sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Cabide de emprego: Secretaria de Saúde demite 500 funcionários do "Idep"
Amanda Alves
Da Redação
Quinhentos funcionários da Secretaria de Estado de Saúde (SES) que trabalham de apoio administrativo serão demitidos pelo governo, como medida de contenção de gastos. Até o momento, pelo menos 49 pessoas já foram dispensadas de suas funções, que envolve recepção, assessoria e secretarias em várias cidades de Mato Grosso. Estes profissionais foram contratados por termo de parceria com o Instituto de Desenvolvimento de Programas (Idep).
O anúncio das demissões foi feito pelo secretário da pasta, Pedro Henry, em vistoria no Pronto-Socorro de Várzea Grande (PS). Ele afirmou ser prerrogativa o enxugamento na folha de pagamento da SES para dar andamento a investimentos nos serviços de saúde, como o projeto de abertura do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, previsto para ser inaugurado no aniversário da cidade, em maio.
"Nós temos cerca de 1 mil servidores cedidos para os municípios e 500 contratados com valores bem acima do pago aos concursados. Isso tem que acabar", diz o secretário. Assim que assumiu, Henry estimou que o custo mensal da nova unidade sairia por cerca de R$ 2 milhões, mas já prevê que girará em torno de R$ 3 milhões.
A folha mensal com os 500 funcionários a serem demitidos não foi divulgado pela SES. Os profissionais estão espalhados em várias cidades, como Cáceres, Rondonópolis e Sorriso, onde há regionais do órgão. Esta lista de funcionários é cedida desde 2006 pelo Idep, que informou ainda não ter recebido um comunicado oficial sobre as demissões.
A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) informou que este é um procedimento normal, quando se trata de termo de parcerias, que neste caso era válida por 60 meses. O contrato com o Idep vence no próximo dia 10 de abril e segundo o secretário, ele não será renovado.
COMENTÁRIO DO MSD:- O IDEP sempre foi a válvula de escape para a contratação dos parentes, protegidos e indicados pelos “poderosos” .
- Seria bom divulgar o perfil profissional e para onde estão cedidos.... transparência é bom e não dói
- Cuidado, existe um “soft” que permite incluir propostas depois de conhecidas as anteriores em fração de segundos, antes de encerrar o prazo
Assustador: Saúde de MT não conhece o déficit de leitos
Reportagem de A Gazeta revela que secretário estadual de Saúde, Pedro Henry, não sabe qual o déficit de leitos no Estado
Tania Rauber
Da Redação
A Secretaria do Estado de Saúde (SES) desconhece a quantidade de leitos necessários para atender os pacientes que estão internados nos corredores, macas sem colchões e até mesmo no chão das unidades hospitalares. Somente nos Prontos-Socorros de Cuiabá e Várzea Grande 120 pessoas estão em locais improvisados.
O secretário Pedro Henry anunciou, durante visita as obras do PS de Várzea Grande, que 317 novos leitos devem ser abertos este semestre para atender os pacientes, e que o Estado estuda a renovação de convênios com hospitais particulares para ampliar as vagas.
Em Cuiabá, existem parcerias com os hospitais Geral Universitário, Júlio Müller, Santa Helena, Hospital do Câncer, Adauto Botelho e Santa Casa, onde existem cerca de 1.100 leitos. A necessidade é de mais 300.
Parte desta deficiência será suprida com a abertura dos novos leitos, sendo 85 deles no Pronto-Socorro da Capital, outros 60 no Santa Helena, 72 no Metropolitano de Várzea Grande e 100 no Municipal de Sinop (500 km ao norte de Cuiabá). A expectativa é que eles comecem a receber pacientes até metade do ano.
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo não descartou a possibilidade do Tribunal extinguir a necessidade de licitação para compra dos equipamentos.
Recursos parados - Enquanto falta dinheiro, desde 2009, uma verba de R$ 1,1 milhão está parada nas contas da SES. Henry declarou que tenta liberar o recurso junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para utilizá-lo na construção de novas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Pronto-Socorro em Várzea Grande.
COMENTÁRIO DO MSD:
- Para quem tem a responsabilidade de coordenar a assistência no Estado, esse desconhecimento é assustador.
- Cuidado TCE ... mas partindo de quem partiu a idéia , não se pode esperar nada melhor....
SES anuncia R$ 13 mi e corte de pessoal: MSD fala a verdade sobre isto
Informações estão na imprensa hoje. Veja abaixo, matéria na íntegra do Diário e comentário do MSD
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Após assinar com a prefeitura de Várzea Grande o termo de concessão em regime de comodato do Hospital Metropolitano para o Estado, o secretário de Estado de Saúde (SES), Pedro Henry, anunciou que o Ministério da Saúde (MS) irá liberar R$ 13 milhões para equipar a unidade hospitalar e o Hospital de Sinop (503 quilômetros de Cuiabá). Porém, além de recursos, demissões de cerca de 500 servidores também estão previstas para equilibrar a gestão.
O recurso foi solicitado ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em audiência realizada na última terça-feira. O anúncio foi feito ontem durante uma visita ao Pronto-Socorro e ao Hospital Metropolitano, ambos na Cidade Industrial. Também esteve presente o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Humberto Bosaipo, relator das contas da Saúde.
Do total de recursos, R$ 3,7 milhões serão para o Metropolitano, que contará com 72 leitos e funcionará como referência no atendimento de ortopedia, traumatologia e cirurgias gerais. O restante da verba será para Sinop. A unidade da cidade está pronta e conta com 100 leitos. “Só falta equipar”, disse Henry. Com assinatura do termo, válido por 10 anos, podendo ser prorrogado por igual período, a SES assume a gestão e a estrutura do Metropolitano.
Ao dizer que para resolver o problema da Saúde na região metropolitana é preciso trabalhar em conjunto, Henry enfatizou que vem discutindo uma estratégia de choque para “arrumar” o setor de urgência e emergência na Capital e em Várzea Grande.
Assim, os investimentos não param. O secretário disse ainda que assinará convênio com a prefeitura de Cuiabá prevendo o repasse de R$ 1,5 milhão para a conclusão da reforma da ala Verde (subsolo) do Pronto-Socorro Municipal. “A ala verde vai oferecer 85 leitos, que servirão de retaguarda para o pronto-socorro e vai desafogar o setor de urgência e emergência. O dinheiro já está disponível”, disse. Conforme o secretário de Saúde da Capital, Maurélio Ribeiro, a obra está orçada em R$ 1,6 milhão e já está em fase de conclusão.
Outra medida adotada pela SES é o repasse de R$ 2 milhões para o Hospital Santa Helena. A verba deverá ser aplicada na conclusão do quarto andar da unidade hospitalar, onde serão ofertadas outras 60 camas. “Somando Metropolitano, Pronto-Socorro e Santa Helena serão mais 217 leitos disponíveis, o que equivale a um hospital de grande porte”, destacou Henry. A expectativa é que tudo esteja funcionando até o fim deste primeiro semestre.
O secretário informou também que montou um processo e vai enviar para o Tribunal de Contas para que autorize a liberação emergencial de R$ 1,1 milhão que estão parados na conta da SES desde 2009. “O dinheiro está depositado na conta da Saúde e não foi licitado por conta da burocracia”.
Por outro lado, o secretário lembrou que as unidades de retaguarda precisam estar à altura para evitar que pacientes do interior venham para Capital. “Há casos em que o paciente pode ser atendido no município de origem, mas precisam vir para a Capital, porque não tem atendimento na sua cidade”, disse.
COMENTÁRIO DO MSD
- Metropolitano : a SES construiu mas quando percebeu o tamanho dos recursos necessários para custeio, “congelou” a obra por muito tempo. Depois concluiu e repassou para VG, que pelas mesmas razões desistiu do mesmo e devolveu o abacaxi para a SES !!!! Agora, pela pressão da sociedade conclui-se a obra, mas comenta-se que vai ser entregue para uma OS ou OSCIP ( atenção, lembrem- se de recentes fatos envolvendo o 3º setor e a saúde em Mato Grosso , vide escândalo do Instituto Creatio) para servir de campo de estágio da UNIC e do futuro curso de medicina da UNIVAG !!! Ou seja , dinheiro público para fazer hospital para universidades privadas !!!!
- SINOP : é preciso que essa unidade hospitalar seja destinada a absorver a clientela que hoje vem para Cuiabá, diminuindo assim a pressão sobre a capital. Aí vem a dúvida : existirão profissionais dessas especialidades em SINOP ? Parece que sim, mas não trabalham para o SUS !!!!!
- PS CUIABÁ – é claro que a estrutura do PS é sabidamente inadequada, alguns equipamentos precisam ser renovados, mas também é fundamental resolver a questão da falta de médicos de algumas especialidades e a adequação do pessoal de plantão as reais necessidades, pagando bem mas exigindo cumprimento da jornada de trabalho e respeito ao paciente.
- SANTA HELENA – mais uma vez a SES vai investir dinheiro público num hospital privado, sem garantia de que os leitos estarão disponíveis para uso de acordo COM AS NECESSIDADDES DA REGULAÇÃO e não dependendo da aquiescência do Hospital e dos médicos (seleção de pacientes para evitar casos complicados ...)
Só agora Câmara pede socorro à saúde ao Governo
Confira reportagem do Diário de Cuiabá e comentário abaixo do MSD:
HUMBERTO FREDERICO
Especial para o Diário
O líder do prefeito na Câmara Municipal de Cuiabá, Everton Pop (PP), declarou que a prefeitura da Capital não tem condições de resolver sozinha os problemas na Saúde. Para resolver esta questão, Pop vai montar uma Comissão para ir até o secretário de Saúde do Estado, Pedro Henry, e pedir que o governo interfira nos problemas da cidade.
"Temos que montar uma Comissão e ir até ao secretário de Saúde e não descarto a possibilidade de visitar o governador Silval Barbosa (PMDB). Nesta Comissão devem estar os vereadores Lúdio Cabral (PT), Toninho de Souza (PDT) e mais alguém que o presidente da Casa indicar", disse o pepista.
Pop criticou o fato de o Pronto-socorro Municipal de Cuiabá receber centenas de pessoas do interior do Estado. "Nada contra estas pessoas que vêm para Cuiabá, mas o nosso pronto-socorro não é municipal, é estadual. Tem que haver mais participação do Estado", afirmou.
O pepista ainda acusou deputados estaduais de manterem casas de amparo na Capital, sobrecarregando assim o pronto-socorro. "Tem deputado que mantém casa de apoio aqui. Apesar de ele ter orçamento para fazer mais pela saúde da sua cidade, ele prefere trazer pessoas para cá, e esperar sobrar vaga para colocá-las no pronto-socorro, e depois vai pra tribuna da Assembleia Legislativa reclamar que a Saúde do Estado e de Cuiabá é um caos. Isso é uma vergonha", concluiu, preferindo não citar nomes.
COMENTÁRIO DO MSD
- Lamentável que somente agora alguns vereadores se apercebam dessa situação, que foi repetidamente denunciada na gestão Luiz Soares.
- As casas de apoio ainda encerram outro fator de desorganização do sistema : os seus proprietários (leia-se deputados) mantem um sistema de tráfico de influência na Central de Regulação com fortes indícios de que algo que não cheira muito bem se passa por lá.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Luiz Soares defende discussões de alto nível sobre o SUS
O ex-gestor do SUS e membro do Movimento Saúde e Democracia (MSD), Luiz Soares, propôs, durante entrevista a Rádio Cidade, que as emissoras abram cada vez mais espaço para debates de alto nível sobre saúde pública e privada de Mato Grosso, a exemplo do que tem feito o programa Cidade Independente.
“Precisamos discutir a situação da saúde em nosso Estado não só no agravamento de crises, mas sempre em busca da melhor qualidade dos serviços”, disse Soares, ressaltando que, nesses debates, as autoridades do município e do estado sejam questionadas sobre o modelo de gestão praticado e intimadas a dar uma resposta à sociedade sobre os problemas que se apresentam.
Uma das questões pontuadas pelo ex-gestor é o déficit hospitalar em Mato Grosso. “Eu, por exemplo, defendo a construção de um grande hospital estadual para casos de média e alta complexidade em Cuiabá, única forma que há para garantir assistência digna ao usuário do SUS de todo estado, porque o Pronto Socorro de Cuiabá é uma unidade municipal e, com o crescimento da população, já não suporta mais receber pacientes de todo o interior”.
Soares também defendeu que essas discussões, de uma maneira geral, envolvam pessoas que realmente conheçam o Sistema Único de Saúde (SUS). “Percebemos que o SUS é usado, com certa frequência, oportunamente para projeções pessoais e não com intensões verdadeiras de contribuir para seu crescimento e estruturação em benefício do usuário”, ressaltou.
Luiz Soares ainda chamou para o debate, durante a entrevista, temas como o subfinanciamento do SUS, a relação interprofissional, a transparência das gestões e o corporativismo.
“Precisamos discutir a situação da saúde em nosso Estado não só no agravamento de crises, mas sempre em busca da melhor qualidade dos serviços”, disse Soares, ressaltando que, nesses debates, as autoridades do município e do estado sejam questionadas sobre o modelo de gestão praticado e intimadas a dar uma resposta à sociedade sobre os problemas que se apresentam.
Uma das questões pontuadas pelo ex-gestor é o déficit hospitalar em Mato Grosso. “Eu, por exemplo, defendo a construção de um grande hospital estadual para casos de média e alta complexidade em Cuiabá, única forma que há para garantir assistência digna ao usuário do SUS de todo estado, porque o Pronto Socorro de Cuiabá é uma unidade municipal e, com o crescimento da população, já não suporta mais receber pacientes de todo o interior”.
Soares também defendeu que essas discussões, de uma maneira geral, envolvam pessoas que realmente conheçam o Sistema Único de Saúde (SUS). “Percebemos que o SUS é usado, com certa frequência, oportunamente para projeções pessoais e não com intensões verdadeiras de contribuir para seu crescimento e estruturação em benefício do usuário”, ressaltou.
Luiz Soares ainda chamou para o debate, durante a entrevista, temas como o subfinanciamento do SUS, a relação interprofissional, a transparência das gestões e o corporativismo.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Reformas no PS não solucionam. Movimento defende hospital estadual
A reforma do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, que envolveu mais de R$ 6 milhões, não resolveu e nem resolveria o problema da falta de leitos para pacientes do SUS em Mato Grosso. O Movimento Saúde e Democracia entende que somente a construção de um grande hospital estadual poderá garantir atendimento digno ao usuário e plenas condições de trabalho aos profissionais da saúde. A tal reforma do HPSMC começou a ser planejada em 2005 e foi inaugurada em 2010 antes mesmo de ser concluida. O projeto inicial já apresentava várias falhas, motivo que retardou a liberação de recursos federais. E agora, problemas na estrutura da obra aparecem com frequencia, colocando inclusive vidas em risco. Enquanto isso, a obra do Hospital Central apodrece bem ao lado do Palácio Paiaguás e milhares de pessoas sofrem e inclusive morrem no interior de Mato Grosso por falta de assistência.
MOVIMENTO SAÚDE E DEMOCRACIA
Forro da Sala Vermelha do Pronto Socorro despenca durante temporal
O Blog da Sandra Carvalho publica hoje:
O teto da Sala Vermelha (semi-UTI) do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, a maior referência em emergência para o Estado de Mato Grosso, desabou esta noite com a forte chuva que caiu sobre a capital. O prefeito Chico Galindo e o secretário de saúde de Cuiabá, Maurélio Ribeiro, estão neste momento averiguando os estragos. A informação inicial é de que vários equipamentos, a exemplo de monitores, foram queimados e danificados. Ainda não há informação sobre feridos.
O Pronto Socorro de Cuiabá passou recentemente por uma grande reforma que custou aproximadamente R$ 6 milhões, recursos do Programa Qualisus com contrapardida do município.
Provavelmente o prefeito Chico Galindo e o secretário Maurélio Ribeiro devem acionar a construtora responsável pela obra para questionar a qualidade dos serviços ali executados. Providências já estão sendo tomadas pela direção do HPSMC para que o atendimento aos pacientes não seja prejudicado.
Com a greve dos médicos em Várzea Grande, houve um aumento considerável no fluxo de pacientes no Pronto Socorro de Cuiabá. A sobrecarga mais os problemas na estrutura do prédio do HPSMC decorrentes do temporal pode aumentar o grau de dificuldade no atendimento aos pacientes.
Sindimed exige explicações da prefeitura
Ao tomar com conhecimento da queda de parte do forro da Sala Vermelha do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), ocorrida na madrugada desta quinta-feira (03), o Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (Sindimed-MT) divulgou nota manifestando preocupação com a integridade física não apenas dos profissionais de saúde, mas também da população que necessita da instituição.
“Felizmente, neste incidente não houve feridos. Mas, o Sindicato veementemente repudia reformas como a do Pronto Socorro, que não garantem condições necessárias para que médicos trabalhem com segurança e tranquilidade”, diz a nota divulgada no início da tarde de hoje, por meio da qual a entidade ainda exige explicações do Secretário Municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, do prefeito da Capital, Chico Galindo, e da Construtora responsável pelas obras.
A obra foi inaugurada no segundo semestre do ano passado e já apresenta vários problemas em sua estrutura. Foram investidos cerca de R$ 6 milhões na reforma, recursos do Governo Federal com contrapartida do município.
O teto da Sala Vermelha (semi-UTI) do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, a maior referência em emergência para o Estado de Mato Grosso, desabou esta noite com a forte chuva que caiu sobre a capital. O prefeito Chico Galindo e o secretário de saúde de Cuiabá, Maurélio Ribeiro, estão neste momento averiguando os estragos. A informação inicial é de que vários equipamentos, a exemplo de monitores, foram queimados e danificados. Ainda não há informação sobre feridos.
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| Obra já apresentou vários problemas em sua estrutura após inaugurada |
O Pronto Socorro de Cuiabá passou recentemente por uma grande reforma que custou aproximadamente R$ 6 milhões, recursos do Programa Qualisus com contrapardida do município.
Provavelmente o prefeito Chico Galindo e o secretário Maurélio Ribeiro devem acionar a construtora responsável pela obra para questionar a qualidade dos serviços ali executados. Providências já estão sendo tomadas pela direção do HPSMC para que o atendimento aos pacientes não seja prejudicado.
Com a greve dos médicos em Várzea Grande, houve um aumento considerável no fluxo de pacientes no Pronto Socorro de Cuiabá. A sobrecarga mais os problemas na estrutura do prédio do HPSMC decorrentes do temporal pode aumentar o grau de dificuldade no atendimento aos pacientes.
Sindimed exige explicações da prefeitura
Ao tomar com conhecimento da queda de parte do forro da Sala Vermelha do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), ocorrida na madrugada desta quinta-feira (03), o Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (Sindimed-MT) divulgou nota manifestando preocupação com a integridade física não apenas dos profissionais de saúde, mas também da população que necessita da instituição.
“Felizmente, neste incidente não houve feridos. Mas, o Sindicato veementemente repudia reformas como a do Pronto Socorro, que não garantem condições necessárias para que médicos trabalhem com segurança e tranquilidade”, diz a nota divulgada no início da tarde de hoje, por meio da qual a entidade ainda exige explicações do Secretário Municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, do prefeito da Capital, Chico Galindo, e da Construtora responsável pelas obras.
A obra foi inaugurada no segundo semestre do ano passado e já apresenta vários problemas em sua estrutura. Foram investidos cerca de R$ 6 milhões na reforma, recursos do Governo Federal com contrapartida do município.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
TCE suspende 4 contratos da Saúde por suspeita de superfaturamento
Confira reportagem publicada no site Olhar Direto
Da Redação - Pollyana Araújo
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou a suspensão de quatro contratos firmados pela Secretaria de Saúde do Estado, na gestão do ex-secretário Augustinho Moro, com a empresa Medcomerce – Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares, até que as supostas irregularidades sejam esclarecidas.
De acordo com o conselheiro-relator Humberto Bosaipo, há fortes indícios de risco de sobrepreço no valor dos produtos licitados. “Os preços consignados pelo órgão em exame apresentam variação diferenciada significativa”, apontou o conselheiro, que deu o prazo de 15 dias para que, tanto Augustinho quanto os sucessores e a própria empresa apresentem defesa.
Bosaipo avalia que a maneira como foram conduzidos os processos licitatórios, modalidade Pregão Eletrônico, de números 041/2010, 057/2010, 107/2010 e 112/2010, tende à realização de contratações desvantajosas à administração, com sobrepreço, ferindo os princípios da economicidade e da eficiência, além de contrariar a Lei 8666/93, a chamada Lei de Licitações.
“A consecução do Pregão Eletrônico é passível de causar danos ao erário pela restrição de propostas que otimizem o uso dos recursos destinados à aquisição dos bens almejados pelo órgão, bem como pela passível dificuldade de reparação do dano advindo da não-participação de contingência mais ampla de licitantes”, discorreu o conselheiro-relator, em parte da decisão.
Augustinho Moro deixou a Saúde, tida como o “calcanhar de Aquiles” da administração pública, no final de abril do ano passado logo que o governador Silval Barbosa (PMDB) assumiu o Palácio Paiaguás em substituição a Blairo Maggi, senador eleito pelo PR.
Ele repassou o cargo ao médico Kamil Hussein Fares, que pediu exoneração da pasta depois de curto período, sendo substituído por Augusto Amaral, ex-presidente do MT Saúde. Após esse “rodízio” de secretários, o governador empossou o deputado federal Pedro Henry na secretaria.
Da Redação - Pollyana Araújo
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou a suspensão de quatro contratos firmados pela Secretaria de Saúde do Estado, na gestão do ex-secretário Augustinho Moro, com a empresa Medcomerce – Comercial de Medicamentos e Produtos Hospitalares, até que as supostas irregularidades sejam esclarecidas.
De acordo com o conselheiro-relator Humberto Bosaipo, há fortes indícios de risco de sobrepreço no valor dos produtos licitados. “Os preços consignados pelo órgão em exame apresentam variação diferenciada significativa”, apontou o conselheiro, que deu o prazo de 15 dias para que, tanto Augustinho quanto os sucessores e a própria empresa apresentem defesa.
Bosaipo avalia que a maneira como foram conduzidos os processos licitatórios, modalidade Pregão Eletrônico, de números 041/2010, 057/2010, 107/2010 e 112/2010, tende à realização de contratações desvantajosas à administração, com sobrepreço, ferindo os princípios da economicidade e da eficiência, além de contrariar a Lei 8666/93, a chamada Lei de Licitações.
“A consecução do Pregão Eletrônico é passível de causar danos ao erário pela restrição de propostas que otimizem o uso dos recursos destinados à aquisição dos bens almejados pelo órgão, bem como pela passível dificuldade de reparação do dano advindo da não-participação de contingência mais ampla de licitantes”, discorreu o conselheiro-relator, em parte da decisão.
Augustinho Moro deixou a Saúde, tida como o “calcanhar de Aquiles” da administração pública, no final de abril do ano passado logo que o governador Silval Barbosa (PMDB) assumiu o Palácio Paiaguás em substituição a Blairo Maggi, senador eleito pelo PR.
Ele repassou o cargo ao médico Kamil Hussein Fares, que pediu exoneração da pasta depois de curto período, sendo substituído por Augusto Amaral, ex-presidente do MT Saúde. Após esse “rodízio” de secretários, o governador empossou o deputado federal Pedro Henry na secretaria.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Infestação larval da dengue de 6,4% em Cuiabá
Confiram reportagem de hoje do jornal Diário de Cuiabá:
Presença do Aedes aegypti, transmissor da dengue, é de 6,4 imóveis a cada grupo de cem; risco é considerado muito alto
Da Reportagem
O Levantamento de Índice Rápido por Aedes aegypti (Lira) em Cuiabá é de 6,4%, o que representa que a cada 100 imóveis da cidade, 6,4 têm larvas do mosquito transmissor da dengue. O dado confirma a informação divulgada na semana passada pelo Ministério da Saúde que incluiu a cidade na lista das 70 mais preocupantes quanto ao risco muito alto de epidemia da doença (Lira acima de 4%) neste ano.
A incidência da Capital foi revelada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com base nas primeiras semanas do ano, dando destaque à região leste da cidade, cujo Lira é de 12,4%. O índice considerado aceitável pelo Ministério é de 1%¨. No último Lira apresentado, em novembro passado, Cuiabá tinha incidência de 3,4%.
Bairros como Dom Aquino, Bela Marina, Praeirinho, Beira-Rio, São Mateus e mais outros 12 são os mais infestados da cidade. A região oeste – bairros como Santa Isabel, Goiabeiras, Cidade Alta, Verdão - tem o segundo maior índice larval, de 7,1%; o terceiro é da região sul, área do Coxipó, com 6,4% de infestação, e por último, a região do Grande CPA, a norte, com 5,8%.
Conforme o relatório da equipe de Vigilância a Saúde e Ambiente de Cuiabá, os principais locais em que as larvas ficam alojadas são os depósitos no nível do solo – caixas d’água, tambores, fontes ou outros depósitos utilizados para o acúmulo de água. O índice de 47,2% das larvas foram encontrados nesses locais.
Outro indicador preocupante é quanto à quantidade de larvas localizadas em meio ao lixo: 26,4%. Tampinhas de garrafa jogadas em qualquer lugar, assim como latas, casacas de ovo, sacos plásticos, vasilhas, calhas, dentre outros, acumulam água suficiente para que o Aedes aegypti coloque lá seus ovos.
De acordo com o diretor do órgão municipal, Benedito Oscar Campos, o aumento do Lira se deve ao período de chuvas. "Os meses de dezembro a março são considerados como período crítico da dengue, por apresentar índice pluviométrico elevado. Já esperávamos este aumento, entretanto estamos trabalhando há mais de oito meses para tentar diminuir este impacto e conscientizar a população a nos ajudar nesta luta".
Mato Grosso também está entre os estados com risco muito alto de epidemia de dengue. O mapa de risco da doença no país, divulgado semana passada, levou em conta dados atualizados do Lira. No total, 16 estados têm risco muito alto de epidemia da doença. Cuiabá é a única cidade de Mato Grosso citada na lista dos 70 municípios prioritários para o controle da dengue no momento.
O secretário municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, determinou intensificação das ações de vistoria e limpeza na cidade e quer também dar visibilidade social ao risco de contaminação para conscientização e prevenção do problema perante a população. (Com assessoria)
Presença do Aedes aegypti, transmissor da dengue, é de 6,4 imóveis a cada grupo de cem; risco é considerado muito alto
Da Reportagem
O Levantamento de Índice Rápido por Aedes aegypti (Lira) em Cuiabá é de 6,4%, o que representa que a cada 100 imóveis da cidade, 6,4 têm larvas do mosquito transmissor da dengue. O dado confirma a informação divulgada na semana passada pelo Ministério da Saúde que incluiu a cidade na lista das 70 mais preocupantes quanto ao risco muito alto de epidemia da doença (Lira acima de 4%) neste ano.
A incidência da Capital foi revelada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com base nas primeiras semanas do ano, dando destaque à região leste da cidade, cujo Lira é de 12,4%. O índice considerado aceitável pelo Ministério é de 1%¨. No último Lira apresentado, em novembro passado, Cuiabá tinha incidência de 3,4%.
Bairros como Dom Aquino, Bela Marina, Praeirinho, Beira-Rio, São Mateus e mais outros 12 são os mais infestados da cidade. A região oeste – bairros como Santa Isabel, Goiabeiras, Cidade Alta, Verdão - tem o segundo maior índice larval, de 7,1%; o terceiro é da região sul, área do Coxipó, com 6,4% de infestação, e por último, a região do Grande CPA, a norte, com 5,8%.
Conforme o relatório da equipe de Vigilância a Saúde e Ambiente de Cuiabá, os principais locais em que as larvas ficam alojadas são os depósitos no nível do solo – caixas d’água, tambores, fontes ou outros depósitos utilizados para o acúmulo de água. O índice de 47,2% das larvas foram encontrados nesses locais.
Outro indicador preocupante é quanto à quantidade de larvas localizadas em meio ao lixo: 26,4%. Tampinhas de garrafa jogadas em qualquer lugar, assim como latas, casacas de ovo, sacos plásticos, vasilhas, calhas, dentre outros, acumulam água suficiente para que o Aedes aegypti coloque lá seus ovos.
De acordo com o diretor do órgão municipal, Benedito Oscar Campos, o aumento do Lira se deve ao período de chuvas. "Os meses de dezembro a março são considerados como período crítico da dengue, por apresentar índice pluviométrico elevado. Já esperávamos este aumento, entretanto estamos trabalhando há mais de oito meses para tentar diminuir este impacto e conscientizar a população a nos ajudar nesta luta".
Mato Grosso também está entre os estados com risco muito alto de epidemia de dengue. O mapa de risco da doença no país, divulgado semana passada, levou em conta dados atualizados do Lira. No total, 16 estados têm risco muito alto de epidemia da doença. Cuiabá é a única cidade de Mato Grosso citada na lista dos 70 municípios prioritários para o controle da dengue no momento.
O secretário municipal de Saúde, Maurélio Ribeiro, determinou intensificação das ações de vistoria e limpeza na cidade e quer também dar visibilidade social ao risco de contaminação para conscientização e prevenção do problema perante a população. (Com assessoria)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
MT e saúde pública sem gerência
Hélcio Corrêa Gomes
Mato Grosso tinha abandonado o político na gerência da saúde. Os últimos administradores estatais não foram improvisados. Embora, cada qual tivesse sua tecnicidade muita distorção persistiu e ficou para ser corrigida. A população nutria continuidade na gerência técnica. Afinal, a conjugação de esforço com prioridade política com o governador e execução com secretário mais técnico deu certo rumo social e potencialidade - dentro das possibilidades. O atual governador inverteu a regra. Retornou ao passado opaco. Impõe na saúde a eloquência política e suspeita de antevéspera. Não devem faltar transportes aos pacientes. Todo restante é que fica na incógnita moral.
Um bom político tem que ter capacidade de unir e render o menos possível às pressões (chantagens partidárias). Afinal, a farra com as coisas públicas, depois lhe cai na costa e deixa cicatriz feia. Não pode se esvaziar nunca do conteúdo (responsabilidade). E prescindir da instrumentalidade. A técnica é mais que o instrumental e ganha densidade histórica expressiva. O técnico tem que ser político e o político apenas político. Um tem dever de ser ponto de encontro da mediação da macro e micrológica (administrar e opção de como fazer). Outro ter sensibilidade e abranger o Estado. Não se restringir ao possível, mas fazer o desenvolvimento social - desejado.
A perspectiva da saúde pública apenas política não é animadora ao cidadão comum. Parece ser pré-condição para se manter a rede de saúde complexa na ineficiência. Quiçá no dever estranho de saber fazer bem o que não se deve e não pode fazer legalmente. Tal como patrocinar ou fomentar gastos com ambulâncias caras e impróprias (não equipadas). O prêmio atual que tenta obliterar a falha anterior, que se faz governativamente, causa um calafrio. Estarrece. Tal qual desmanchar com os pés o que foi construído com as mãos - calejadas.
O técnico é quem sabe fazer. O saber dos ofícios. São os braços e pensamento produzindo. Essa ideia maravilhosa ficou congelada no governo estadual. Agora se reelabora aqui a noção antiga de não valorar a capacidade técnica e retribuir a camaradagem econômica e política partidária, que utiliza apenas da técnica de retórica, assim como o ilusionista que trapaceia a gente com mãos hábeis e ganha o jogo imediato e perdemos todos nós. A tecnicidade da combalida saúde local situa doravante como um cérebro sem informação. Torna-se um encontro do espaço político e do vazio produzido. Nenhum plano ou ideia inovadora. Tudo tende a ser realizado, se for algo produzido, por cópias, simulações ou experimentações, que não distinguem sequer as sombras e realidades. É, talvez, o pensar apavorante da saúde coletiva (já caótica e sofrida) sem plano estratégico ou lógico-matemático. Nada tem de potencial filosófico ou decidido magnanimamente. Tudo revela um desastre de governo setorial (pré-anunciado).
Há visível defesa minúscula dos interesses partidários e indizíveis. Ação destemperada e de coloração frágil na saúde e com consequências nefastas ao Estado, cuja justificativa mais plausível tão somente pode ser a inconcebível rendição incondicional do vencedor aos vencidos. Algo inacreditável no direito de guerra ou diplomático. Ao povo as batatas e esperanças políticas de ambulâncias ao menos desta vez com colchões. E cintos para amarração técnica dos acidentados ou enfermos. Os apetrechos de oxigênio e cardiológicos e outros depois a gente ajuda a reequipar (por entidades civis filantrópicas) e que a contabilidade pública faça àquelas tradicionais vistas grossas na fiscalização marota. E que o Eterno, ajude a todos no futuro pelas mãos do Ministério Público.
Hélcio Corrêa Gomes é advogado e diretor tesoureiro da Associação dos Advogados Trabalhista de Mato Grosso (Aatramat) e consultor da Comissão Nacional de Direitos Sociais da OAB Federal. E-mail: helciocg@brturbo.com.br
Mato Grosso tinha abandonado o político na gerência da saúde. Os últimos administradores estatais não foram improvisados. Embora, cada qual tivesse sua tecnicidade muita distorção persistiu e ficou para ser corrigida. A população nutria continuidade na gerência técnica. Afinal, a conjugação de esforço com prioridade política com o governador e execução com secretário mais técnico deu certo rumo social e potencialidade - dentro das possibilidades. O atual governador inverteu a regra. Retornou ao passado opaco. Impõe na saúde a eloquência política e suspeita de antevéspera. Não devem faltar transportes aos pacientes. Todo restante é que fica na incógnita moral.
Um bom político tem que ter capacidade de unir e render o menos possível às pressões (chantagens partidárias). Afinal, a farra com as coisas públicas, depois lhe cai na costa e deixa cicatriz feia. Não pode se esvaziar nunca do conteúdo (responsabilidade). E prescindir da instrumentalidade. A técnica é mais que o instrumental e ganha densidade histórica expressiva. O técnico tem que ser político e o político apenas político. Um tem dever de ser ponto de encontro da mediação da macro e micrológica (administrar e opção de como fazer). Outro ter sensibilidade e abranger o Estado. Não se restringir ao possível, mas fazer o desenvolvimento social - desejado.
A perspectiva da saúde pública apenas política não é animadora ao cidadão comum. Parece ser pré-condição para se manter a rede de saúde complexa na ineficiência. Quiçá no dever estranho de saber fazer bem o que não se deve e não pode fazer legalmente. Tal como patrocinar ou fomentar gastos com ambulâncias caras e impróprias (não equipadas). O prêmio atual que tenta obliterar a falha anterior, que se faz governativamente, causa um calafrio. Estarrece. Tal qual desmanchar com os pés o que foi construído com as mãos - calejadas.
O técnico é quem sabe fazer. O saber dos ofícios. São os braços e pensamento produzindo. Essa ideia maravilhosa ficou congelada no governo estadual. Agora se reelabora aqui a noção antiga de não valorar a capacidade técnica e retribuir a camaradagem econômica e política partidária, que utiliza apenas da técnica de retórica, assim como o ilusionista que trapaceia a gente com mãos hábeis e ganha o jogo imediato e perdemos todos nós. A tecnicidade da combalida saúde local situa doravante como um cérebro sem informação. Torna-se um encontro do espaço político e do vazio produzido. Nenhum plano ou ideia inovadora. Tudo tende a ser realizado, se for algo produzido, por cópias, simulações ou experimentações, que não distinguem sequer as sombras e realidades. É, talvez, o pensar apavorante da saúde coletiva (já caótica e sofrida) sem plano estratégico ou lógico-matemático. Nada tem de potencial filosófico ou decidido magnanimamente. Tudo revela um desastre de governo setorial (pré-anunciado).
Há visível defesa minúscula dos interesses partidários e indizíveis. Ação destemperada e de coloração frágil na saúde e com consequências nefastas ao Estado, cuja justificativa mais plausível tão somente pode ser a inconcebível rendição incondicional do vencedor aos vencidos. Algo inacreditável no direito de guerra ou diplomático. Ao povo as batatas e esperanças políticas de ambulâncias ao menos desta vez com colchões. E cintos para amarração técnica dos acidentados ou enfermos. Os apetrechos de oxigênio e cardiológicos e outros depois a gente ajuda a reequipar (por entidades civis filantrópicas) e que a contabilidade pública faça àquelas tradicionais vistas grossas na fiscalização marota. E que o Eterno, ajude a todos no futuro pelas mãos do Ministério Público.
Hélcio Corrêa Gomes é advogado e diretor tesoureiro da Associação dos Advogados Trabalhista de Mato Grosso (Aatramat) e consultor da Comissão Nacional de Direitos Sociais da OAB Federal. E-mail: helciocg@brturbo.com.br
Ficha limpa na Saúde
* Carlos Alberto de Almeida
Iniciamos em 2011 um novo ciclo político e renova-se a indicação de nomes para cargos de confiança. Como presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT) e servidor da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) venho, junto com nossa diretoria, manifestar nosso empenho para que os órgãos federais não fiquem a mercê de políticos que engessam seu funcionamento com corrupção e usam os cargos como trampolim eleitoreiro. Direcionamos nosso olhar principalmente para o Ministério da Saúde, Funasa e Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei’s).
Nós, servidores concursados e sindicalistas, estamos atentos e combativos aos políticos fichas sujas que muito envergonham o nome da Funasa, que tem como trabalho fim o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da população, sobre tudo a indígena. Não temos medos dos partidos que estão no estrelato do cenário nacional e nem dos velhos caciques de Mato Grosso.
Recentemente, o jornal Folha de São Paulo divulgou dados da Controladoria Geral da União (CGU) que estima que os desvios da Funasa cheguem em quase R$ 500 milhões. Vamos combater essas ações e queremos gente que trabalhe e esteja qualificada para gerir uma plataforma que está na frente do saneamento básico e da saúde de nosso povo.
Não dá para acreditar, mas é assim que a Funasa vem sendo maculada. O órgão está sob comando do PMDB desde 2005 e é o principal alvo do partido na guerra por cargos no segundo escalão do governo Dilma. Segundo levantamento feito pela Folha mostra que a CGU pediu a devolução de R$ 488,5 milhões aos cofres da Funasa entre 2007 e 2010. O prejuízo ainda deve subir após novos cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), que atualiza os valores ao julgar cada processo.
De acordo com os relatórios, o dinheiro teria sumido entre convênios irregulares, contratações viciadas e repasses a Estados e prefeituras sem a prestação de contas exigida por lei. A pesquisa somou as quantias cobradas em 948 tomadas de contas especiais instauradas nos últimos quatro anos. As investigações começaram no Ministério da Saúde, ao qual a Funasa é subordinada, e foram referendadas pela CGU.
O volume de irregularidades que se repetem atrasa a tentativa de recuperar o dinheiro, e os processos não têm prazo para ser julgados pelos ministros do TCU. Além das auditorias, balanço feito pela controladoria a pedido da reportagem aponta a existência de 62 processos simultâneos contra a direção da Funasa.
Por esse volume nacional e pelas irregularidades que conhecemos em nossas terras mato-grossenses, vamos ser vigilantes e cobrar que a Funasa tenha a legitimidade e autonomia para que não seja uma instituição “laranja” desses desvios que afrontam a população.
*Carlos Alberto de Almeida é presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT)
Iniciamos em 2011 um novo ciclo político e renova-se a indicação de nomes para cargos de confiança. Como presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT) e servidor da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) venho, junto com nossa diretoria, manifestar nosso empenho para que os órgãos federais não fiquem a mercê de políticos que engessam seu funcionamento com corrupção e usam os cargos como trampolim eleitoreiro. Direcionamos nosso olhar principalmente para o Ministério da Saúde, Funasa e Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei’s).
Nós, servidores concursados e sindicalistas, estamos atentos e combativos aos políticos fichas sujas que muito envergonham o nome da Funasa, que tem como trabalho fim o bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da população, sobre tudo a indígena. Não temos medos dos partidos que estão no estrelato do cenário nacional e nem dos velhos caciques de Mato Grosso.
Recentemente, o jornal Folha de São Paulo divulgou dados da Controladoria Geral da União (CGU) que estima que os desvios da Funasa cheguem em quase R$ 500 milhões. Vamos combater essas ações e queremos gente que trabalhe e esteja qualificada para gerir uma plataforma que está na frente do saneamento básico e da saúde de nosso povo.
Não dá para acreditar, mas é assim que a Funasa vem sendo maculada. O órgão está sob comando do PMDB desde 2005 e é o principal alvo do partido na guerra por cargos no segundo escalão do governo Dilma. Segundo levantamento feito pela Folha mostra que a CGU pediu a devolução de R$ 488,5 milhões aos cofres da Funasa entre 2007 e 2010. O prejuízo ainda deve subir após novos cálculos do TCU (Tribunal de Contas da União), que atualiza os valores ao julgar cada processo.
De acordo com os relatórios, o dinheiro teria sumido entre convênios irregulares, contratações viciadas e repasses a Estados e prefeituras sem a prestação de contas exigida por lei. A pesquisa somou as quantias cobradas em 948 tomadas de contas especiais instauradas nos últimos quatro anos. As investigações começaram no Ministério da Saúde, ao qual a Funasa é subordinada, e foram referendadas pela CGU.
O volume de irregularidades que se repetem atrasa a tentativa de recuperar o dinheiro, e os processos não têm prazo para ser julgados pelos ministros do TCU. Além das auditorias, balanço feito pela controladoria a pedido da reportagem aponta a existência de 62 processos simultâneos contra a direção da Funasa.
Por esse volume nacional e pelas irregularidades que conhecemos em nossas terras mato-grossenses, vamos ser vigilantes e cobrar que a Funasa tenha a legitimidade e autonomia para que não seja uma instituição “laranja” desses desvios que afrontam a população.
*Carlos Alberto de Almeida é presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT)
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A saúde na UTI, o que fazer? - 2
Nesta quinta-feira (13-01), o jornal A Gazeta publica segunda parte do artigo de Nei Moreira, neurologista membro do MSD
Nei Moreira
Os problemas da saúde pública têm solução? Parece-me que sim, mas tem um custo elevado financeira e politicamente. Assim, é necessário um plano de adequação (inclusive expansão) da rede publica para torná-la capaz de suportar a demanda e organizá-la regionalmente, para evitar-se a concentração de pacientes em Cuiabá. Para tal, Cuiabá necessita suporte financeiro dos cofres do Estado e da União, ambos devedores de tal obrigação há muito tempo. Afinal, o "esqueleto" do Hospital Central do Estado assombra a região do CPA há 35 anos pelo menos! Recentemente o governo do Estado decidiu concluí-lo, mas como prédio administrativo para o conforto da burocracia, enquanto o povo fica empilhado nos prontos-socorros de Cuiabá e Várzea Grande. Quando entrará em funcionamento o Hospital Metropolitano de Várzea Grande? Onde está também o prometido Hospital da Criança, prometido de pés juntos por tantos políticos quando candidatos, mas rapidamente esquecido quando eleitos? Onde foram parar as promessas de fazer funcionar uma unidade de alta complexidade com a aquisição de hospitais particulares fechados em nossa cidade? E quando a dengue explodir, o que infelizmente parece inevitável dado a insuficiências das atividades de prevenção, vai-se improvisar novamente "leitos para dengue" em estruturas adaptadas às pressas?
Outro ponto fundamental é a questão de recursos humanos, com a construção de carreiras de estado para profissionais da saúde e a criação de um novo quadro de servidores, remunerando-os condignamente, estipulando metas de produtividade quantitativa e qualitativa, garantindo-se ascensão, progressão e educação continuada, mas em contrapartida controlando-se eficazmente assiduidade, pontualidade, cumprimento de jornada, humanização no atendimento, enfim comprometimento com o serviço público.
A contratação de serviços privados deverá ter caráter complementar como já preconiza o SUS e ser refeita em novas bases contratuais, ajustando-se os patamares de remuneração, mas estabelecendo-se um rígido controle dos procedimentos a serem realizados, incluindo o absoluto controle dos leitos pela Regulação. Esse controle hoje é quase nenhum e os pacientes são internados de acordo com a aceitação (ou não) por parte do hospital contratado. As listas de espera devem ser publicizadas e controladas pelos gestores, usuários, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Ministério Público, Defensoria e outros órgãos controladores.
Obviamente, mudanças desse porte, como já dissemos, terão alto custo financeiro e político. No entanto, se nunca antes na história desse País se gastou tanto com o social, como se alardeia aos quatro cantos, chegou a hora da saúde ter recursos necessários. O desafio é dobrar - repito dobrar - os recursos federal e do estado destinado para a saúde! Pois não vamos gastar bilhões em obras para a Copa do Mundo? Ou o futebol é mais importante que a saúde do nosso povo? O que se gastou demolindo o Verdão e vai se gastar para construir a Arena Pantanal e adequações da "mobilidade urbana" dava e sobrava para fazer as obras necessárias para revolucionar-se a saúde em Cuiabá e Mato Grosso.
Quanto ao ônus político de mudar os atuais paradigmas de trabalho na saúde pode constituir-se em desgaste junto a alguns setores e corporações, mas poderá reverter o atual cenário caótico e beneficiar toda a nossa sociedade. O seu executor tornar-se-á um benfeitor do nosso povo e certamente não será esquecido por ele. Porém, haverá coragem e disposição para isso?
Nei Moreira da Silva é médico neurologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT. Foi secretário estadual de Saúde de Mato Grosso, secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, presidente da Associação Médica de Mato Grosso, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e diretor do Conselho Federal de Medicina
Nei Moreira
Os problemas da saúde pública têm solução? Parece-me que sim, mas tem um custo elevado financeira e politicamente. Assim, é necessário um plano de adequação (inclusive expansão) da rede publica para torná-la capaz de suportar a demanda e organizá-la regionalmente, para evitar-se a concentração de pacientes em Cuiabá. Para tal, Cuiabá necessita suporte financeiro dos cofres do Estado e da União, ambos devedores de tal obrigação há muito tempo. Afinal, o "esqueleto" do Hospital Central do Estado assombra a região do CPA há 35 anos pelo menos! Recentemente o governo do Estado decidiu concluí-lo, mas como prédio administrativo para o conforto da burocracia, enquanto o povo fica empilhado nos prontos-socorros de Cuiabá e Várzea Grande. Quando entrará em funcionamento o Hospital Metropolitano de Várzea Grande? Onde está também o prometido Hospital da Criança, prometido de pés juntos por tantos políticos quando candidatos, mas rapidamente esquecido quando eleitos? Onde foram parar as promessas de fazer funcionar uma unidade de alta complexidade com a aquisição de hospitais particulares fechados em nossa cidade? E quando a dengue explodir, o que infelizmente parece inevitável dado a insuficiências das atividades de prevenção, vai-se improvisar novamente "leitos para dengue" em estruturas adaptadas às pressas?
Outro ponto fundamental é a questão de recursos humanos, com a construção de carreiras de estado para profissionais da saúde e a criação de um novo quadro de servidores, remunerando-os condignamente, estipulando metas de produtividade quantitativa e qualitativa, garantindo-se ascensão, progressão e educação continuada, mas em contrapartida controlando-se eficazmente assiduidade, pontualidade, cumprimento de jornada, humanização no atendimento, enfim comprometimento com o serviço público.
A contratação de serviços privados deverá ter caráter complementar como já preconiza o SUS e ser refeita em novas bases contratuais, ajustando-se os patamares de remuneração, mas estabelecendo-se um rígido controle dos procedimentos a serem realizados, incluindo o absoluto controle dos leitos pela Regulação. Esse controle hoje é quase nenhum e os pacientes são internados de acordo com a aceitação (ou não) por parte do hospital contratado. As listas de espera devem ser publicizadas e controladas pelos gestores, usuários, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Ministério Público, Defensoria e outros órgãos controladores.
Obviamente, mudanças desse porte, como já dissemos, terão alto custo financeiro e político. No entanto, se nunca antes na história desse País se gastou tanto com o social, como se alardeia aos quatro cantos, chegou a hora da saúde ter recursos necessários. O desafio é dobrar - repito dobrar - os recursos federal e do estado destinado para a saúde! Pois não vamos gastar bilhões em obras para a Copa do Mundo? Ou o futebol é mais importante que a saúde do nosso povo? O que se gastou demolindo o Verdão e vai se gastar para construir a Arena Pantanal e adequações da "mobilidade urbana" dava e sobrava para fazer as obras necessárias para revolucionar-se a saúde em Cuiabá e Mato Grosso.
Quanto ao ônus político de mudar os atuais paradigmas de trabalho na saúde pode constituir-se em desgaste junto a alguns setores e corporações, mas poderá reverter o atual cenário caótico e beneficiar toda a nossa sociedade. O seu executor tornar-se-á um benfeitor do nosso povo e certamente não será esquecido por ele. Porém, haverá coragem e disposição para isso?
Nei Moreira da Silva é médico neurologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT. Foi secretário estadual de Saúde de Mato Grosso, secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, presidente da Associação Médica de Mato Grosso, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e diretor do Conselho Federal de Medicina
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Prefeito de Cuiabá anuncia mais de mil demissões na Saúde e Ação Social
A informacao está no jornal Folha do Estado desta quarta-feira, 12 de janeiro de 2.011.
Silnara Alvares
O prefeito Chico Galindo anunciou demissões para cerca de mil funcionários que atuam na área da Saúde e de Assistência Social de Cuiabá. Conforme o prefeito as demissões serão feitas como forma de corte no orçamento e serão realizadas, de fato, após a entrega de relatórios com o número de funcionários e as respectivas funções dessas pessoas em cada unidade de saúde da cidade.
A Secretaria Municipal de Saúde possui, no total, 2.984 funcionários prestadores de serviços, não concursados, que incluem médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
De acordo com o prefeito, no próximo sábado, dia 15 de janeiro, a administração do Pronto-Socorro de Cuiabá deve entregar o relatório à prefeitura (lotacionograma) da unidade. Em posse do documento será realizado uma análise para verificar a possibilidade demissões naquela unidade.
Ele afirmou que o temor quanto ao caos na saúde pública é desnecessário, já que não haverá demissões de médicos. “Mas se o Pronto-Socorro comprovar, por exemplo, que existe uma falta de pessoal, aí vamos ter que contratar ao invés de demitir”, ponderou.
Galindo admitiu que esta não é uma boa notícia para a cidade, mas garante que os serviços não serão prejudicados por causa das demissões que devem ocorrer ainda este ano. As principais demissões devem ocorrer nos serviços gerais das unidades. “É um processo de readequação. E garanto que não haverá prejuízos no atendimento”, afirmou. Galindo afirmou que em alguns Postos de Saúde da Família, PSF, existem quatro auxiliares de enfermagem trabalhando, neste caso, um profissional seria demitido.
ASSISTÊNCIA SOCIAL
As demissões, segundo ele, atingiram, principalmente, as áreas de Saúde e de Assistências Social que possuem grande parte dos contratos temporários do município.
O prefeito não especificou quantos servidores de cada pasta deverão ter os contratos cancelados pela gestão.
Silnara Alvares
O prefeito Chico Galindo anunciou demissões para cerca de mil funcionários que atuam na área da Saúde e de Assistência Social de Cuiabá. Conforme o prefeito as demissões serão feitas como forma de corte no orçamento e serão realizadas, de fato, após a entrega de relatórios com o número de funcionários e as respectivas funções dessas pessoas em cada unidade de saúde da cidade.
A Secretaria Municipal de Saúde possui, no total, 2.984 funcionários prestadores de serviços, não concursados, que incluem médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
De acordo com o prefeito, no próximo sábado, dia 15 de janeiro, a administração do Pronto-Socorro de Cuiabá deve entregar o relatório à prefeitura (lotacionograma) da unidade. Em posse do documento será realizado uma análise para verificar a possibilidade demissões naquela unidade.
Ele afirmou que o temor quanto ao caos na saúde pública é desnecessário, já que não haverá demissões de médicos. “Mas se o Pronto-Socorro comprovar, por exemplo, que existe uma falta de pessoal, aí vamos ter que contratar ao invés de demitir”, ponderou.
Galindo admitiu que esta não é uma boa notícia para a cidade, mas garante que os serviços não serão prejudicados por causa das demissões que devem ocorrer ainda este ano. As principais demissões devem ocorrer nos serviços gerais das unidades. “É um processo de readequação. E garanto que não haverá prejuízos no atendimento”, afirmou. Galindo afirmou que em alguns Postos de Saúde da Família, PSF, existem quatro auxiliares de enfermagem trabalhando, neste caso, um profissional seria demitido.
ASSISTÊNCIA SOCIAL
As demissões, segundo ele, atingiram, principalmente, as áreas de Saúde e de Assistências Social que possuem grande parte dos contratos temporários do município.
O prefeito não especificou quantos servidores de cada pasta deverão ter os contratos cancelados pela gestão.
A saúde na UTI, o que fazer? - Parte 1
O jornal A Gazeta publica hoje (12-01) artigo assinado pelo neurologista Nei Moreira, membro da Comissão Executiva Provisória do MSD
Nei Moreira da Silva
A virada do ano sempre traz para todos nós a esperança de que as coisas melhorem. Esta passagem de 2010 para 2011 teve uma dose maior de expectativas devido às mudanças de governo federal e dos estados, ainda que, em sua maioria, os cenários políticos permaneçam os mesmos.
Em Cuiabá, terminamos 2010 com mais um registro trágico de ineficiência de nosso sistema de saúde, com a morte de cinco recém-nascidos em 15 dias na UTI neonatal do Pronto-Socorro de nossa cidade. Inúmeros veículos de comunicação registraram o fato e o jornal A Gazeta, em editorial abordando essa longa crise que atinge o setor saúde em Mato Grosso, questionou: "o que falta para resolver este problema crônico?". Trata-se de uma pergunta cuja resposta aparenta ser fácil na teoria, mas que na hora de se por em prática as medidas necessárias à correção dos vícios existentes, as soluções pretendidas tem desafiado sucessivos gestores, não só do município, mas também das esferas estadual e federal, independente de seu matiz ideológico ou partidário.
O Sistema Único de Saúde é baseado em princípios que fundamentalmente significam respeito à pessoa humana e representa um enorme avanço que toda a sociedade deve defender. No entanto, o que se assiste de há muito é uma permanente e grave crise focada notadamente na assistência médica, em especial de média e alta complexidade, pois é onde o impacto das carências é mais diretamente sentido pelo cidadão, materializadas nas longas esperas para conseguir consultas e exames especializados e de vagas para internações, especialmente para cirurgias. São as famosas "filas da morte", com por vezes são chamadas. Tais "filas" surgem do descompasso entre, de um lado, o constante e progressivo aumento da demanda por atendimento, e de outro lado a insuficiente oferta de serviços pelo SUS, que em nosso meio não dispõem de uma rede pública própria com dimensão, qualidade e capacidade de produção de serviços capazes de suprir as necessidades da população.
Além disso, a produtividade dessas unidades é muito baixa, devido, entre outros fatores, aos salários ofertados aos seus profissionais, muito aquém do pretendido, especialmente pelos médicos especialistas. Dessa forma, eles não são atraídos para trabalhar no setor público, preferindo atuar no setor privado, onde tem maiores ganhos e não são submetidos a mecanismos de controle. Some-se a isso graves problemas gerenciais que fazem com que os custos da rede pública sejam habitualmente muito elevados, com o dinheiro esvaindo-se pelos conhecidos ralos de desperdício, corrupção, ineficiência e gestões politiqueiras amadoristas e pouco comprometidas com a supremacia do interesse público.
Não dispondo de rede própria, só resta ao SUS contratar serviços da rede privada, que é o modelo atualmente prevalente em nosso Estado, cujos resultados insatisfatórios são os que agora observamos. Essa relação entre SUS e prestadores privados sempre foi tormentosa, pois os valores de remuneração dos serviços prestados são historicamente apontados pelos empresários como insuficientes queixando-se eles ainda dos mecanismos de controle impostos pelo SUS ("excessivos", no seu dizer). Do lado dos gestores públicos, as queixas também são permanentes, acusando os hospitais contratados de praticarem seleção de pacientes (os casos mais graves são de difícil aceitação pelos hospitais, pois tem maiores custos) e da prática de diversas irregularidades especialmente nas cobranças. Enfim, de lado a lado as queixas se sucedem e se avolumam.
Nei Moreira da Silva é médico neurologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT. Foi secretário estadual de Saúde de Mato Grosso, secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, presidente da Associação Médica de Mato Grosso, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e diretor do Conselho Federal de Medicina
Nei Moreira da Silva
A virada do ano sempre traz para todos nós a esperança de que as coisas melhorem. Esta passagem de 2010 para 2011 teve uma dose maior de expectativas devido às mudanças de governo federal e dos estados, ainda que, em sua maioria, os cenários políticos permaneçam os mesmos.
Em Cuiabá, terminamos 2010 com mais um registro trágico de ineficiência de nosso sistema de saúde, com a morte de cinco recém-nascidos em 15 dias na UTI neonatal do Pronto-Socorro de nossa cidade. Inúmeros veículos de comunicação registraram o fato e o jornal A Gazeta, em editorial abordando essa longa crise que atinge o setor saúde em Mato Grosso, questionou: "o que falta para resolver este problema crônico?". Trata-se de uma pergunta cuja resposta aparenta ser fácil na teoria, mas que na hora de se por em prática as medidas necessárias à correção dos vícios existentes, as soluções pretendidas tem desafiado sucessivos gestores, não só do município, mas também das esferas estadual e federal, independente de seu matiz ideológico ou partidário.
O Sistema Único de Saúde é baseado em princípios que fundamentalmente significam respeito à pessoa humana e representa um enorme avanço que toda a sociedade deve defender. No entanto, o que se assiste de há muito é uma permanente e grave crise focada notadamente na assistência médica, em especial de média e alta complexidade, pois é onde o impacto das carências é mais diretamente sentido pelo cidadão, materializadas nas longas esperas para conseguir consultas e exames especializados e de vagas para internações, especialmente para cirurgias. São as famosas "filas da morte", com por vezes são chamadas. Tais "filas" surgem do descompasso entre, de um lado, o constante e progressivo aumento da demanda por atendimento, e de outro lado a insuficiente oferta de serviços pelo SUS, que em nosso meio não dispõem de uma rede pública própria com dimensão, qualidade e capacidade de produção de serviços capazes de suprir as necessidades da população.
Além disso, a produtividade dessas unidades é muito baixa, devido, entre outros fatores, aos salários ofertados aos seus profissionais, muito aquém do pretendido, especialmente pelos médicos especialistas. Dessa forma, eles não são atraídos para trabalhar no setor público, preferindo atuar no setor privado, onde tem maiores ganhos e não são submetidos a mecanismos de controle. Some-se a isso graves problemas gerenciais que fazem com que os custos da rede pública sejam habitualmente muito elevados, com o dinheiro esvaindo-se pelos conhecidos ralos de desperdício, corrupção, ineficiência e gestões politiqueiras amadoristas e pouco comprometidas com a supremacia do interesse público.
Não dispondo de rede própria, só resta ao SUS contratar serviços da rede privada, que é o modelo atualmente prevalente em nosso Estado, cujos resultados insatisfatórios são os que agora observamos. Essa relação entre SUS e prestadores privados sempre foi tormentosa, pois os valores de remuneração dos serviços prestados são historicamente apontados pelos empresários como insuficientes queixando-se eles ainda dos mecanismos de controle impostos pelo SUS ("excessivos", no seu dizer). Do lado dos gestores públicos, as queixas também são permanentes, acusando os hospitais contratados de praticarem seleção de pacientes (os casos mais graves são de difícil aceitação pelos hospitais, pois tem maiores custos) e da prática de diversas irregularidades especialmente nas cobranças. Enfim, de lado a lado as queixas se sucedem e se avolumam.
Nei Moreira da Silva é médico neurologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UFMT. Foi secretário estadual de Saúde de Mato Grosso, secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, presidente da Associação Médica de Mato Grosso, do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso e diretor do Conselho Federal de Medicina
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
SAÚDE NA UTI. O QUE FAZER?
A virada do ano sempre traz para todos nós a esperança de que as coisas melhorem. Esta passagem de 2010 para 2011 teve uma dose maior de expectativas devido as mudanças de governo federal e dos estados, ainda que, em sua maioria, os cenários políticos permaneçam os mesmos.
Em Cuiabá terminamos 2010 com mais um registro trágico de ineficiência de nosso sistema de saúde, com a morte de 5 recém-nascidos em 15 dias na UTI neonatal do Pronto-Socorro de nossa cidade. Inúmeros veículos de comunicação registraram o fato e um deles, em editorial abordando essa longa crise que atinge o setor saúde em Mato Grosso, questionou; “o que falta para resolver este problema crônico?”. Trata-se de uma pergunta cuja resposta aparenta ser fácil na teoria, mas que na hora de se por em prática as medidas necessárias à correção dos vícios existentes, as soluções pretendidas tem desafiado sucessivos gestores, não só do município mas também das esferas estadual e federal , independente de seu matiz ideológico ou partidário.
O Sistema Único de Saúde é baseado em princípios que fundamentalmente significam respeito à pessoa humana e representa um enorme avanço que toda a sociedade deve defender. Assim, no SUS todos incondicionalmente e não apenas alguns, têm direito a serem beneficiados por ações de promoção, prevenção e assistência, devendo ser atendidos em todas suas necessidades, variando desde uma simples orientação em uma unidade básica até um procedimento de alta complexidade e elevado custo em um hospital especializado.
No entanto, o que se assiste de há muito é uma permanente e grave crise focada notadamente na assistência médica , em especial de média e alta complexidade, pois é onde o impacto das carências é mais diretamente sentido pelo cidadão , materializadas nas longas esperas para conseguir consultas e exames especializados e de vagas para internações , especialmente para cirurgias. São as famosas “ filas da morte”, com por vezes são chamadas. Tais “filas” surgem do descompasso entre, de um lado, o constante e progressivo aumento da demanda por atendimento, motivado por vários fatores, tais como o crescimento da população, a ineficácia das políticas de promoção e prevenção e da atenção básica, o aumento da violência urbana, etc, e de outro lado a insuficiente oferta de serviços pelo SUS, que em nosso meio não dispõem de uma rede pública própria com dimensão, qualidade e capacidade de produção de serviços capazes de suprir as necessidades da população. As que existem são habitualmente acanhadas e desprovidas de equipamentos e de profissionais em quantidade adequadas , especialmente em determinadas especialidades .
Além disso, a produtividade dessas unidades é muito baixa, devido, entre outros fatores, aos salários ofertados aos seus profissionais , muito aquém do pretendido, especialmente pelos médicos especialistas. Dessa forma, eles não são atraídos para trabalhar no setor público, preferindo atuar no setor privado, onde tem maiores ganhos e não são submetidos a mecanismos de controle, mesmo aos atuais, sabidamente frágeis quanto a assiduidade, pontualidade e humanização no atendimento. Tentar controlar isso é “mexer em vespeiro” e recentemente foi causa de sérios confrontos em Cuiabá . Some-se a isso graves problemas gerenciais que fazem com que os custos da rede pública sejam habitualmente muito elevados, com o dinheiro esvaindo-se pelos conhecidos ralos de desperdício, corrupção, ineficiência e gestões politiqueiras amadoristas e pouco comprometidas com a supremacia do interesse público. Basta olhar o cenário dos Hospitais Regionais do Estado para entender o que se passa !!!
Não dispondo de rede própria, só resta ao SUS contratar serviços da rede privada, que é o modelo atualmente prevalente em nosso Estado, cujos resultados insatisfatórios são os que agora observamos . Essa relação entre SUS e prestadores privados sempre foi tormentosa, pois os valores de remuneração dos serviços prestados são historicamente apontados pelos empresários como insuficientes queixando-se eles ainda dos mecanismos de controle impostos pelo SUS (“excessivos”, no seu dizer ). Do lado dos gestores públicos, as queixas também são permanentes, acusando os hospitais contratados de praticarem seleção de pacientes (os casos mais graves são de difícil aceitação pelos hospitais pois tem maiores custos ) e da prática de diversas irregularidades especialmente nas cobranças . Enfim, de lado a lado as queixas se sucedem e se avolumam.
Tais problemas têm solução? Parece-me que sim, mas tem um custo elevado financeira e politicamente.
Assim, é necessário construir um plano de adequação (inclusive expansão) da rede publica para torná-la capaz de suportar a demanda e organizá-la regionalmente, para evitar-se a concentração de pacientes em Cuiabá. A capital tem o dever de além de atender sua própria demanda, servir de referencia estadual e macrorregional para os casos de alta complexidade, pois a interiorização de profissionais de muitas especialidades ainda é incipiente em nosso Estado. Para tal, Cuiabá necessita suporte financeiro dos cofres do Estado e da União, ambos devedores de tal obrigação há muito tempo. Afinal, o “esqueleto” do Hospital Central do Estado assombra a região do CPA há 35 anos pelo menos !!! Recentemente o governo do Estado decidiu concluí-lo, mas como prédio administrativo para o conforto da burocracia, enquanto o povo fica empilhado nos Pronto - Socorros de Cuiabá e Várzea Grande. Quando entrará em funcionamento o Hospital Metropolitano de Várzea Grande? Espera-se que não tenha o mesmo fim do Hospital Central !!!! Onde está também o prometido Hospital da Criança, jurado de pés juntos por tantos políticos quando candidatos, mas rapidamente esquecido pelos eleitos, após os primeiros estudos sobre as despesas de seu custeio? Onde foram parar as promessas de fazer funcionar uma unidade de alta complexidade com a aquisição de hospitais particulares fechados em nossa cidade ? E quando a dengue explodir, o que infelizmente parece inevitável dado a insuficiências das atividades de prevenção, vai-se improvisar novamente “leitos para dengue” em estruturas adaptadas às pressas?
Outro ponto fundamental é a questão de recursos humanos, com a construção de carreiras de estado para profissionais da saúde e a criação de um novo quadro de servidores , remunerando-os condignamente, estipulando metas de produtividade quantitativa e qualitativa, garantindo-se ascensão, progressão e educação continuada mas em contrapartida controlando-se eficazmente assiduidade, pontualidade, cumprimento de jornada, humanização no atendimento, enfim comprometimento com o serviço público.
A contratação de serviços privados deverá ter caráter complementar como já preconiza o SUS e ser refeita em novas bases contratuais, ajustando-se os patamares de remuneração mas estabelecendo-se um rígido controle dos procedimentos a serem realizados, incluindo o absoluto controle dos leitos pela Regulação. Esse controle hoje é quase nenhum e os pacientes são internados de acordo com a aceitação (ou não) por parte do hospital contratado. As listas de espera devem ser publicizadas e controladas pelos gestores, usuários, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Ministério Público , Defensoria e outros órgãos controladores.
Obviamente, mudanças desse porte, como já dissemos, terão alto custo financeiro e político. No entanto, se nunca antes na história desse País se gastou tanto com o social, como se alardeia aos quatro cantos, chegou a hora da saúde ter recursos necessários. O desafio é dobrar – repito DOBRAR – os recursos federal e do estado destinado para a saúde!!!! Pois não vamos gastar bilhões em obras para a Copa do Mundo? Ou o futebol é mais importante que a saúde do nosso povo???? O que se gastou demolindo o Verdão e vai se gastar para construir a Arena Pantanal e adequações da “mobilidade urbana”, dava e sobrava para fazer as obras necessárias para revolucionar-se a saúde em Cuiabá e Mato Grosso.
Quanto ao ônus político de mudar os atuais paradigmas de trabalho na saúde, pode constituir-se em desgaste junto a alguns setores e corporações, mas poderá reverter o atual cenário caótico e beneficiar toda a nossa sociedade. O seu executor tornar-se-á um benfeitor do nosso povo e certamente não será esquecido por ele. Porém, haverá coragem e disposição para isso?
Em Cuiabá terminamos 2010 com mais um registro trágico de ineficiência de nosso sistema de saúde, com a morte de 5 recém-nascidos em 15 dias na UTI neonatal do Pronto-Socorro de nossa cidade. Inúmeros veículos de comunicação registraram o fato e um deles, em editorial abordando essa longa crise que atinge o setor saúde em Mato Grosso, questionou; “o que falta para resolver este problema crônico?”. Trata-se de uma pergunta cuja resposta aparenta ser fácil na teoria, mas que na hora de se por em prática as medidas necessárias à correção dos vícios existentes, as soluções pretendidas tem desafiado sucessivos gestores, não só do município mas também das esferas estadual e federal , independente de seu matiz ideológico ou partidário.
O Sistema Único de Saúde é baseado em princípios que fundamentalmente significam respeito à pessoa humana e representa um enorme avanço que toda a sociedade deve defender. Assim, no SUS todos incondicionalmente e não apenas alguns, têm direito a serem beneficiados por ações de promoção, prevenção e assistência, devendo ser atendidos em todas suas necessidades, variando desde uma simples orientação em uma unidade básica até um procedimento de alta complexidade e elevado custo em um hospital especializado.
No entanto, o que se assiste de há muito é uma permanente e grave crise focada notadamente na assistência médica , em especial de média e alta complexidade, pois é onde o impacto das carências é mais diretamente sentido pelo cidadão , materializadas nas longas esperas para conseguir consultas e exames especializados e de vagas para internações , especialmente para cirurgias. São as famosas “ filas da morte”, com por vezes são chamadas. Tais “filas” surgem do descompasso entre, de um lado, o constante e progressivo aumento da demanda por atendimento, motivado por vários fatores, tais como o crescimento da população, a ineficácia das políticas de promoção e prevenção e da atenção básica, o aumento da violência urbana, etc, e de outro lado a insuficiente oferta de serviços pelo SUS, que em nosso meio não dispõem de uma rede pública própria com dimensão, qualidade e capacidade de produção de serviços capazes de suprir as necessidades da população. As que existem são habitualmente acanhadas e desprovidas de equipamentos e de profissionais em quantidade adequadas , especialmente em determinadas especialidades .
Além disso, a produtividade dessas unidades é muito baixa, devido, entre outros fatores, aos salários ofertados aos seus profissionais , muito aquém do pretendido, especialmente pelos médicos especialistas. Dessa forma, eles não são atraídos para trabalhar no setor público, preferindo atuar no setor privado, onde tem maiores ganhos e não são submetidos a mecanismos de controle, mesmo aos atuais, sabidamente frágeis quanto a assiduidade, pontualidade e humanização no atendimento. Tentar controlar isso é “mexer em vespeiro” e recentemente foi causa de sérios confrontos em Cuiabá . Some-se a isso graves problemas gerenciais que fazem com que os custos da rede pública sejam habitualmente muito elevados, com o dinheiro esvaindo-se pelos conhecidos ralos de desperdício, corrupção, ineficiência e gestões politiqueiras amadoristas e pouco comprometidas com a supremacia do interesse público. Basta olhar o cenário dos Hospitais Regionais do Estado para entender o que se passa !!!
Não dispondo de rede própria, só resta ao SUS contratar serviços da rede privada, que é o modelo atualmente prevalente em nosso Estado, cujos resultados insatisfatórios são os que agora observamos . Essa relação entre SUS e prestadores privados sempre foi tormentosa, pois os valores de remuneração dos serviços prestados são historicamente apontados pelos empresários como insuficientes queixando-se eles ainda dos mecanismos de controle impostos pelo SUS (“excessivos”, no seu dizer ). Do lado dos gestores públicos, as queixas também são permanentes, acusando os hospitais contratados de praticarem seleção de pacientes (os casos mais graves são de difícil aceitação pelos hospitais pois tem maiores custos ) e da prática de diversas irregularidades especialmente nas cobranças . Enfim, de lado a lado as queixas se sucedem e se avolumam.
Tais problemas têm solução? Parece-me que sim, mas tem um custo elevado financeira e politicamente.
Assim, é necessário construir um plano de adequação (inclusive expansão) da rede publica para torná-la capaz de suportar a demanda e organizá-la regionalmente, para evitar-se a concentração de pacientes em Cuiabá. A capital tem o dever de além de atender sua própria demanda, servir de referencia estadual e macrorregional para os casos de alta complexidade, pois a interiorização de profissionais de muitas especialidades ainda é incipiente em nosso Estado. Para tal, Cuiabá necessita suporte financeiro dos cofres do Estado e da União, ambos devedores de tal obrigação há muito tempo. Afinal, o “esqueleto” do Hospital Central do Estado assombra a região do CPA há 35 anos pelo menos !!! Recentemente o governo do Estado decidiu concluí-lo, mas como prédio administrativo para o conforto da burocracia, enquanto o povo fica empilhado nos Pronto - Socorros de Cuiabá e Várzea Grande. Quando entrará em funcionamento o Hospital Metropolitano de Várzea Grande? Espera-se que não tenha o mesmo fim do Hospital Central !!!! Onde está também o prometido Hospital da Criança, jurado de pés juntos por tantos políticos quando candidatos, mas rapidamente esquecido pelos eleitos, após os primeiros estudos sobre as despesas de seu custeio? Onde foram parar as promessas de fazer funcionar uma unidade de alta complexidade com a aquisição de hospitais particulares fechados em nossa cidade ? E quando a dengue explodir, o que infelizmente parece inevitável dado a insuficiências das atividades de prevenção, vai-se improvisar novamente “leitos para dengue” em estruturas adaptadas às pressas?
Outro ponto fundamental é a questão de recursos humanos, com a construção de carreiras de estado para profissionais da saúde e a criação de um novo quadro de servidores , remunerando-os condignamente, estipulando metas de produtividade quantitativa e qualitativa, garantindo-se ascensão, progressão e educação continuada mas em contrapartida controlando-se eficazmente assiduidade, pontualidade, cumprimento de jornada, humanização no atendimento, enfim comprometimento com o serviço público.
A contratação de serviços privados deverá ter caráter complementar como já preconiza o SUS e ser refeita em novas bases contratuais, ajustando-se os patamares de remuneração mas estabelecendo-se um rígido controle dos procedimentos a serem realizados, incluindo o absoluto controle dos leitos pela Regulação. Esse controle hoje é quase nenhum e os pacientes são internados de acordo com a aceitação (ou não) por parte do hospital contratado. As listas de espera devem ser publicizadas e controladas pelos gestores, usuários, Conselhos Estadual e Municipais de Saúde, Ministério Público , Defensoria e outros órgãos controladores.
Obviamente, mudanças desse porte, como já dissemos, terão alto custo financeiro e político. No entanto, se nunca antes na história desse País se gastou tanto com o social, como se alardeia aos quatro cantos, chegou a hora da saúde ter recursos necessários. O desafio é dobrar – repito DOBRAR – os recursos federal e do estado destinado para a saúde!!!! Pois não vamos gastar bilhões em obras para a Copa do Mundo? Ou o futebol é mais importante que a saúde do nosso povo???? O que se gastou demolindo o Verdão e vai se gastar para construir a Arena Pantanal e adequações da “mobilidade urbana”, dava e sobrava para fazer as obras necessárias para revolucionar-se a saúde em Cuiabá e Mato Grosso.
Quanto ao ônus político de mudar os atuais paradigmas de trabalho na saúde, pode constituir-se em desgaste junto a alguns setores e corporações, mas poderá reverter o atual cenário caótico e beneficiar toda a nossa sociedade. O seu executor tornar-se-á um benfeitor do nosso povo e certamente não será esquecido por ele. Porém, haverá coragem e disposição para isso?
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