terça-feira, 7 de junho de 2011

Comes e bebes de médicos na calada da noite

Aconteceu ontem (06/06), em pleno segunda-feira à noite, na residência de um dos proprietários do Hospital Santa Rosa, o médico José Ricardo, uma reunião de profissionais de medicina animada por um “regabofe de grife”, com as melhores marcas uísque e os mais sofisticados canapés. Lá se encontraram os mais bem sucedidos e melhores médicos de Cuiabá para ouvir o secretário Pedro Henry, da Princesinha do Paraguai.

“De fora” também o secretário Pires, da Secretaria de Saúde de Cuiabá, paulista de tchapa e cruz. Representantes das entidades médicas (CRM, Associação Médica e Sindimed) e lideranças como o médico derrotado nas eleições da Unimed e servidor público de Cuiabá, Luiz Menechino, e o recém-formado dr. Riva, filho do deputado, e, segundo fontes que não querem se identificar, já um próspero empresário da medicina, além dos médicos e doublés de deputados Wallace e Guilherme Maluf (oposição ao PSDB).

O pano de fundo da “animada” reunião era para oportunizar ao secretário de Estado da Saúde explicar as “vantaaaagen$$$” das suas suspeitas Organizações Sanguessugas (OSs), pedir apoio às mesmas e, sobretudo, pregar a união da classe que, segundo ele, precisa ser reconhecida pela sociedade como “competente” para assumir cargos públicos do SUS e comandar a saúde pública.

Foi um sucesso a reunião. O ponto dissonante para alguns presentes foi que tanto Henry como Maluf deixaram muito claro que os seus respectivos mandatos eleitorais foram conquistados sem o apoio da “classe médica”. Escorregaram na maionese holandesa pensando alto em como servir ao povo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Judiciário volta a "barrar" Henry; juiz suspende edital para contratar OS

RD NEWS/Andréa Haddad

Por indícios de irregularidades, a Justiça Estadual determinou a suspensão do chamamento público convocado pela secretaria estadual de Saúde (SES), Pedro Henry (PP), para selecionar a empresa sem fim lucrativo com interesse em gerenciar a Central de Abastecimento de Insumos da Saúde (Ceadis) da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF). A decisão foi proferida na última terça (31), pelo juiz auxiliar da segunda Vara Especializada de Fazenda Pública, Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, em caráter liminar.

A medida foi tomada após a empresa R.V Consult Transportes e Logística Ltda ingressar com mandado de segurança, com pedido de liminar, contra Henry e a presidente da Comissão de Licitação da SES, Karen Rubin. A defesa alega que, ao participar da concorrência, “verificou que o objeto da licitação não correspondia com o serviço de fato requisitado pelo Órgão Licitante, bem como, traz requisitos incompatíveis com a legislação vigente”.

No pedido, a defesa também aponta que apresentou pedido de impugnação do edital no prazo, mas recebeu a resposta após o período estipulado, de 24 horas. “Véspera da abertura das propostas-, deixando de analisar as verdadeiras razões da impugnação, sob argumento de faltar-lhe validade jurídica, vez que não houve identificação do nome e dados de seu representante legal”, sustenta.

A empresa aponta para a ilegalidade do edital sob o argumento de que a modalidade de licitação estipulada é inexistente, não prevista na Lei 8.666/93. Também alegou que as exigências restringem de forma injustificada a participação de entidades interessadas no certame por direcioná-lo à instituições sem fins lucrativos.

O magistrado acatou o pedido de liminar por entender que o edital restringe a participação de concorrentes. “No caso sob análise, direcionar a licitação apenas as instituições sem fins lucrativos, sendo que o processo licitatório tem como finalidade buscar a proposta mais vantajosa ao interesse público, aparentemente refoge dos princípios que norteiam o certame, em especial o da isonomia, o que termina por restringir a participação de concorrentes”, aponta.

Ao final, ele determina a nulidade do edital. “Assim sendo, sem adentrar a questão da inadequação ou não do procedimento adotado para a licitação, por vislumbrar restrição à participação de pessoas jurídicas, sem qualquer justificação plausível, implicando em restrição a competitividade, tem-se que o edital impugnado inquina para o reconhecimento de nulidade”, despachou.

Clínica Bariátrica aparece em declaração de bens e até no Facebook de Pedro Henry


Página pessoal de Pedro Henry no Facebook faz propaganda da línica Hperbárica Santa Rosa.

Laura Petraglia/Olhar Direto

 
A declaração de bens do secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry (PP), entregue à Justiça Eleitoral, contradiz com a afirmação dele de que a clínica Hiperbárica Santa Rosa pertencia à sobrinha. De acordo com os documentos entregues, a empresa está avaliado em R$ 252 mil e o gestor possui quotas de capital da câmara hiperbáarica que funciona dentro do Hospital.

Henry havia sido denunciado pelo presidente do Sindicato dos Profissionais da Enfermagem (Sinpen), Dejamir Soares, de ter beneficiado o Hospital Santa Rosa, do que qual seria sócio, no entanto, o secretário desmentiu o fato, em entrvista coletiva, e alegou que a clínica pertencia à sobrinha dele.

Pedro Henry também havia informado que quando assumiu a SES assinou ato de suspensão de contrato do Estado com ela, para não caracterizar beneficiamento. A declaração de bens do secretário é pública e pode ser conferida por meio no site do TSE.

Questionado sobre a declaração de bens em entrevista ao Olhar Direto, o secretário alegou que a empresa está listada em sua declaração ao TSE, pois é casado em regime de comunhão total de bens, e que na verdade a esposa dele é quem é sócia da sobrinha.

“Está na minha declaração pelo regime de comunhão de bens em que sou casado. Tudo que é da minha esposa é meu e tudo que é meu é dela, mas na verdade é ela quem é a sócia, não eu. Se estão vasculhando a minha vida é sinal que eu estou incomodando e fico feliz por isso. Minha declaração é aberta, afinal sou um homem público e não tenho nada a esconder”, rechaçou ele.

Terrenos

Outro fato que chama a atenção nas declarações de bens de Henry é a existência de terrenos de quase mil metros quadrados, nas cidades de Mirassol do Oeste e Cáceres, no valor de R$ 16 e R$ 352.

Sobre isso o secretário alega que como os lotes foram adquiridos há mais de 30 anos, não foi feita atualização monetária na declaração e por conta disso, os valores declarados ainda foram os valores pagos na época.

Locadora recolhe 33 veículos da Secretaria de Saúde de Cuiabá. Serviços estão parados e caos é inevitável

Deu no Blog da Sandra Carvalho

A Locadora Quality recolheu os 33 veículos que aluga para a Secretaria de Saúde de Cuiabá (SMS) por falta de pagamento. São carros utilizados em serviços como fiscalização da Vigilância Sanitária, distribuição de vacinas para todos os postos de saúde da Capital, além dos serviços administrativos. O pátio da SMS amanheceu vazio e inúmeros motoristas estão de braços cruzados.
Só veículos de funcionários hoje no pátio da SMS.
A Quality foi contratada em 2008 para locar uma frota de veículos e vinha prestando serviços no valor mensal de R$  33,6 mil para a Secretaria de Saúde de Cuiabá. Ou seja, menos de 1 mil reais por mês por cada veículo. Este sistema de locação reduziu os custos com manutenção da frota, serviço que fica a cargo da locadora.

Apenas as ambulâncias foram adquiridas pela SMS e que já estão praticamente sucateadas. Algumas policlínicas tem ficado por várias semanas sem o veículo, penalizando diretamente os usuários do SUS.

Este problema parece comprovar denúncia do ex-secretário de saúde do município, Luiz Soares que alertou para a má gestão do dinheiro público nos últimos três meses e que estaria resultando no atraso do pagamento dos hospitais da rede contratada e de diversos prestadores de serviço, a começar pela empresa que limpa os terrenos das unidades de saúde.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Efeito OSS atinge rede de hospitais - 2

Publicado no jornal A Gazeta

Júlio Müller Neto

Vimos em artigo anterior que o SUS está subfinanciado e que as OSS propostas como solução mágica não fazem milagres e podem gerar mais despesas que resultados. Até mesmo porque não resolvem os problemas reais que afligem a assistência médico-hospitalar pública de nossa população e aumentarão a precariedade dos vínculos empregatícios dos trabalhadores e profissionais de saúde pública, gerando mais instabilidade no sistema. A solução de aumentar o valor da tabela do SUS em até 300% é outro tiro no pé: ou se faz para toda a rede hospitalar contratada, e aí os custos com internação se tornam impagáveis, ou o sistema fica ingovernável. É por essa razão que no SUS a definição dos valores da tabela é realizada pelo gestor federal, pelo Ministério da Saúde. E é também pela mesma razão que não se aumenta o valor da tabela do SUS em Cuiabá sem aumentar em Várzea Grande e nos demais municípios. A título de exemplo: há alguns anos, quando o município de Cuiabá aumentou o valor da tabela para o parto, diminuíram dramaticamente os nascimentos em Várzea Grande.

Pergunta-se: o que pensarão os dirigentes dos hospitais filantrópicos quando confirmarem a informação oficiosa de que a Secretaria Estadual de Saúde "assumiu" a gestão do Hospital São João Batista, de Diamantino, em dezembro próximo passado, e estabeleceu um contrato de gestão com a Fundação São Camilo no valor de 380.000,00/mês, quando o faturamento mensal do hospital era em torno de 70.000,00/mês? Se o governo estadual tinha recursos financeiros disponíveis, por que permitiu o desabastecimento dos seus hospitais regionais e não transferiu recursos suficientes para os municípios tocarem seus hospitais e unidades de urgência como em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças e do Bugres, Alta Floresta e Água Boa, entre outros? E por que não aumentou os valores pagos aos hospitais contratados pelo SUS, a maioria deles parceiros de longa data do SUS? E se não tem os recursos financeiros suficientes para cobrir estas novas despesas, como honrará seus compromissos?

Retomando, quais seriam os problemas reais da rede hospitalar pública? Podemos relacionar alguns, além do subfinanciamento: faltam leitos hospitalares; política de saúde equivocada; inexistência de uma rede integrada de serviços; má gestão da coisa pública. Hoje trataremos apenas da falta de leitos públicos.

Há quase um consenso na sociedade mato-grossense que faltam leitos hospitalares na capital e em Várzea Grande. Leitos hospitalares públicos, bem entendido, e não leitos hospitalares privados que não atendam aos usuários do SUS. Cuiabá é a única capital brasileira que não tem um hospital de clínicas público e estadual. Aqui mesmo na região temos o Hospital Rosa Pedrossian, em Campo Grande, e o HUGO, em Goiânia, entre outros estabelecimentos. O governo estadual não cumpre o dever de casa mais elementar que é garantir o atendimento da população vinda do interior em busca de assistência especializada hospitalar, com serviços próprios e de qualidade. É necessário retomar os investimentos para a construção de novas unidades hospitalares. Está à vista de todos o esqueleto do Hospital Central a assinalar a falta de compromisso da gestão estadual com a saúde pública. O projeto de construção do Hospital da Criança, ao lado do Hospital Central, foi engavetado nos últimos nove anos. O Hospital Metropolitano em Várzea Grande, que seria o hospital da Baixada Cuiabana, não mais faz jus ao nome, reduzido a menos da metade dos leitos planejados (200 leitos) e transformado em hospital de baixa resolubilidade, adequado a municípios de pequeno porte. Os hospitais privados adquiridos pela Secretaria de Saúde do Estado para resolver os problemas (de quem?) nunca mais funcionaram como hospitais ou até mesmo como serviços ambulatoriais mais especializados. A construção de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não resolve o problema da carência de leitos na capital que já possui cinco policlínicas com a mesma finalidade.

E as novas instalações do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM)? No passo em que andam as providências talvez fique pronto para a Copa do Mundo, mas a de 2064. Desde 2007 existe uma emenda da bancada parlamentar de MT e, passados quatro anos, não se fez a licitação da obra e não há previsão de quando se fará. Parece que a obra não é prioridade do Ministério da Educação, que ainda não transferiu os recursos financeiros para a UFMT. A questão é mais grave quando se sabe que um dos pontos principais que pesou a favor de Cuiabá, quando escolhida para uma das sedes da Copa do Mundo, foi o compromisso assumido de ter o novo hospital universitário pronto para o evento. A menos que a comunidade universitária e a sociedade mato-grossense se mobilizem a favor do hospital, já podemos antecipar um dos perdedores da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá: a saúde pública de Mato Grosso e o ensino das profissões de saúde.

Júlio Müller Neto é médico-sanitarista e professor do ISC/UFMT. E-mail: jmullerneto@gmail.com


Efeito OSS atinge rede de hospitais - 2

Publicado no jornal A Gazeta

Júlio Müller Neto

Vimos em artigo anterior que o SUS está subfinanciado e que as OSS propostas como solução mágica não fazem milagres e podem gerar mais despesas que resultados. Até mesmo porque não resolvem os problemas reais que afligem a assistência médico-hospitalar pública de nossa população e aumentarão a precariedade dos vínculos empregatícios dos trabalhadores e profissionais de saúde pública, gerando mais instabilidade no sistema. A solução de aumentar o valor da tabela do SUS em até 300% é outro tiro no pé: ou se faz para toda a rede hospitalar contratada, e aí os custos com internação se tornam impagáveis, ou o sistema fica ingovernável. É por essa razão que no SUS a definição dos valores da tabela é realizada pelo gestor federal, pelo Ministério da Saúde. E é também pela mesma razão que não se aumenta o valor da tabela do SUS em Cuiabá sem aumentar em Várzea Grande e nos demais municípios. A título de exemplo: há alguns anos, quando o município de Cuiabá aumentou o valor da tabela para o parto, diminuíram dramaticamente os nascimentos em Várzea Grande.

Pergunta-se: o que pensarão os dirigentes dos hospitais filantrópicos quando confirmarem a informação oficiosa de que a Secretaria Estadual de Saúde "assumiu" a gestão do Hospital São João Batista, de Diamantino, em dezembro próximo passado, e estabeleceu um contrato de gestão com a Fundação São Camilo no valor de 380.000,00/mês, quando o faturamento mensal do hospital era em torno de 70.000,00/mês? Se o governo estadual tinha recursos financeiros disponíveis, por que permitiu o desabastecimento dos seus hospitais regionais e não transferiu recursos suficientes para os municípios tocarem seus hospitais e unidades de urgência como em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Barra do Garças e do Bugres, Alta Floresta e Água Boa, entre outros? E por que não aumentou os valores pagos aos hospitais contratados pelo SUS, a maioria deles parceiros de longa data do SUS? E se não tem os recursos financeiros suficientes para cobrir estas novas despesas, como honrará seus compromissos?

Retomando, quais seriam os problemas reais da rede hospitalar pública? Podemos relacionar alguns, além do subfinanciamento: faltam leitos hospitalares; política de saúde equivocada; inexistência de uma rede integrada de serviços; má gestão da coisa pública. Hoje trataremos apenas da falta de leitos públicos.

Há quase um consenso na sociedade mato-grossense que faltam leitos hospitalares na capital e em Várzea Grande. Leitos hospitalares públicos, bem entendido, e não leitos hospitalares privados que não atendam aos usuários do SUS. Cuiabá é a única capital brasileira que não tem um hospital de clínicas público e estadual. Aqui mesmo na região temos o Hospital Rosa Pedrossian, em Campo Grande, e o HUGO, em Goiânia, entre outros estabelecimentos. O governo estadual não cumpre o dever de casa mais elementar que é garantir o atendimento da população vinda do interior em busca de assistência especializada hospitalar, com serviços próprios e de qualidade. É necessário retomar os investimentos para a construção de novas unidades hospitalares. Está à vista de todos o esqueleto do Hospital Central a assinalar a falta de compromisso da gestão estadual com a saúde pública. O projeto de construção do Hospital da Criança, ao lado do Hospital Central, foi engavetado nos últimos nove anos. O Hospital Metropolitano em Várzea Grande, que seria o hospital da Baixada Cuiabana, não mais faz jus ao nome, reduzido a menos da metade dos leitos planejados (200 leitos) e transformado em hospital de baixa resolubilidade, adequado a municípios de pequeno porte. Os hospitais privados adquiridos pela Secretaria de Saúde do Estado para resolver os problemas (de quem?) nunca mais funcionaram como hospitais ou até mesmo como serviços ambulatoriais mais especializados. A construção de duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não resolve o problema da carência de leitos na capital que já possui cinco policlínicas com a mesma finalidade.

E as novas instalações do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM)? No passo em que andam as providências talvez fique pronto para a Copa do Mundo, mas a de 2064. Desde 2007 existe uma emenda da bancada parlamentar de MT e, passados quatro anos, não se fez a licitação da obra e não há previsão de quando se fará. Parece que a obra não é prioridade do Ministério da Educação, que ainda não transferiu os recursos financeiros para a UFMT. A questão é mais grave quando se sabe que um dos pontos principais que pesou a favor de Cuiabá, quando escolhida para uma das sedes da Copa do Mundo, foi o compromisso assumido de ter o novo hospital universitário pronto para o evento. A menos que a comunidade universitária e a sociedade mato-grossense se mobilizem a favor do hospital, já podemos antecipar um dos perdedores da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá: a saúde pública de Mato Grosso e o ensino das profissões de saúde.

Júlio Müller Neto é médico-sanitarista e professor do ISC/UFMT. E-mail: jmullerneto@gmail.com


quarta-feira, 1 de junho de 2011

O efeito OSS atinge rede de hospitais - 1

Julio Müller Neto

O governo estadual finalmente reconhece que o maior problema da assistência médico-hospitalar do SUS, hoje, é o subfinanciamento ao declarar que pagará 300% da tabela do SUS para contratar as organizações sociais (OSS). Em artigos anteriores já havíamos assinalado o problema do financiamento como a principal causa das dificuldades que afligem os usuários do SUS necessitados de cuidados hospitalares.

Entretanto, a solução não é apenas aumentar o valor da tabela do SUS para as organizações sociais, porque ao conceder 300% às OSS surgem novos conflitos com hospitais filantrópicos e privados que prestam serviços ao SUS. Como não conceder os mesmos valores à Santa Casa, por exemplo, tradicional parceira do sistema público de saúde? E o Hospital Geral, o Santa Helena, a Santa Casa de Rondonópolis, o São Luís de Cáceres, o Santo Antônio de Sinop? E os mais de 20 hospitais públicos municipais, como os prontos-socorros de Cuiabá e Várzea Grande, que permanecem com as portas abertas porque hoje são financiados com muita dificuldade por suas respectivas prefeituras. Ou serão "atendidos" apenas alguns hospitais filantrópicos e/ou municipais e outros não?

Uma opção para não paralisar a rede hospitalar contratada e conveniada seria aumentar os custos hospitalares do SUS estadual em 300%, com recursos próprios da receita estadual. Considerando que em 2010 o Ministério da Saúde repassou 142 milhões para as internações hospitalares em Mato Grosso, em 2011 o governo estadual desembolsaria mais 426 milhões de seu próprio orçamento, além dos recursos federais transferidos. Se esta era a solução para diminuir os custos dos hospitais públicos estaduais (cinco hospitais regionais), a emenda sairá muito mais cara que o soneto.

Mas o gasto público em saúde será ainda maior, pois os trabalhadores e profissionais de saúde concursados e lotados nos hospitais públicos a serem transformados em organizações sociais, que não forem aproveitados ou que não quiserem se sujeitar a trabalhar para as OSS, continuarão sendo pagos pelo governo estadual. De quanto será o gasto?

E o apregoado milagre das OSS, será verdadeiro ou será mais uma promessa vazia, tal qual a filosofia do Dr. Pangloss? Vejamos o exemplo tantas vezes repetido de São Paulo. Não há dúvida de que no estado de São Paulo temos o melhor sistema de assistência médico-hospitalar pública do Brasil. Mas esta condição decorre da existência de uma rede constituída por 50 hospitais públicos estaduais sob regime de administração direta, 450 hospitais filantrópicos e um terço dos hospitais universitários do país. O governo paulista emprega em torno de 70.000 servidores públicos na área da saúde e o orçamento da pasta é equivalente ao orçamento de todo o estado de Mato Grosso. Os hospitais públicos transferidos para a gestão das organizações sociais não passam de 20, todos novos hospitais, com exceção de um. Conclusão: o peso das OSS no conjunto da assistência médico-hospitalar no estado de São Paulo é menor que 5%. Portanto, atribuir às OSS os bons resultados do sistema público paulista é mistificação pura e simples.

Finalmente, resta o argumento da maior eficiência das organizações sociais na gestão dos hospitais públicos. Uma tese de doutorado recente analisa implantação do modelo de OSS. O trabalho, intitulado "Organizações Sociais de Saúde do estado de São Paulo: inserção privada no SUS e gestão financeira do modelo pela Secretaria de Estado da Saúde" (disponível em http://observasaude.fundap.sp.gov.br/BibliotecaPortal/Acervo/Tese%20Final.pdf ), teve como objetivo discutir as questões referentes aos modelos centrados na administração privada de unidades de saúde no âmbito do SUS. Segundo a pesquisadora, a economista da Fundap Maria Luiza Levi Pahim "os resultados sugerem que o governo do Estado de São Paulo não foi capaz de criar uma lógica de controle financeiro por resultados. O modelo opera em condições bastante flexíveis, com custos crescentes e prejuízos para sua gestão econômico-financeira por parte do estado. O estudo também demonstra as fragilidades do controle estadual dos preços pagos pelos serviços prestados pelas OSS. Os gastos com o modelo OSS integram o grupo de despesas que ganharam mais espaço no orçamento da saúde desde 2002". Para ela, embora não tenha sido o foco do estudo, "os achados sugerem que possíveis melhorias de desempenho destas unidades se justifiquem pelas suas melhores condições de operação se comparados às unidades geridas diretamente pelo estado".

Finalmente, eficiência não pode ser o único valor a ser considerado em uma organização pública. Os campos de concentração nazistas e as atuais organizações do crime organizado são modelos de eficiência. E sua finalidade? Tão importantes quanto a eficiência são outros valores como a equidade e os valores democráticos e éticos. Uma das maiores finalidades de uma organização pública é a defesa e a promoção da cidadania.

Julio S. Müller Neto é médico-sanitarista e professor do ISC/UFMT. E-mail: jmullerneto@gmail.com

sexta-feira, 27 de maio de 2011

MSD questiona moral de Pedro Henry ao desqualificar quem o acusa



Cada vez fica mais consistente a interpretação de que essa piora acentuada da assistência médica em Cuiabá ocorrida nos últimos meses seja intencional para justificar a adoção de medidas dessa natureza : contratos emergenciais com preços muito acima da tabela do SUS beneficiando determinadas instituições hospitalares que ao longo da história sempre rejeitaram o SUS.

Curiosamente, o hospital beneficiado é o Santa Rosa, de propriedade do deputado estadual  Maluf, ex-secretário de saúde de Cuiabá, e onde o atual secretário estadual deputado federal  Pedro Henry trabalhou e mantém um empresa  de  prestação de  assistência médica, que ele alega ser de uma sobrinha .

A respeito disso vai um pequeno texto da jornalista Joanna de Assis sobre uma frase muito usada:  “À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”

A frase original surgiu após um escândalo em Roma, por volta de 60 a.C., envolvendo o homem mais poderoso do mundo, sua mulher e um nobre pretendente.

Pompéia vivia muito sozinha, enquanto o marido Júlio César passava meses com seus exércitos. É nesse cenário perfeito para as fofocas que surge Clódio, um nobre admirador da moça. “Numa noite, para conseguir se aproximar de Pompéia, ele entrou no palácio disfarçado, mas acabou se perdendo pelos corredores e sendo descoberto e preso”, diz a historiadora Maria Luiza Corassin, da Universidade de São Paulo.

O jovem foi levado ao tribunal e o próprio César convocado para prestar esclarecimentos. “Ele declarou ignorar o que se dizia sobre sua mulher e a julgou inocente”, afirma Maria Luiza. O penetra foi absolvido, mas Pompéia não se livrou do ostracismo e do repúdio do marido. Para quem o acusava de estar sendo contraditório, ao defender a mulher no tribunal e condená-la em casa, ele teria afirmado: “Não basta que a mulher de César seja honrada, é preciso que sequer seja suspeita”.

A estratégia de defesa do secretário Pedro Henry ante o indefensável é a velha tática de, sem ter argumentos de mérito a seu favor, tentar desqualificar  quem o  acusa.  Assim,  o presidente do SINPEN estaria divulgando tais fatos como tema de  campanha eleitoral . Ou seja, o errado não é “fazer a maracutaia”  e sim  “ falar da maracutaia”. Que moral tem o deputado Pedro Henry para fazer tais considerações se ele sempre pautou suas campanhas eleitorais por assim proceder? O que ele tem que fazer é provar que as acusações são falsas . Vais ser difícil, conforme se vê abaixo:

por lara campos, em 27/05/2011 às 06:25

Sr. Pedro Henry, o Senhor está chamando a população de burra? Como é que o Senhor diz que não é sócio, nem tem cotas, se na sua relação de bens junto a Justiça Eleitoral de 2010, estão suas cotas capitais, no valor aproximado de R$ 230.000? É só entrar no site do TRE. Já foram transferidas para outro? Vendidas tenho certeza que não foram. Então, por favor não nos coloque em uma vala comum. Eu te conheço de outros carnavais.....

SES pagará 10 vezes mais por cirurgia ortopédica ao Hospital Santa Rosa

            Publicado no Diário de Cuiabá

Por meio de um convênio assinado no último dia 10 deste mês e publicado três dias depois, no Diário Oficial, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) vai pagar 10 vezes mais o valor da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) ao Hospital Santa Rosa (privado) para realização de cirurgias ortopédicas de pacientes do Hospital de Rondonópolis. A denúncia foi feita ontem pelas diretorias dos sindicatos dos Médicos (Sindimed) e de Enfermagem (Sinpen). 
Segundo o presidente do Sinpen, Dejamir Souza Soares, o preço pago para outras unidades hospitalares conveniadas para o mesmo procedimento é de R$ 1.500 cada. “O que está sendo pago ao Santa Rosa gira em torno de R$ 11.500 (sete vezes superior)”, afirmou.

De acordo com o contrato (013/2011), considerado dispensa emergencial e válido por 90 dias, o valor a ser pago ao Santa Rosa são exatos R$ 2.363.344.75. Todo esse montante, conforme o presidente do Sindimed, Edinaldo Lemos, para a realização de aproximadamente 200 cirurgias ortopédicas. A denúncia é de que haveria favorecimento à unidade, pois o secretário de Saúde, Pedro Henry, seria um dos sócios da empresa hospitalar.

As informações foram repassadas ontem pelos dois sindicatos durante coletiva para falar sobre a suspensão da greve nos serviços de saúde da Capital.

A assessoria de imprensa da Saúde informou que Henry retornava ainda ontem à tarde de São Paulo e assim que chegasse responderia a acusação (ver matéria). De antemão, informou que o convênio foi firmado atendendo decisão judicial.

Além disso, o Santa Rosa também conta com a capacidade instalada necessária para atender a demanda de Rondonópolis. A assessoria negou favorecimento e disse que o contrato da família do secretário para manter a clínica Hiperbarica, no subsolo do Santa Rosa, foi desfeito assim que Henry assumiu a pasta.  (Joanice de Deus)

 
Secretário vê motivação política de categoria

O secretário estadual de Saúde, Pedro Henry, contra-atacou ainda ontem as declarações do presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem (Sinpen), Dejamir Soares, em entrevista coletiva convocada para o fim da tarde. Ele negou que estaria se favorecendo, na suposta condição de sócio, do contrato celebrado pelo Estado com o hospital privado Santa Rosa a fim de atender pacientes ortopédicos em Rondonópolis. Henry se disse “surpreso” com as afirmações. “O tempo de crescer em cima de denúncias inconsequentes já passou”, ironizou.

Henry sugeriu que, com as críticas desferidas no mesmo dia contra ele, Soares estaria tentando se utilizar da atual crise na Saúde em prol de sua campanha para prefeito no interior do Estado. Além de ataques à gestão, Henry afirmou que Soares o atacou no lado pessoal, o que ele pretende discutir no âmbito judicial. Sobre o Santa Rosa, Henry afirmou que uma sobrinha mantém no hospital a clínica Hiperbárica, onde inclusive ele mesmo já trabalhou. Entretanto, não haveria relação de sociedade com a administração. “Não tem aqui nenhum privilégio. Não sou sócio de nada, não tomei atitude pensando no meu ego”.

O hospital privado firmou contrato com a SES para executar 200 cirurgias ortopédicas de pacientes de Rondonópolis. Até agora, foram realizadas 22 e o hospital será pago a medida em que forem cumpridos os procedimentos. Os valores firmados, o secretário explicou, foram os que a SES conseguiu pagar em caráter emergencial e os únicos com os quais o Estado conseguiu convencer alguma unidade privada a operar. Porém, o contrato com o Santa Rosa foi apresentado a todas as demais unidades, que agora estudam a possibilidade de mudar de ideia. (Renê Dioz)



Publicado no jornal A Gazeta

Contrato firmado pela SES é alvo de denúncia

O Sindicato dos Profissionais de Enfermagem (Sinpen) acusa o secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry, de privilegiar a contratação do Hospital Santa Rosa para a realização de 200 cirurgias ortopédicas de pacientes do Hospital Geral de Rondonópolis e de pagar por elas preço 10 vezes acima da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente do Sinpen, Dejamir Soares, afirma que o secretário pagará cerca de R$ 11, 5 mil por cirurgias que normalmente são realizadas por R$ 1,5 mil em hospitais conveniados. Dejamir ressalta que o Hospital Santa Rosa nunca realizou cirurgias ortopédicas pelo SUS e questiona o motivo que teria levado Henry a firmar contrato com a unidade. Para o sindicalista, a contratação teria sido motivada por interesses pessoais, já que, segundo ele, Henry seria sócio do hospital. "Existem hospitais particulares em Rondonópolis que poderiam operar esses pacientes baseando-se nos preços da tabela SUS".

A contratação do Hospital Santa Rosa foi publicada no Diário Oficial que circulou no dia 13 de maio de 2011. O governo do Estado pagará quase R$ 2,4 milhões para que o hospital atenda os 200 pacientes em um período de 3 meses.

Ontem, Dejamir Soares chegou a afirmar que iria apresentar a denúncia oficialmente ao Ministério Público Estadual (MPE), mas, no fim da tarde recuou da decisão e afirmou que, por ora, vai "deixar pra lá o assunto". Ele alegou que mudou de ideia porque o governador Silval Barbosa agendou uma reunião com a categoria para a próxima segunda-feira (30) para discutir a possibilidade da construção de um Hospital Regional com 1 mil leitos na Capital. "Vou focar na questão do hospital".

Outro lado - Em entrevista coletiva concedida à imprensa, o secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry, afirmou que a contratação do Hospital Santa Rosa foi feita em caráter de emergência para atender a uma determinação do Ministério Público Estadual. Segundo ele, o MPE determinou que o Estado contratasse um hospital para realizar as cirurgias que deixaram de ser feitas no município em virtude do pedido de demissão em massa dos ortopedistas. O secretário afirma que convocou todos os hospitais particulares da Capital para discutir propostas, mas apenas o Santa Rosa teria aceitado as condições da secretaria. Além do Santa Rosa, o Jardim Cuiabá também já sinalizou que aceita as condições, e, segundo Henry, o processo para contratação da unidade deverá ser efetivado ainda esta semana. O hospital deverá realizar uma média de 20 cirurgias/mês.

O secretário disse ainda que os valores pagos serão baseados na tabela de preços cobrados pela Unimed, que, segundo ele, seguem a tabela da Associação Médica Brasileira (CBHPM) e não são 10 vezes superiores à tabela SUS, como afirmou o Sinpen.

Pedro Henry admitiu que a contratação dos 2 hospitais não serão suficientes para atender à demanda e disse que irá buscar parceria com outros que tiverem interesse em realizar os serviços e aceitarem a proposta da SES
Cidades


Secretário levanta fatos políticos
O secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry, acusou o presidente do Sinpen, Dejamir Soares, de ter feito as denúncias com base em interesses políticos e de estar aproveitando a situação para se promover. "Sei que ele tem pretensão de disputar a prefeitura de um município de Mato Grosso e lamento que tenha escolhido subsídios como esse para aparecer".
O secretário disse que o sindicalista nunca procurou a secretaria para apresentar qualquer reivindicação ou proposta.
Henry também acusou os médicos ortopedistas de Rondonópolis de estarem promovendo um boicote contra a secretaria. Ele afirmou que alguns dos profissionais que pediram demissão têm vencimentos na ordem de R$ 20 mil mensais e não teriam motivos para exigir aumento de salário. "A iniciativa foi uma retaliação por eu não ter aceitado conceder a eles um aumento maior do que o que foi dado aos servidores do Estado". O secretário classificou a atitude dos profissionais como "uma forma de pressão mesquinha", já que, na prática, eles não estariam demonstrando comprometimento com a população.
MPE - O promotor do Ministério Público Estadual de Rondonópolis, Ari Madeira, estranhou a atitude do presidente do Sinpen de ter recuado da ideia de apresentar denúncia contra a Secretaria de Estado de Saúde. "Se eles recuaram, ou é porque descobriram que estão errados, ou estão prevaricando".
Ari Madeira foi o responsável pelo pedido de contratação de hospitais particulares para atender os pacientes de Rondonópolis. Na ação judicial, o Ministério Público pede que as cirurgias sejam feitas com base nos valores previstos na tabela da Associação Médica Brasileira (CBHPM). Após tomar conhecimento das denúncias apresentadas pelo Sinpen, o promotor disse esperar que o sindicato avalie em detalhes as informações e valores previstos no contrato firmado com o Hospital Santa Rosa para constatar se há ou não irregularidades. Havendo comprovação, o promotor adianta que o MPE irá investigar.


Publicado no site Olhar Direto

Henry diz que sindicalista busca promoção para ser candidato

O secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry (PP), assumiu ter uma ligação com o Hospital Santa Rosa, por meio de uma sobrinha que possui uma clínica no prédio, mas negou ser sócio da unidade e acusou o presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem (Sinpen), Dejamir Soares, de querer se aparecer às suas custas.

O secretário também prometeu mover uma ação judicial contra Soares. “Vou fazer uma representação contra ele e ele terá que provar o que está falando de mim”, afirmou Henry em coletiva à imprensa na tarde desta quinta-feira (26).

Para Henry, Dejamir está fazendo as acusações para se promover porque pretende ser candidato a prefeito de uma cidade do interior em 2012, mas não citou o nome do município. “Ele tem interesse de ser candidato a prefeito em algum município. É lamentável que um líder sindical precise disso para ganhar notoriedade”, disparou.

Na manhã de hoje, o sindicalista informou que encaminharia uma denúncia contra o secretário para o Ministério Público Estadual (MPE) devido ao convênio feito entre a pasta e o Hospital Santa Rosa. De acordo com o presidente do sindicato, o Fundo Estadual de Saúde pagará R$ 2.363,344,75 para realizar 200 cirurgias de pacientes oriundos do Hospital Regional de Rondonópolis.

O contrato foi firmado com dispensa de licitação e saiu no Diário Oficial do Estado, que circulou no dia 13 de maio. O custo de cada cirurgia sairá por 11,8 mil, dez vezes mais do que o valor da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) para remuneração de cirurgias ortopédicas.

O secretário disse que teve de firmar convênio com o Santa Rosa em caráter emergencial, dispensando licitação, para atender a demanda criada pela demissão em massa dos ortopedistas de Rondonópolis e uma decisão judicial que determinou que a Secretaria de Saúde mantivesse o atendimento dos pacientes.

Segundo Henry, não há excesso nos valores, que serão pagos de acordo com a tabela da Unimed. No entanto, o secretário reconhece que o hospital não atenderá a demanda e promete que na próxima semana, o hospital Jardim Cuiabá também realizará as cirurgias em convênio com o Estado ainda a ser firmado. (Lucas Bólico e Alinne Marques)

A saúde à beira da falência


Faz cerca de uma semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou relatório anual com dados sobre a saúde no mundo, entre eles os investimentos no setor por país. Lamentavelmente, a despeito de possuir, em teoria, um modelo vanguardista, o Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil fez papel vergonhoso. Entre as 192 nações avaliadas, ocupou a medíocre 151º posição.

Só para ter uma idéia da gravidade da situação, aqui, a parcela do orçamento reservada à saúde é de 6%. A média africana, região extremamente mais pobre e com incontáveis problemas sociais, é de 9,6%.

Fato é que, em termos de financiamento, o Brasil está muito distante de países em que o acesso à saúde é, na prática, universal, integral, um direito de todos os cidadãos. No Reino Unido, 86% são de recursos públicos. Na Suécia, investe-se 85%. Na Dinamarca, Alemanha e França as destinações são, respectivamente, de 83%,76% e 75%.

Óbvio que temos que nos indignar, além de nos preocupar e alarmar, ao ver que ficamos somente à frente de nações como Angola, Paquistão e outras de menor expressão no mapa geopolítico-econômico do planeta. Um país que nos dias de hoje vai firmando-se realmente como emergente, especialmente no que tange à solidez de suas finanças, não pode jamais ostentar índice tão insignificante num indicador de respeito e compromisso social, como a saúde.

Não vale aqui jogar pedra em uns ou em outros, pois historicamente já perdemos tempo demais com isso. Certo é que existem soluções para o problema; uma delas passa pela regulamentação da Emenda Constitucional 29, e a conseqüente definição legal de quanto municípios, estados e governo federal devem aplicar no setor. Com a regulação da EC 29, também serão estabelecidos quais podem ser considerados investimentos em saúde, impedindo assim desvios e o não-comprometimento orçamentário.

Parada há uma década no Congresso Nacional, a Emenda 29 parece não ter inimigos. Todos os partidos e políticos a defendem, assim como 100% dos agentes da saúde. No entanto, nunca é votada.

Temos então de descobrir quais são os opositores ocultos de sua regulação e denunciá-los publicamente para as devidas providências. São pessoas que contribuem para a discriminação social.

Cabe aqui uma chamada à responsabilidade aos mandatários dos três níveis. É hora de assumir uma postura cívica e mostrar a que vieram, liberando imediatamente suas bancadas para aprovar a Emenda 29. O Brasil não pode mais esperar, nossa saúde está na UTI e o prognóstico é sombrio.

Antônio Carlos Lopes é presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica e diretor da Escola Paulista de Medicina/Unifesp. Contato: chicodamaso@uol.com.br

TCE e despesas médicas de Ary

  Ary Leite de Campos, que saiu do TCE e emplacou o filho Campos Neto na cadeira vitalícia, conseguiu esta semana, junto ao próprio Tribunal, ressarcimento de despesas médicas de R$ 28,8 mil. Para deferir o pedido, o relator do processo Valter Albano se baseou na Lei 4.964/85 e na Lei Complementar 269/2007 e ainda no parecer da consultoria-geral do TCE, do qual é presidente. Ex-deputado, Ary Leite enfrenta problemas de saúde. Já se submeteu a duas cirurgias. Ele recebe mais de R$ 30 mil mensais de aposentadoria, incluindo os R$ 22 mil como ex-conselheiro e mais a pensão pelo extinto FAP da Assembleia.


COMENTÁRIO DO MSD:


Esse deve ser o mundo maravilhoso em que o Prefeito Galindo vive .... azar de quem mora em Mato Grosso, em Cuiabá ... viva a “Chicolândia” ..


Será que isso é moral, mesmo se for legal ? Será que os demais cidadãos poderiam consultar médicos de sua confiança, por sua livre – escolha, nos melhores hospitais e depois pedir ressarcimento ao SUS ?


Êta TCE generoso esse  ....

Galindo nega crise na saúde

Publicado no jornal A Gazeta

O prefeito Chico Galindo (PTB) afirma não existir crise na saúde pública de Cuiabá, apesar das várias críticas feitas nos últimos dias até mesmo por aliados da administração. A afirmação foi feita durante reunião com os vereadores na Câmara Municipal, onde ele apresentou um balanço das obras realizadas recentemente pelo Executivo e admitiu que deverá trocar secretários a partir dos próximos dias.

Ao falar da saúde, Galindo alegou que o setor não enfrenta crise porque teria apenas problemas comuns à grande parte das cidades brasileiras. Cuiabá, no entanto, foi notícia no país inteiro depois que vieram a público imagens do Pronto Socorro Municipal (PSMC) mostrando pacientes no chão, além de faltarem remédios e condições de higiene.

Para piorar a situação, as imagens do PSMC foram feitas depois de médicos e servidores terem sido denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) por supostamente cobrar propina para atender através do Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Saúde também já teve 7 secretários nos últimos dias e a escolha do paulista Antônio Pires gerou forte reação até mesmo de aliados, que alegam desconhecimento da realidade local por parte do gestor. Já Galindo o respalda com argumento de que ele já havia trabalhado em Cuiabá e conhece sim os problemas do setor, além de ter experiência e conhecimento da área.

Durante a conversa com os vereadores, Galindo garantiu que atualmente nenhum paciente é atendido no chão do PSMC e a pasta já melhorou nos últimos 30 dias. "Não há crise. Houve sim um certo exagero por parte de algumas pessoas. Reconheço que temos problemas, mas isso não é uma exclusividade de Cuiabá".

Em relação à troca de secretários, Galindo não adiantou nomes mesmo com os rumores de que Silvio Fidélis deve trocar o IPDU pela Secretaria de Governo em substituição da Lamartine Godoy. Garante que as mudanças podem se estender para outros setores, mas diz que só tratará disso após o retorno de Coimbra, em Portugal, onde participará a partir de 20 de junho de um encontro mundial sobre economia.

COMENTÁRIO DO MSD:


 Lastimável a posição do prefeito. Parece que a adjetivação recebida por ele recentemente como divulgado na mídia é realmente justa. Ele merece a reprovação  de cerca de 70% da população como demonstram algumas enquetes recentes em nossa cidade. Tentar negar a realidade da total falência da saúde pública em Cuiabá  demonstra várias possibilidades :

1.    Retardo  mental sendo incapaz de compreender a realidade em toda sua dimensão;

2.    Negar a realidade e criar  e viver em um mundo fantasioso, irreal, o que sugere doença delirante – alucinatória.

3.    Desvalorizar as pessoas que utilizam a rede pública de saúde e diariamente são submetidas a total incompetência de sua gestão.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Após anúncio, Pires "recua" sobre estadualização do Pronto-Socorro


Após o prefeito Chico Galindo (PTB) ter declarado que passaria o comando do Hospital e Pronto-Socorro de Cuiabá ao Estado e que o governador Silval Barbosa (PMDB), ao aceitar a missão, indicou que a unidade, assim como as demais do Estado, seriam operacionalizadas por Organizações Sociais de Saúde (OSS), o secretário municipal de Cuiabá, Antonio Pires, declarou que o município ainda não bateu o martelo sobre a situação do HPSMC.


“Não se sabe ainda se será estadualizado, federalizado ou comandado por OSS”, declarou Pires nesta segunda (23) em reunião com o Conselho Municipal de Saúde, que já tinha aprovado a estadualização, mas recuou da decisão ao saber que seria implantado, na unidade, o modelo de gestão proposto pelo secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry (PP).


De acordo com o secretário, uma comissão formada por Estado e prefeitura é quem vai realmente definir o modelo de gestão do HPSMC. Ele adianta, contudo, que o município deverá manter a responsabilidade sobre todo o recurso humano da unidade. “Estamos discutindo porque temos necessidades de recursos adicionais”, explicou.


Pires ressalta que não é contra nem a favor a gestão por meio de OSSs. “Existem experiências positivas e negativas. Eu me preocupo com os mecanismos de fiscalização desse modelo de gestão”, ponderou. Conforme o secretário, a OS é propriedade da Nação e não são controladas pelos Estados.


Ele ainda pontua que a secretaria de Saúde de Cuiabá mantém cinco contratos com OS, como o Hospital Santa Helena, por exemplo, que atua em parceria para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e que, nestes casos, os contratos são avaliados por meio de metas físicas. “Os recursos só são passados mediante o cumprimento das metas”, concluiu. (Sissy Cambuim)COMENTÁRIO DO MSD:




- O que não falta na Secretaria Municipal de Sáude é isso : “ não sei de nada “.

Nova investigação no Pronto Pronto Socorro


Matéria do jornal A Gazeta Digital

A nova direção do Pronto-Socorro de Cuiabá vai investigar a ocorrência de falhas assistenciais cometidas pelas equipes plantonistas que estariam contribuindo com a superlotação da unidade. Entre elas está o não cumprimento das escalas.


Nos últimos 7 dias, os 4 médicos que assumiram a direção fizeram um "pente fino" no box de emergência e nas alas de internação para levantar os principais problemas e constataram que além da precária estrutura, falhas no atendimento aos pacientes estariam contribuindo com o caos que assolou a unidade.


Durante o trabalho, vários pacientes foram identificados na ala de internação sem diagnóstico e à espera de exames. Muitos receberam alta ou foram transferidos para outros hospitais. Nesta quarta-feira, nenhuma pessoa estava sem leito e os corredores vazios.


O diretor geral Ronaldo Marcelo Taques, médico intensivista lotado há 15 anos no PS, declarou que será realizado um diagnóstico do número de profissionais que estão escalados nos plantões e se é suficiente para atender a demanda. "Temos que saber se faltam profissionais ou se os profissionais estão faltando e não cumprindo suas escalas".


Atualmente, o Pronto-Socorro de Cuiabá possui um quadro de 1,4 mil funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes e administrativo. Somente no corpo clínico, existem 340 profissionais.


Entre as falhas estruturais estão a falta de equipamentos, manutenção e a necessidade da abertura imediata de 3 centros cirúrgicos e 2 leitos de UTI adulto que estão fechados.


Rotatividade - O diretor técnico e médico Douglas Saldanha explicou que é preciso dar rotatividade aos pacientes que chegam à unidade. "Se eles ficam na ala amarela por mais de 48 horas e não conseguem vagas em UTIs ou nos hospitais conveniados para fazer as cirurgias necessárias, vão continuar ocupando os leitos e não teremos para onde levar os pacientes que chegam ao box de emergência".


Situação que, conforme ele, resultou na superlotação da ala nos últimos dias, quando o espaço equipado para 5 leitos era ocupado por 20, sem nenhuma condição de atendimento.


Para que esta rotatividade seja possível sem necessidade de mutirões, a nova direção quer organizar cada setor. Assim que o paciente der entrada e ser diagnosticado, já será direcionado a uma unidade conveniada ou policlínica. "Ninguém vai ficar sem atendimento. Vamos acolher o paciente, atendê-lo, diagnosticá-lo e resolver o problema, mas só vão ficar aqui os casos de urgência e emergência". (Tania Rauber)




COMENTÁRIOS DO MSD:

Se acabar a “divisão de horários” , as “saidinhas” os esquemas de “hoje eu falto, no próximo falta você”, os “ visitadores” se dedicarem mais aos pacientes, dá para funcionar o PS com metade do número de profissionais que tem hoje. Já a rotatividade de pacientes depende de ter para onde encaminhaá-los quando necessitarem de vaga fora, o que hoje é dificultado pelos hospitais contratados que só aceitam os casos mais simples (leia-se : com menor custo, sobrando mais dinheiro para eles). Isso só será solucionado com a construção e funcionamento de um grande hospital público de referência que o governo estadual deve à Cuiabá há 30 anos !!!!

Farmácia sem insulina e outros

Diário de Cuiabá publicou:

Está faltando insulina na farmácia pública de alto custo da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Há cerca de 20 dias, nenhum paciente diabético que faz uso desse medicamento consegue manter o tratamento gratuito, conforme prevê o Sistema Único de Saúde (SUS).


Quem está cadastrado na farmácia deveria receber o produto sem custo a cada 20 ou 30 dias, dependendo da dose diária prescrita pelo médico. Como não vem conseguido gratuitamente, precisa comprar em farmácias.


Diabético e portador de insuficiência renal, Damásio Conceição esteve ontem à tarde na farmácia, mas voltou para casa sem insulina. Ele contou que tem remédio apenas para mais um dia, hoje, e que, na sexta-feira, se continuar faltando no serviço público, terá de comprar. O problema é que cada frasco dessa insulina custa pouco mais de R$ 100, dinheiro que fará fazer falta no orçamento da família, principalmente porque há pacientes que chegam a consumir uma unidade a cada três dias. Esse consumo corresponderia a um gasto mensal superior R$ 1 mil.


Damásio Conceição, pelo terceiro mês consecutivo, terá de comprar outro medicamento, o sevelamer, usado por doentes renais como regulador dos níveis de fósforo no organismo, que também está faltando na mesma farmácia.


O servidor público Eduardo Castro também não conseguiu a insulina. Este mês ele já esteve duas vezes na farmácia, ontem a segunda, retornando sem previsão de data de recebimento.


A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou, por meio da assessoria de imprensa, que houve atraso na entrega por parte da empresa contratada para fornecer insulina e outros três medicamentos que estão em falta. Conforme a SES, o fornecedor informou que teve problema na importação do produto, mas assegurou que os medicamentos estarão disponíveis amanhã.


Hã poucos dias, o secretário estadual de Saúde, Pedro Henry, anunciou a abertura de licitação para contratar instituições sem fins lucrativos para a implantação e operacionalização do gerenciamento da Central Estadual de Abastecimento de Insumos de Saúde na assistência farmacêutica. A instituição será responsável pela logística de distribuição de medicamentos no Estado. (AA)


COMENTÁRIO DO MSD:


A insulina é indispensável para muitos pacientes diabéticos e a sua distribuição gratuita é prevista em lei , sendo obrigação das secretarias de saúde. Os recursos financeiros para o custeio dessa distribuição são repassados mensalmente pelo Ministério da Saúde ; se a SES não está adquirindo a insulina, onde estará o dinheiro ?

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