interesse público. Basta olhar o cenário dos Hospitais Regionais do Estado para entender o que se passa !!!

Não dispondo de rede própria, só resta ao SUS contratar serviços da rede privada, que é o modelo atualmente prevalente em nosso Estado, cujos resultados insatisfatórios são os que agora observamos . Essa relação entre SUS e prestadores privados sempre foi tormentosa, pois os valores de remuneração dos serviços prestados são historicamente apontados pelos empresários como insuficientes queixando-se eles ainda dos mecanismos de controle impostos pelo SUS (“excessivos”, no seu dizer ). Do lado dos gestores públicos, as queixas também são permanentes, acusando os hospitais contratados de praticarem seleção de pacientes (os casos mais graves são de difícil aceitação pelos hospitais pois tem maiores custos ) e da prática de diversas irregularidades especialmente nas cobranças . Enfim, de lado a lado as queixas se sucedem e se avolumam.

Tais problemas têm solução? Parece-me que sim, mas tem um custo elevado financeira e politicamente.

Assim, é necessário construir um plano de adequação (inclusive expansão) da rede publica para torná-la capaz de suportar a demanda e organizá-la regionalmente, para evitar-se a concentração de pacientes em Cuiabá. A capital tem o dever de além de atender sua própria demanda, servir de referencia estadual e macrorregional para os casos de alta complexidade, pois a interiorização de profissionais de muitas especialidades ainda é incipiente em nosso Estado. Para tal, Cuiabá necessita suporte financeiro dos cofres do Estado e da União, ambos devedores de tal obrigação há muito tempo. Afinal, o “esqueleto” do Hospital Central do Estado assombra a região do CPA há 35 anos pelo menos !!! Recentemente o governo do Estado decidiu concluí-lo, mas como prédio administrativo para o conforto da burocracia, enquanto o povo fica empilhado nos Pronto - Socorros de Cuiabá e Várzea Grande. Quando entrará em funcionamento o Hospital Metropolitano de Várzea Grande? Espera-se que não tenha o mesmo fim do Hospital Central !!!! Onde está também o prometido Hospital da Criança, jurado de pés juntos por tantos políticos quando candidatos, mas rapidamente esquecido pelos eleitos, após os primeiros estudos sobre as despesas de seu custeio? Onde foram parar as promessas de fazer funcionar uma unidade de alta complexidade com a aquisição de hospitais particulares fechados em nossa cidade ? E quando a dengue explodir, o que infelizmente parece inevitável dado a insuficiências das atividades de prevenção, vai-se improvisar novamente “leitos para dengue” em estruturas adaptadas às pressas?

Outro ponto fundamental é a questão de recursos humanos, com a construção de carreiras de estado para profissionais da saúde e a criação de um novo quadro de servidores , remunerando-os condignamente, estipulando metas de produtividade quantitativa e qualitativa, garantindo-se ascensão, progressão e educação continuada mas em contrapartida controlando-se eficazmente assiduidade, pontualidade, cumprimento de jornada, humanização no atendimento, enfim comprometimento com o serviço público.

A contratação de serviços privados deverá ter caráter complementar como já preconiza o SUS e ser refeita em novas bases contratuais, ajustando-se os patamares de remuneração mas estabelecendo-se um rígido controle dos procedimentos a serem realizados, incluindo o absoluto controle dos leitos pela Regulação. Esse controle hoje é quase nenhum e os pacientes são internados de acordo com a aceitação (ou não) por parte do hospital contratado. As listas de espera devem ser publicizadas e controladas pelos gestores, usuários, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Ministério Público , Defensoria e outros órgãos controladores.

Obviamente, mudanças desse porte, como já dissemos, terão alto custo financeiro e político. No entanto, se nunca antes na história desse País se gastou tanto com o social, como se alardeia aos quatro cantos, chegou a hora da saúde ter recursos necessários. O desafio é dobrar – repito DOBRAR – os recursos federal e do estado destinado para a saúde!!!! Pois não vamos gastar bilhões em obras para a Copa do Mundo? Ou o futebol é mais importante que a saúde do nosso povo???? O que se gastou demolindo o Verdão e vai se gastar para construir a Arena Pantanal e adequações da “mobilidade urbana”, dava e sobrava para fazer as obras necessárias para revolucionar-se a saúde em Cuiabá e Mato Grosso.

Quanto ao ônus político de mudar os atuais paradigmas de trabalho na saúde, pode constituir-se em desgaste junto a alguns setores e corporações, mas poderá reverter o atual cenário caótico e beneficiar toda a nossa sociedade. O seu executor tornar-se-á um benfeitor do nosso povo e certamente não será esquecido por ele. Porém, haverá coragem e disposição para isso?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Seis leitos de UTI interditados por falta de equipamentos não seria má gestão?

Na semana passada fomos surpreendidos com a notícia da morte de cinco crianças na UTI Neonatal do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. A alegação era de que as mortes poderiam ter sido causadas por uma tal bactéria. Hoje, matéria da Folha do Estado afirma que seis leitos da mesma UTI não estão funcionando por falta de equipamentos. A denúncia é do presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Arlan Azevedo Ferreira e, no mínimo, revela que está havendo problemas de gestão no SUS/Cuiabá já que 60% da UTI estaria paralisada por falta de manutenção dos equipamentos.
Movimento Saúde e Democracia

Seis leitos de UTI do Pronto Socorro de Cuiabá não funcionam por falta de aparelhagem

A constatação foi feita pelo Conselho Regional de Medicina (CRM/MT) segundo reportagem de hoje (05/01) do jornal Folha do Estado. Confira o texto na íntegra:

Laura Petráglia

Depois de cinco mortes de recém-nascidos prematuros em 15 dias, e de ficar interditada por três dias por conta de uma suspeita de infecção, a UTI Neonatal do Pronto-Socorro de Cuiabá passou por uma vistoria de dois médicos que fazem parte do Conselho Regional de Medicina (CRM). Constatou-se que dos 10 leitos disponíveis, apenas quatro funcionam, por falta de aparelhagem. De acordo com presidente do CRM, Arlan Azevedo, no aspecto ligado à infecção, o ambiente está dentro do padrão estabelecido pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para leitos de Unidades de Terapia Intensiva, porém sem todos funcionado.


“Verificamos que em relação ao risco de infecção, todas as normas da Anvisa estão sendo seguidas. Porém o não funcionamento de mais da metade dos leitos é uma irregularidade tão grave quanto. Verificamos que os leitos foram desativados por falta de equipamentos simples como respirador, umidificador que estragaram e não foram repostos. Coisas simples que podiam ser resolvidas chegaram a esse ponto de prejuízo para a população. Vamos enviar o relatório da vistoria para superintendência do pronto-socorro para que tome providências. Paralelo a isso vamos enviar o mesmo relatório para Secretaria de Estado de Saúde e para o Ministério Público”, disse.



Toda polêmica em torno do pronto-socorro começou com as mortes de cinco recém-nascidos que estavam na UTI do local. Os óbitos foram registrados entre 18 e 26 de dezembro, segundo o Conselho Regional de Medicina de Medicina de Mato Grosso, CRM. A suspeita é de que três dessas crianças tenham morrido em decorrência de uma bactéria conhecida como ‘Estafilo Coagulasse Negativo’, mas apenas em uma morte foi confirmada por esta bactéria.

O médico infectologista e coordenador da comissão de controle hospitalar do PS, Luciano Correia Ribeiro, explicou em entrevista recente que em uma dessas crianças a bactéria foi identificada no sangue, o que certamente foi a causa da morte. Nos outros dois bebês a bactéria foi encontrada em culturas na pele e ainda estão sendo investigadas. Em cerca de 10 dias será possível saber a causa dos óbitos. Conforme o infectologista, não é possível afirmar que, nestes dois casos, as crianças tenham morrido em decorrência da bactéria pois já apresentavam doenças de base e foram transferidas de unidades do interior.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

UTI neonatal é fechada após morte de cinco bebês em MT

24 Horas News
28/12/2010


A UTI neonatal do Pronto-socorro Municipal de Cuiabá está fechada, desde domingo (26), após a morte de cinco bebês na unidade, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. As mortes de pelo menos três crianças foram causadas por uma bactéria bastante agressiva, presente na UTI neonatal. Os óbitos foram registrados entre 18 e 26 de dezembro, segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM) de Mato Grosso.

“Três crianças já tiveram a causa do óbito confirmada. Outras duas ainda estão em investigação. Essa é uma bactéria que normalmente habita a pele da criança, mas é bastante invasiva, principalmente quando aparece em crianças com o sistema de defesa comprometido”, diz ao G1 Arlan de Azevedo Ferreira, presidente do CRM de Mato Grosso.

Segundo o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, Euze Carvalho, depois do registro do primeiro óbito as internações na unidade foram suspensas e, desde domingo, a UTI neonatal do hospital está fechada. “A unidade foi fechada para desinfecção e pelas condições peculiares das crianças que costumam ficar no local, mais suscetíveis a infecções”, afirma o pediatra.

De acordo com o CRM, o primeiro bebê morreu em 18 de dezembro. Outras duas crianças morreram em 24 de dezembro, uma no dia 25 de dezembro e a última morte foi registrada no domingo (26).

Causas da infecção

O Conselho Regional de Medicina investiga as causas das mortes e afirma que está fiscalizando a unidade. “O Conselho está apurando as condições do hospital. Há problemas estruturais, falta de funcionários e até falta de água e isso pode comprometer o combate a bactérias. Não há como dizer que essa foi a causa das infecções, mas certamente isso tem que ser corrigido”, afirma Ferreira.

Para o secretário-adjunto Carvalho, a suposta resistência da bactéria a medicamentos também pode ter contribuído para a infecção da UTI neonatal. "Em toda unidade hospitalar você usa muito antibiótico, e isso faz com que bactérias resistentes se desenvolvam nesses locais. Estamos apurando o que causou essa situação e a unidade só será reaberta quando o processo de desinfecção for concluído", diz.

A coordenadora de enfermagem do Pronto-socorro, Frederica Rabelo Machado, afirma que todos os cuidados são tomados na UTI neonatal do hospital, e que procedimentos de desinfecção são realizados no local a cada sete dias. "Nenhum dos recém-nascidos que faleceu nasceu em Cuiabá e muito menos no nosso hospital. Eles vieram de hospitais do interior e foram transportados até nossa unidade. É importante ressaltar que há risco de infecção nesse transporte ou até mesmo em outro hospital", diz ao G1.

Greve dos médicos em VG gera aumento de atendimentos em Cuiabá

Site 24 Horas News traz à tona sobrecarga de demanda na Policlínica do Verdão por conta da greve dos médicos em Várzea Grande. Esta policlínica, na verdade, sempre atendeu pacientes da cidade vizinha, onde não há atendimento 24 horas, exceto no Pronto Socorro.

A demanda por atendimento na Policlínica do Verdão, em Cuiabá, aumentou 70% desde que a greve dos médicos iniciou em Várzea Grande, há 19 dias. A média de pessoas que chegam à Policlínica em dias normais é de 250, mas no dia 20 de dezembro atingiu o pico de 476 pacientes. Sete profissionais de enfermagem já foram contratados pela administração, que também procura 3 médicos extras. Na rua, uma tenda do exército foi montada para abrigar as pessoas, que em determinados momentos não conseguem aguardar na sala de espera.


Por causa da greve, segundo informações do jornal A Gazeta, o serviço dos 240 médicos de Programa de Saúde da Família (PSF), postos de saúde e policlínicas de Várzea Grande estão suspensos. Eles continuam em greve até que a Prefeitura reenvie proposta ao sindicato da categoria. O ofício encaminhado na quinta-feira contempla parcialmente as reivindicações, que vai do pagamento em atraso do benefício de verba indenizatória a aumento salarial. Apenas o serviço médico do Pronto-Socorro (PS) está em funcionamento.

Para o presidente do Sindicato de Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT), Edinaldo Lemos, a proposta inicial do prefeito Murilo Domingos é inconsistente. "Eles nos passaram um calendário de pagamento da verba indenizatória, mas o aumento prometido em dezembro de 2009 foi ignorado".

O aumento salarial de R$ 1,3 mil para R$ 1,6 mil está previsto na Lei nº 3.458 deste ano. Conforme a programação, em setembro este incremento seria aplicado e em maio de 2011 haveria o aumento posterior do piso para R$ 1,9 mil. Porém, Edinaldo afirma que a proposta inicial previa somente o aumento de maio.

Em relação à verba indenizatória em atraso dos meses de outubro a dezembro, a Prefeitura apresentou cronograma de pagamento que vai de janeiro a abril de 2011. O benefício deveria incrementar em R$ 2,5 mil o salário dos médicos do PS e em R$ 1 mil o dos demais profissionais. Somando com o aumento no piso de R$ 300 em atraso, que deveria ter sido aplicado em setembro a cada um dos 500 médicos, o total da conta fica em R$ 450 mil.

O secretário de administração de Várzea Grande, Marcos da Silva, afirma que até a tarde de ontem nenhuma manifestação do Sindimed em relação à proposta havia chegado em suas mãos. Sobre aumento de R$ 300 previsto para setembro, o secretário diz que foi explicado à categoria que a Prefeitura estava sem verba para cumprir os pagamentos. "Tivemos queda na arrecadação e chegamos a revogar a lei, que previa o aumento".

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MSD deseja um Feliz Natal e um novo ano de muita Saúde!

Desejamos a todos um Feliz Natal e que 2011 seja um ano de muitas realizações e que o Movimento Saúde e Democracia se torne cada dia mais forte em defesa do SUS.

Diretoria Executiva Provisória
Nei Moreira, Wagner Simplício, Iracema Alencar, Walter Arruda

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sai um bando e entra outro? Pedro Henry anuncia acabar com máfia na SES


O deputado Pedro Henry (PP), conhecido nacionalmente pelo envolvimento na Máfia das Sanguessugas, do Mensalão e mais recentemente enquadrado no Ficha Suja, aceitou convite (do Silval ou do Riva?) para assumir a Secretaria de Saúde de Mato Grosso e, antes mesmo da posse, já anuncia: “VAI ACABAR COM A MÁFIA DA SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE”.

Seria cômico se não fosse trágico. Se um lado o deputado denuncia máfia no Governo do qual faz parte nos últimos oito anos. De outro, como uma pessoa citada em várias máfias no país pode denunciar outra. Ou será que o deputado deve estar se armando para tomar a SES da suposta máfia e passar a dominar o terreno? Até porque na política e no crime não existe vácuo. Sai um bando e entra outro? Pobre dos trabalhadores e usuários do SUS.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

MPE avalia falha nas ações de combate à dengue em Cuiabá

Sinara Alvares
Folha do Estado

Apesar das ações de combate a dengue, campanhas publicitárias e vistorias de porta em porta, Cuiabá ainda corre o risco de uma epidemia de dengue.


O problema de saúde pública já foi objeto, até mesmo, da intervenção do Ministério Público Estadual que avalia uma falha integrada no combate ao mosquito aedes aegypti que pode comprometer, inclusive, a imagem da região na tão esperada Copa de 2014. Cuiabá está entre as 14 capitais brasileiras em situação de alerta para um possível surto de dengue de acordo com o Ministério da Saúde.

Para o promotor de Justiça Alexandre de Matos Guedes o problema de combate à doença é multi-setorial, pois envolve diversas áreas. “Percebemos que além de falhas na execução das ações, existem problemas que devem ser enfrentados por diversos órgãos do Poder Público e não somente pelas Secretarias de Saúde”, explicou ele.

Como exemplo o promotor citou a coleta de lixo que, além de acumular sujeira pela cidade é um perigo constante de focos de dengue. Em sua avaliação, enquanto não houver um sistema de coleta de lixo regular e eficiente a proliferação do mosquito nada dengue não vai ser controlada.

“Apesar dos técnicos se esforçarem até agora o município de Cuiabá não tem atendido as expectativas no combate a dengue. Enquanto houver lixo acumulado haverá dengue. Em geral, Mato Grosso não tem dado uma solução adequada aos resíduos sólidos. Não estou dizendo que seja culpa apenas da saúde, é um problema com muitas origens”, apontou.

Pneus acumulados e ao ar livre, como é possível encontrar com frequência no depósito de pneus da Prefeitura na av. Beira Rio, preocupa a população. Uma casa em construção na rua 14 do bairro Boa Esperança, em Cuiabá, gera revolta. Moradores do local reclamam que na casa, há meses, ninguém entra.

É possível ver pelo muro das casas vizinhas a piscina com pouca água e já esverdeada pelo lodo acumulado e com muitos mosquitos. “De que adianta passar o pessoal da dengue aqui se temos aqui do lado o maior foco?”,afirmou Jussara Marques que mora ao lado da casa que está em construção.

A vizinhança afirma que já ligaram para a Vigilância Sanitária, Centro de Zoonose, mas os órgãos informaram que precisavam de autorização judicial para entrar na residência.

O coordenador da Vigilância Sanitária, Divalmo Pereira afirma que a vigilância entra apenas em estabelecimento abertos e que para entrar em residências precisa de autorização judicial. Entretanto se comprometeu a ir ao local verificar o problema.

O promotor Alexandre Guedes afirmou que os fiscais no exercício de suas funções não precisam de autorização judicial para eliminar focos de dengue em residências.

“Em Cuiabá é preciso também fazer mais ações repressivas com multas. Mas são poucos fiscais”, analisou. Os municípios pequenos têm mais resultados no combate a dengue se comparado aos grandes centros. Na constatação foi feita pelo MPE, a Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania está analisando informações enviadas pelas Prefeituras à instituição.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PSF inaugurado há 15 dias em Cuiabá até hoje não tem vacina e nem álcool

Reforma levou 14 meses para ser concluída.
A denúncia está publicada no Blog da Sandra Carvalho:

A unidade do Programa de Saúde da Família (PSF) do Carumbé e Bela Vista, em Cuiabá, inaugurada dia 30 de novembro passado, até hoje, 15 dias depois, não tem geladeira, vacina, álcool, foco de luz para coleta de exame de colo de útero, água para os funcionários e nem recepcionista. Ressaltando que a reforma levou 14 meses prá ser concluída.

Para completar, a unidade ainda não dispõe de agentes de saúde para visitas domiciliares, como prevê o programa criado pelo Governo Federal, gerido e mantido pelos municípios. O que se percebe é uma equipe querendo trabalhar mais sem as mínimas condições de prestar o serviço a que se propõe o PSF.

Em 2009, a unidade funcionava como Centro de Saúde e foi submetida à reforma a partir do mês de outubro para passar a abrigar duas equipes do Programa de Saúde da Família, cujos resultados são mais eficazes.


Solenidade de inauguração do PSF
 Depois da troca de secretários de saúde, no final desse mesmo ano, a obra ficou paralisada e só foi retomada cinco meses depois, período que os moradores daquela área de abrangência ficaram praticamente sem assistência ou tiveram que recorrer a outras unidades, cuja capacidade de atendimento já é previamente definidas.

O morador do bairro Bela Vista, Valdemiro de Faria, 61 anos, é direto: “Essa Prefeitura é um problema. Farta água, a cidade tá cheia de buraco, aumenta o IPTU, a passagem de ônibus e não tem saúde”.

Blog da Sandra Carvalho: http://www.24horasnews.com.br/blog/index.php?tipo=lista&blogueiro=9

Greve dos médicos: situações diferentes em Cuiabá e Várzea Grande

Os médicos de Várzea Grande estão em greve desde a zero hora desta quarta-feira (15) reivindicando melhores salários, o que é justo.


A paralisação envolve toda a rede municipal de saúde, com exceção do Box de Emergência do Pronto Socorro da cidade. Em 2009, os médicos também fizeram greve em Cuiabá, que ganhou grande repercussão na imprensa.

Integrantes do Movimento Saúde e Cidadania avaliam que são coisas muito distintas. A greve dos médicos na capital gerou mais manchetes porque o Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá atende pacientes de todo o Estado de Mato Grosso. Ou seja, prejudicou muito mais pessoas.

De outro lado, os médicos paralisaram o Box de Emergência, que é o “coração” de um Pronto Socorro, por colocar em risco a vida de pessoas. Este item por si só já provocou um estardalhaço em todo o Estado.

Por fim, a greve “coincidiu” com o período pré-campanha eleitoral e o movimento ganhou cunho eleitoreiro. No caso de Várzea Grande, a greve não está acontecendo em período pré-campanha, o que leva a supor que não tenha tanta repercussão na mídia e impacto na sociedade mato-grossense.

Médicos de VG estão em greve e só atendem emergência


O Diário de Cuiabá traz, na edição desta quarta-feira (15/12) matéria anunciando greve dos médicos em Várzea Grande a partir da zero hora. Confira abaixo reportagem na íntegra:


Alecy Alves

A partir de hoje a população várzea-grandense que já sofria com a precariedade dos serviços de saúde ficará sem nada. Isso mesmo. Portanto, enganou-se aquele que achava que a situação estava ruim e não poderia piorar. Os médicos do município, cerca de 250, decretaram greve por tempo indeterminado. Os postos de saúde e as policlínicas param de atender. Já o Pronto-Socorro e Hospital Municipal (PSHMVG) implantará um modelo de triagem mais rigoroso do que aquele que vinha sendo praticado há meses.

Somente os pacientes em situação de urgência e emergência serão atendidos. A greve é contra o descumprimento do acordo firmado entre a categoria e a prefeitura de Várzea Grande, que se comprometeu a aumentar o piso salarial dos médicos de R$ 1,3 mil para R$ 1,6 mil a partir de setembro deste ano e não o fez. Os profissionais de saúde também protestam contra o atraso no repasse da verba indenizatória, uma espécie de complementação salarial paga com recursos do Estado.

Até ontem funcionava no PSHMVG um sistema de atendimento por “classificação de gravidade”. A triagem dos pacientes que receberiam assistência médica estava sendo definida por cores. Se a situação se enquadrasse na cor vermelha, um princípio de enfarto, por exemplo, seria levado imediatamente para consulta. Os demais, da cor amarela até a azul, esperariam ser chamados conforme a classificação de urgência feita pelos próprios médicos. Nervoso e revoltado, Josivan Rodrigues Feitosa, marido de Lucilene Aparecida Torres, avaliou o serviço do PSHMVG como um desrespeito ao cidadão.

Lucilene, que há três dias mal consegue caminhar por causa das dores que sente na região uterina, não conseguiu atendimento ontem. “O médico nos disse que só atenderia se ela estivesse grávida ou com hemorragia, sangrando bastante”, contou o marido. “Tenho vontade de quebrar tudo aqui”. Ele disse que sua revolta maior é porque, mesmo pagando tantos impostos, precisava mendigar um socorro.

Jociley Messias, que ontem esteve pela segunda vez no Pronto-Socorro em menos de 24 horas, acha que em Várzea Grande a população está sendo muito maltratada. Com dores no abdômen, na segunda-feira ele conseguiu ser atendido, mas não passou por nenhum exame e recebeu apenas uma injeção de analgésico na veia. Ele disse que até voltou para casa, mas passou a noite em claro, sem dormir por causa das dores e que, por isso, decidiu recorrer mais uma vez ao PS.

OUTRO LADO - No início da tarde de ontem, o diretor geral do PSHMVG, João Betelho, disse que desconhecia a decisão dos médicos e que não havia recebido nenhuma notificação sobre a grave. Entretanto, Botelho avisou que a resposta aos grevistas será à altura do movimento. A prefeitura, disse, cobrará o cumprimento da responsabilidade de manter 30% dos serviços em pleno funcionamento.

“Não vamos aceitar que venham aqui e digam que estão trabalhando, enquanto permanecem com os braços cruzados”, disse. “Nossa resposta será a altura, do jeito que vier voltará”, completou, observando que recorrerá aos meios necessários se for preciso para manter as unidades em funcionamento. A reportagem tentou, mas não conseguiu falar com o secretário municipal de Saúde, Renato Tápias Tetilla.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Saúde Pública: Tragédias, lágrimas e muito silêncio

Circuito Mato Grosso traz matéria sobre os vários problemas existentes na saúde pública do Estado

Adriana Nascimento


Dor, desespero, superlotação e revolta. Essas são as coisas mais abundantes nos hospitais públicos de Mato Grosso. Até aí, nada de novidade, uma vez que todo mundo sabe que o setor da Saúde está em colapso há muito tempo. O problema é que este quadro se configurou em todo o ano de 2010, apesar de ter sido instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde pela Assembleia Legislativa - cujo relatório final tem previsão de ser concluído e divulgado até dia o próximo dia 15 – justamente para remediar esta situação. No entanto, pouco ou quase nada mudou no diagnóstico de caos anunciado dado no início dos trabalhos. Foi isto o que comprovou a diligência feita pela reportagem do Circuito Mato Grosso, na última sexta (03), ao percorrer as principais instituições de Saúde de Cuiabá e Várzea Grande.

No caminho solicitamos entrevista com o deputado e presidente da CPI, Sérgio Ricardo (PR), mas ele estava em São Paulo e o celular na caixa de mensagem, onde deixamos pedido de retorno e não obtivemos até o fechamento desta. Sem a presença do parlamentar em Mato Grosso pedimos a sua assessoria de imprensa que encaminhasse resposta a nossos questionamentos a respeito do que realmente mudou no setor com a investigação. Contudo, por ocasião da morte do irmão do deputado, ocorrida na mesma sexta, por conta de um acidente de carro, o assessor não encaminhou as respostas por ter que cuidar dos trâmites do enterro.

Saiba quais são as perguntas que não querem calar:

- Qual contribuição a CPI deu a sociedade?

- Quais os fatos mais graves descobertos pela CPI? Cite pelo menos três?

- O censo do IBGE apontou significativa redução nos leitos disponíveis em Mato Grosso e, no entanto, o Estado conta com duas unidades hospitalares novas sendo: uma em Várzea Grande e outra em Sinop. O que falta para colocá-los em funcionamento?

- Qual providência a CPI pretende tomar em relação a eles?

- Quais servidores e secretários foram convocados pela CPI?

- Houve algum tipo de punição, sanção ou advertência administrativa?

- A CPI já existe há mais de um ano. O que ela teve de resultado efetivo até agora?

- As farmácias de alto custo frequentemente apresentam falta de medicamentos, quais as sanções praticadas aos órgãos responsáveis por manter estoques disponíveis para o atendimento da população?

- O senhor não acha antiético presidir uma CPI ao mesmo tempo em que faz parte da base aliada do governo, cujo governador era seu companheiro de partido, Blairo Maggi e agora o do partido aliado, PMDB, Silval Barbosa?

- O atual governador liberou o PAS (Plano de Ações da Saúde - PAS) por causa da falta de leitos e o caos na rede pública de Saúde. Este programa teve apenas interesses eleitorais ou foi efetivamente cumprido?

- Quando o senhor vai liberar para a sociedade as conclusões desta CPI?

O Circuito Mato Grosso aguardou até o fechamento desta edição a resposta do deputado para que a sociedade pudesse saber se há esperança do setor melhorar a médio ou longo prazo. No entanto, nada foi respondido.

O que (não) diz Silval Barbosa

Em busca de respostas o Circuito Mato Grosso também questionou o governador Silval Barbosa (PMDB) que acompanha o problema na Saúde pública desde que era vice do ex-governador Blairo Maggi. Também a resposta foi o silêncio até o fechamento desta edição sem nem mesmo um pronunciamento da Secretaria de Comunicação do Estado sobre o assunto.

Diretor do Pronto Socorro de Cuiabá, Jair Gimenez

O diretor do Pronto Socorro de Cuiabá, Jair Durigon, não teve espaço na agenda para conversar com a reportagem a tempo do fechamento. As perguntas foram encaminhadas por e-mail, mas também não foram respondidas a tempo. A equipe tentou entrar no PS para verificar as condições encontradas hoje no local, após a reforma e com a transferência dos pacientes da chamada Ala Verde, considerada em condições críticas para atendimento dos pacientes. No entanto, o agendamento para que tudo fosse fotografado, não ocorreu. Questionada, a assessoria de imprensa do órgão encaminhou a nota abaixo:

“A administração do Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá (HPSMC) informa que o acesso da Imprensa no local está sendo realizado mediante prévio agendamento. Na tentativa de preservar a integridade dos pacientes e evitar transtornos aos mesmos que se encontram em estado de saúde fragilizado foi determinado este procedimento. Ressaltando que todo e quaisquer veículo de comunicação possui livre acesso ao Hospital em qualquer circunstância, seja para entrevistas ou para visitas monitoradas (Para o registro de fotos e imagens). Porém, como bem público que zela pela vida dos pacientes informamos que o agendamento é uma medida tomada restritamente para facilitar e organizar o fluxo de entrada no HPSMC. Desde já agradecemos a compreensão de todos e nos colocamos a disposição outros esclarecimentos.”

Ex-secretário de Saúde do Estado, Gabriel Novis

O médico e ex-secretário de Estado de Saúde, por duas vezes, Gabriel Novis Neves, foi a única voz que falou a realidade dos bastidores de como é tratada a Saúde em Mato Grosso. Para ele, a CPI é um grande engodo. Nada será resolvido, em sua opinião, sem que os governantes levem a vida humana a sério. Para Neves a base de tudo é a Educação. Ele tem propriedade para falar do assunto uma vez que foi secretário de Saúde no governo de Júlio Campos por dois anos e por 23 dias no início do governo Blairo Maggi. O médico explica a rapidez com que saiu do cargo na segunda vez pelo fato de ter visto o descaso com que o setor era tratado. “Logo que assumi soube de falta de medicamentos na farmácia de alto custo. Fui atrás para saber o por quê daquilo ocorrer já que havia um planejamento para compra feito no ano anterior e simplesmente me deparei com a resposta de que o governador cortou gastos linearmente e não levou em conta o prejuízo que causaria em setores essenciais como a Educação e a Saúde”, revelou.

Indignado, ele acredita que a falta de Educação de qualidade é o que lota hospitais. “O governo deveria pensar de outro modo. Por exemplo, onde mais houvesse pobreza, ali é que deveria ter o maior investimento em Educação e Saúde para evitar conseqüências maiores de lotação nas unidades de Saúde”, apontou. Em resumo, é preciso, antes de tudo, prevenção e estrutura para conter o câncer de descaso que se instalou no setor.

Na farmácia de Alto Custo...

Enquanto os governantes discutem o problema, distantes da dor que sentem os mais necessitados, o que se vê é desespero pelas unidades de Saúde. Na Farmácia de Alto Custo, pacientes todos os dias entram com apreensão e saem com tristeza ao invés de remédio para seus males. Uma delas é dona Ivone, 70 anos, que saía na última semana do local sem o colírio para o glaucoma do marido e diz que, quando não pega na farmácia, tem que gastar um valor alto, que não é compatível com o salário mínimo que ganha de aposentadoria. Outra com problemas é Celeste, de 53 anos, que pega remédios junto com a filha para colesterol e sai, quase sempre, segundo ela, de mãos vazias porque quase nunca tem o medicamento no local. Para se ter uma idéia uma caixa deste medicamente custa R$ 150,00. Para ouvir o “não” ela ainda teve que esperar por duas horas na fila.

Neiva, de 59, que sofre de esquizofrenia, também não teve sorte. O remédio estava em falta e ela terá que esperar porque não tem como comprar o medicamento, que custa R$ 600,00. A reportagem tentou falar com a gerente da farmácia de alto custo, mas, apesar de ser 16h ela não estava mais lá.

Em Várzea Grande...

No PS de Várzea Grande o cenário de descontentamento tanto de pacientes quanto de funcionários não é diferente. Para se ter uma idéia, o corredor sem ventilador e sem janelas onde ficam “internados” pacientes com problemas sérios, é apelidado pelos funcionários de “Faixa de Gaza”, em referência ao território em guerra disputado por judeus e muçulmanos que já causou a morte de milhares de pessoas. Sem alternativa, e lotado por conta da mudança no atendimento no PS de Cuiabá, o local, que atende 40% de pacientes vindos do interior, está em muito mais do que seu limite. Tem lugar para 192 acomodações, mas atende em média 700 pessoas por dia. Diante do caos os funcionários organizaram um mutirão de limpeza e manutenção por conta própria, na última segunda (6). Já nesta quinta (9) os atendimentos médicos nos ambulatórios do Pronto Socorro, Policlínicas, Postos de Saúde e Programa Saúde da Família (PSF) de Várzea Grande serão interrompidos por 48 horas. O protesto é de parte dos médicos que se sentem prejudicados pelo descumprimento do acordo firmado entre o Poder Executivo e a categoria neste ano. A mobilização iniciou-se em decorrência do não cumprimento do acordo estabelecido entre a categoria e o secretário de Administração do município, Marcos da Silva, o qual previa o aumento do piso salarial dos médicos de R$ 1,3 mil para R$ 1,6 mil, já em setembro deste ano. Apesar do protesto, serão mantidos os atendimentos nos casos de urgência e emergência. Já as cirurgias eletivas serão paralisadas. Até tudo ser resolvido os médicos ficarão em assembleia permanente e, no próximo dia 13, decidirão se entram em greve por tempo indeterminado.

Pronto Socorro de Cuiabá...

Filas na porta e desespero geral de quem não sabe o que tem, apenas que tem dor e não sabe o que fazer nem para onde ir além de tentar ser atendido no local que deveria não negar atendimento ou encaminhá-los para um local adequado.

Hospital Santa Helena...

Neste local a reportagem foi no horário noturno. O atendimento parecia sem problemas. Até sabermos que emergência existe só para gestantes na parte noturna.O restante das pessoas deve aguardar o dia seguinte.

Adauto Botelho

Não tivemos acesso a área interna. No entanto, quando procuramos informações sobre o local soubemos que a diretora tinha ido caminhar e só voltaria no fim da tarde para pegar suas coisas e ir embora para casa. Atendimento médico também não havia, conforme informações de funcionários. Lá só há médico pela manhã e à noite. Portanto, ninguém deve ter surto à tarde.

A CPI

Algumas das informações divulgadas ao longo do ano pela assessoria da CPI da Saúde informa que, em 2010, foram realizadas visitas pelos membros e seus técnicos em: 12/03/2010 – Hospital Regional de Cáceres; 19/03/2010 – Hospital Regional de Rondonópolis; 26/03/2010 – Hospital Regional de Colíder, e, em 09/04/2010 – Hospital Regional de Sorriso. Como também, ao Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (17/06) e ao Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande (01/07), para avaliar as condições de funcionamento. Os membros da CPI da Saúde participaram de três audiências sendo a primeira com o Ministro da Saúde José Gomes Temporão, durante a sua visita na Capital, a segunda com a Desembargadora Drª.Clarice Claudino, e a terceira com o Governador Silval Barbosa para a entrega das Recomendações da CPI da Saúde para execução urgente. Foi realizada ainda, uma reunião com os Secretários de Saúde de Estado e do Município de Cuiabá, Agostinho Moro e Maurélio Ribeiro para tratar das questões pertinentes à fila de espera por cirurgia no Estado de Mato Grosso, e uma reunião com o Secretário de Saúde do Estado Kamil Fares para a entrega da Demanda Reprimida.

Problemas encontrados

Durante as visitas nas unidades de saúde de Cuiabá e interior a CPI pode constatar inúmeros problemas, entre eles falta de médicos, medicamentos, equipamentos, leitos, UTIs e pessoal. O presidente da CPI, deputado estadual Sergio Ricardo (PR) disse, na época, que o excesso de burocracia resulta na demora de até três anos para a conclusão de numerosos processos de aquisição de equipamentos para os hospitais. “É preciso garantir a descentralização administrativa na gestão da nos Hospitais Regionais”.

PAS

Conforme a CPI, as ações em andamento no Plano de Ações da Saúde incluem medidas no atendimento de consultas especializadas de média e alta complexidade, conforme resolução assinada entre Cuiabá e o Estado e Cosems em março. São realizados consultas e exames como Broncoscopia, Retosigmoidoscopia, Eletroneuromigrafia Simples, RX Contrastado, Campimentria, Retinografia, Espirometria, Cintilografia Miocardio, Cateterismo, IAG Laser, Colonoscopia, Ultrassonografia, Cardiologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia Cirúrgica e Oftalmologia. O investimento do Estado e Município de Cuiabá juntos é de pouco mais de R$ 1 milhão.

Na prevenção e tratamento de cânceres, o Governo do Estado firmou convênio com o Hospital de Barretos (SP) que cedeu a Unidade Móvel do Hospital de Barretos para o atendimento preventivo ao Câncer de Mama, Próstata e Pele. Exames de Papanicolau, Próstata (físico e sangue). A ação prevê também procedimentos cirúrgicos no caso de pele.

O Hospital Metropolitano do Cristo Rei em funcionamento será referência para cirurgias eletivas de Média e Alta Complexidade na área de Geral e Ortopedia. Há ainda aço em Andamento no atendimento ao Alto Custo na revisão e confecção do novo Protocolo Clínico de Mato Grosso para Cessão de Medicamentos Excepcionais e/ou Alto Custo.

Planos

Por entender a necessidade de mais investimentos para o setor da saúde, o Governo do Estado acatou a recomendação do presidente da CPI da Saúde da Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Ricardo (PR), e incluiu o Imposto de Renda na base de cálculo dos 12% relativos ao orçamento da saúde previsto para o exercício de 2011. O Secretário de Estado de Saúde, Augusto Amaral anunciou a medida durante a primeira Audiência Pública realizada ontem (10), na Assembléia Legislativa para discutir a Lei Orçamentária Anual (LOA/2011). Amaral avaliou como um avanço positivo a inclusão do imposto que irá refletir em mais benefícios a população. “O imposto de renda vai acrescer nosso orçamento para 2011 em torno de R$ 38 milhões. Isso não resolve o problema já que a demanda aumenta a cada dia, porém, vamos continuar trabalhando para melhorar a oferta dos serviços de saúde pública para nossa sociedade”, afirmou.


Cartilha do Usuário do Sus