quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Atendimento está prejudicado pela falta de estrutura

A Gazeta

Equipamentos quebrados, consultórios vazios e longas filas de pacientes na espera. Esta é a realidade encontrada nos centros de especialidades e clínicas odontológicas da Capital. Em algumas delas, faltam até materiais básicos como gorros e máscaras para os dentistas trabalharem e nem mesmo a limpeza é garantida pela Secretaria Municipal de Saúde. Lembrando que há dois anos as 10 clínicas odontológicas funcionavam perfeitamente e que hoje encontram-se sucateadas. Leia reportagem completa clicando neste link.


http://www.gazetadigital.com.br/pdf/m08a11/g0201c-b.pdf

OSS começa a gerenciar Metropolitano

Matéria do Diário de Cuiabá de hoje, 03/08


Na entrega da unidade, ministro da Saúde disse que independente de modelo, hospital tem que atender demanda. Empreendimento custou R$ 16 mi 




Pedro Alves/DC

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Após a polêmica sobre a entrega do gerenciamento de unidades hospitalares para organizações sociais de saúde (OSS), o Hospital Metropolitano de Várzea Grande, que fica no bairro Cristo Rei, começa a funcionar sob a administração do Instituto Pernambucano de Assistência à Saúde (Ipas). O atendimento é gratuito e será feito via Central de Regulação.

Construído há dois anos, o Metropolitano foi inaugurado ontem pelo governo do Estado e pelo Ministério da Saúde. “Polêmica sobre OSS vai sempre existir. O SUS é visto como sistema público, o que não significa que tem que ser estatal. Cinquenta e dois por cento dos leitos ofertados pelo SUS são filantrópicos ou contratados. O fundamental é fazer com que os vários modelos de gestão garantam uma assistência rápida, humanizada e de qualidade”, disse o ministro de Saúde, Alexandre Padilha.

Conforme o administrador do Ipas, José Carlos Nascimento, o hospital já iniciou o processo para o atendimento de uma demanda reprimida de 2.500 pacientes nas áreas ortopédicas e de cirurgia geral. “Simultaneamente, vamos fazer a busca ativa na rede. Vamos captar pacientes com fraturas em braços e pernas que estejam nos prontos-socorros de Cuiabá e de Várzea Grande, trazer para o Metropolitano e resolver o problema num dia”, afiançou.

Conforme Nascimento, a expectativa é que a unidade, que pretende ser uma referência para os serviços de cirurgias gerais, traumatologia e ortopedia, além de exames, esteja atendendo plenamente até a próxima segunda-feira. A unidade conta com 10 leitos de UTI adultos e 52 de enfermaria, todos climatizados.

No valor de R$ 31,3 milhões, o contrato firmado entre o governo do Estado e o Ipas tem a vigência de um ano, podendo ser prorrogado. “A Secretaria de Estado de Saúde vai acompanhar todos os relatórios e os procedimentos realizados pelo Instituto”, assegurou o governador Silval Barbosa ao ser indagado como será feita a fiscalização. “Tem uma comissão que fará o acompanhamento e a cada três meses as metas serão reavaliadas”, reforçou o secretário de Estado de Saúde, Pedro Henry.

Conforme a SES, caberá ao Ipas executar 500 cirurgias ao mês, 2 mil exames de raio-x, 500 de tomografia computadorizada, 336 de endoscopia digestiva alta, 168 de colonoscopia, entre outros. Já entre os serviços ambulatoriais referenciados deverão ser feitas 2 mil consultas ao mês e 300 atendimentos de urgência dos pronto-socorros, policlínicas e Serviço de Atendimento Móvel (Samu). O atendimento será feito por 250 profissionais, dos quais 60 médicos.

O Hospital Metropolitano conta com uma área construída de 5.511 metros quadrados. O valor da obra foi de R$ 15 milhões, recursos oriundos do Fundo Estadual de Saúde. O governo federal investiu R$ 1 milhão na compra de equipamentos como aparelhos de endoscopia, broncoscopia, dois raios-x, ultra-som e tomógrafo computadorizado. 



COMENTÁRIO DO MSD:


O Hospital Metropolitano de Várzea Grande foi inaugurado com a proposta de fazer um milagre na saúde pública de Mato Grosso, que vive um verdadeiro caos. Apenas 60 leitos, segundo o governo anuncia, solucionarão a demanda reprimida de cirurgias ortopédicas. É esperar para ver. O que o governo não explica é porque vai pagar valores muitos superiores aos pagos pelo SUS para a OOSs.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Enfermeiros da rede privada fazem greve e cancelam cirurgias

Welington Sabino, repórter do Gazeta Digital

Não bastasse o caos da saúde pública em Mato Grosso agora os enfermeiros e técnicos de enfermagem da rede privada também cruzam os braços reivindicando aumento salarial de 20%. Nesta terça-feira (02) os profissionais deflagraram greve por 12h nos 5 principais hospitais de Cuiabá e pelo menos 100 cirurgias já marcadas serão suspensas. Caso não tenham o pleito atendido, os 1,4 mil profissionais que atuam na Capital vão parar definitivamente.

Por enquanto, 700 deles sem trabalhar e fazem manifestações nos Hospitais do Câncer, Jardim Cuiabá, Santa Rosa, Geral e Santa Casa. Entre 11h e 12h todos se reúnem diante do Santa Rosa para pressionarem o sindicato patronal a elevar a proposta oferecida de apenas 7%. “Na prática, estamos recebendo 0,6% de aumento o que significa R$ 30 a mais para os técnicos de enfermagem e R$ 50 para os enfermeiros”, diz Dejamir Soares, presidente do sindicato dos Profissionais de Enfermagem do estado de Mato Grosso (Sinpen-MT).


O sindicalista explica que apenas apenas 30% dos profissionais estão atendendo no setor de emergência, com execessão do Hospital Santa Rosa. "Lá nem a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) está atendendo. Não tem vagas devido o aumento da demanda originado pela procura de quem não consegue atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS)" conta Soares.


Conforme o enfermeiro sindicalista, a greve tem respaldo inclusive dos médicos que abraçaram a causa dos profissionais da enfermagem. "Para se ter uma idéia, um médico ganha R$ 1 mil por 15h trabalhadas enquanto os enfermeiros precisam cumprir 15 plantões, ou seja, 180h para receberem R$ 700", lembra Soares. A categoria também cobra um adicional de R$ 100 para cesta básica, mas os hospitais propõem apenas R$ 5 na cesta básica.


A greve no setor da saúde privada no Estado ocorre justamente no dia em que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha está em Mato Grosso para inauguração do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, o primeiro a ser administrado pela polêmica gestão das Organizações Sociais de Saúde (OSS). Expõe o colapso da saúde onde pacientes fazem economias e cortam gastos para pagar planos de saúde ou consultas particulares, e mesmo assim enfrentam resistência no atendimento por parte de profissionais insatisfeitos.


“Os donos de hospitais particulares estão faturando alto com a crise no setor público e mesmo assim, se recusam a conceder o aumento salarial. Para se ter uma ideia, no Hospital São Matheus, está sendo construído um heliporto, para o pouso e decolagem de helicópteros”, argumenta Soares.


A greve foi aprovada em Assembleia após fracassadas negociações com o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat). A categoria pleiteia reajuste salarial e criação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). 
 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Oi patrocina peça com Bia Lula, neta do ex-presidente

Deu na Folha de São Paulo de domingo, 31 de julho.


A Oi vai pôr R$ 300 mil na peça "Megera Domada", que contará com Bia Lula, neta do ex-presidente Lula. Em 2005, a Oi pôs R$ 5 milhões em empresa de um filho de LUla. Depois, o governo mudou regra para permitr a fusão entre ela e a Brasil Telecom. A Oi diz ser "uma das maiores patrocinadoras" do país. Lula afirma que ignora a ação.


Veja reportagem completa acessando http://www.folha.com.br

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Há 4 meses falta de remédios se agravou

Tania Rauber/A Gazeta

Pacientes encontram dificuldades para conseguir medicamentos nas Policlínicas de Cuiabá. Alguns itens estão em falta desde março e a única alternativa para quem precisa é comprar. A Ouvidoria do Sistema Único de Saúde (SUS) já encaminhou 2 relatórios ao Ministério Público do Estado informando a situação e pedindo providências.

Segundo a ouvidora Janaína Penha, reclamações da falta de medicamentos chegam todos os dias na instituição e representam cerca de 15% dos procedimentos realizados.
"Há casos em que o medicamento custa muito caro e as pessoas não têm condições de comprá-lo. Por isso cobramos agilidade no fornecimento".

A situação se agravou em março, conforme Janaína, com o esgotamento dos depósitos de vários itens de responsabilidade do município. A Secretaria de Saúde foi alertada pela Ouvidoria e deu início aos pregões para aquisição, porém, os prazos para cada processo são longos e até hoje a entrega de muitos lotes ainda não foi realizada.

A professora Tania da Silva, 40, reclama que está tendo que comprar o remédio para o filho de 10 anos, que sofre de dor de cabeça crônica e precisa de medicamento controlado para não ter crises e convulsões. Desde março ela e a família procuram nas policlínicas o remédio, mas sempre obtêm a mesma resposta. "Eles nos dizem que não tem nem prazo para fornecer o medicamento".

Tania disse que procurou novamente o médico para conseguir uma receita diferenciada e, assim, comprar o produto. Porém, teve que reduzir uma dose porque não conseguiu comprar todas as caixas de uma só vez.

"O médico dá receita para 3 meses. Só que para comprar todas as caixas de uma só vez ficava muito caro. Como a receita fica retida na farmácia, não temos como comprar outra hora. Então cortei o meio comprido de manhã para conseguir fechar o prazo".

Esta mesma medida foi tomada pelo aposentado Sidney Magalhães, 44. O filho dele, de 20 anos, sofre de microcefalia e precisa tomar, todos os dias, 3 comprimidos de Carbamazepina, que está em falta na rede pública desde março.

Ele conta que procurou o remédio na Farmácia Popular, mas não encontrou. "Lá a cartela com 10 comprimidos custa R$ 1,30, mas como não tem tive que comprar na rede privada. Quando encontro o genérico pago quase R$ 20 a caixa".

O aposentado conta que já precisou de outros medicamentos para a mãe e também não encontrou. "Toda vez que vou à policlínica encontro várias pessoas na mesma situação. O que revolta mais é que eles não tem nem prazo para regularizar a situação".

Ouvidoria do SUS: 600 procedimentos em 6 meses

Publicado no jornal A Gazeta desta sexta-feira:

Além de medicamentos, reclamações de demora na realização de consultas, exames e cirurgias são feitas diariamente à Ouvidoria do SUS. No primeiro semestre deste ano, foram quase 600 procedimentos formalizados, além de inúmeras solicitações, denúncias e sugestões.
A ouvidora Janaína Penha explica que, assim que os registros são feitos, a instituição tem o prazo de 48 horas para encaminhar o pedido de providências ou explicações ao setor responsável. Estes têm um prazo para encaminhar a justificativa e apresentar soluções. Quando isso não ocorre, as reclamações e denúncias são apresentadas ao Conselho Municipal de Saúde e ao Ministério Público.
Ela ressalta que o índice de resolutividade nos processos tem aumentado nos últimos meses, principalmente nos pedidos feitos à Agência de Regulação. "As respostas que antes demoravam até meses para chegar até nós, hoje chegam em uma ou duas semanas, sendo que muitas vezes já com o caso solucionado".
A maior dificuldade, segundo a ouvidora, está na realização de cirurgias ortopédicas e eletivas. O prazo legal para uma cirurgia que não tem urgência e emergência, por exemplo, é de 90 a 180 dias, o que quase sempre não é cumprido. "Tem pessoas que esperam até 1 ano. Não podemos aceitar que isso ocorra".
Outra estratégia encontrada pela Ouvidoria para tentar resolver estas situações é a comunicação direta com os chefes de cada setor. "Sempre estamos ligando e pressionando para que as situações sejam resolvidas. Por exemplo, no caso dos pregões de medicamentos, nós estamos acompanhando todos os processos e cobrando as empresas para entrega no prazo estipulado".
A Ouvidoria do SUS funciona em uma sala anexa à Secretaria Municipal de Saúde. Há 2 postos de atendimento no Pronto-Socorro e no Posto CER-SUS, na rua 13 de Junho. Telefones para reclamações, denúncias e sugestões: 3617-7329 ou 3617-7384.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A saúde e o sapo

Dói o coração e revolta qualquer cidadão acompanhar pela mídia o abandono a que foi relegado nosso povo pelos atuais governantes e gestores da saúde pública em Mato Grosso e em alguns municípios, como Cuiabá e Várzea Grande. O descalabro a que foram submetidos os estabelecimentos públicos de saúde só é menor que a irresponsabilidade dos responsáveis. O desamparo e o desespero das pessoas em busca de socorro parecem não comover nossas autoridades que agem como se não tivessem nada a ver com o problema e procuram responsabilizar os trabalhadores de saúde pela situação. Ainda outro dia, o ex-governador Blairo Maggi declarou à imprensa que a saúde pública estava inchada. Ora, a Saúde não é sapo, que incha sozinho! Se a Saúde está inchada, alguém a inchou. E como perguntar não ofende, quem teve poder de contratar, gerenciar e distratar servidores públicos nos últimos anos? Como se justifica o inchaço, se não houve incremento do número de hospitais, ambulatórios, nem serviços de promoção e prevenção da saúde no mesmo período? 
Continue lendo o texto na página ARTIGOS.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

OSS de Rondonópolis receberá R$ 39,8 milhões

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) vai pagar R$ 39,8 milhões, por ano, para uma Organização Social de Saúde (OSS) gerenciar o Hospital Regional de Rondonópolis. O contrato foi firmado com a Sociedade Beneficente São Camilo, que é de São Paulo, e foi vencedora do chamamento público, no qual era a única concorrente.


Agora, 2 unidades hospitalares já estão sob gestão de OSSs e uma em processo de contratação. O Hospital Metropolitano de Várzea Grande será gerido pelo Instituto Pernambucano de Assistência em Saúde (Ipas). A mesma entidade apresentou proposta no chamamento público para prestação de serviço de armazenamento e distribuição de medicamentos do Estado, porém o processo ainda não foi concluído.


A expectativa da SES é expandir o modelo para todos os hospitais regionais e para o Centro Integrado de Atendimento Psicossocial (Ciaps) Adauto Botelho.


O valor foi publicado no Diário Oficial do Estado, que circulou ontem. Conforme o documento, R$ 37,7 milhões serão aplicados no custeio da unidade e o restante, R$ 2,06 milhões, será aplicado em investimentos.


Nos próximos 90 dias, a SES abrirá um novo chamamento público. Desta vez é para o Hospital Municipal Albert Sabin, de Alta Floresta, que teve o termo de cessão de uso assinado na terça-feira (28). O município entregou a unidade para gestão estadual por 10 anos. O secretário Pedro Henry diz que a unidade atende cerca de 200 mil habitantes dentro de sua área de abrangência agregando 6 municípios (Alta Floresta, Carlinda, Paranaíta, Apiacás, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes).


De acordo com o secretário, o governador, recentemente, assinou ordem de serviço na execução de obras e adequações na unidade. O próximo passo é promover o levantamento de sua capacidade instalada e de publicar o chamamento público na busca de um parceiro com o terceiro setor (OSS).


Durante a assinatura, a prefeita Maria Izaura lembrou que neste prazo de transição o hospital continuará sob a gestão do município. Na concretização da ação, os recursos que o município destinava ao hospital passarão para o fortalecimento da atenção básica e ampliação do Programa Saúde da Família e na construção de PSFs rurais. "Hoje o município tem cobertura de 80% de PSFs, quero chegar ao 100% e ainda construir mais Postos de Saúde na zona rural". (Jornal A Gazeta com informações da assessoria)


COMENTÁRIO DO MSD:

O que Pedro Henry não explica e nem o Ministério Público investiga são os valores anunciados que serão pagos para as empresas/OSS a exemplo de Rondonópolis onde o Hospital São Camilo vai receber R$ 39,8 milhões segundo Diário Oficial de Mato Grosso.  O Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá que tem custo média/mês de 4 milhões, todos sabem quais serviços são oferecidos ao usuário do SUS. Porém, que serviços prestarão o São Camilo? E o que será feito do Hospital Regional? O que acontecerá com os seus servidores? Serão reaproveitados em outras unidades públicas (em Rondonópolis não tem outra, a não ser o Hospital Regional) , ou ficarão encostados? O que também gera gastos para os cofres públicos. Ou seja: falta transparência à “privatização do SUS” em Mato Grosso. E o Ministério Público, que deveria estar cobrando detalhes desse processo, permanece de bico calado.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"O SUS implica uma nova relação entre Estado e sociedade"

Entrevista do médico Júlio Muller Neto publicada na revista RADIS, editada pela Fiocruz. Vale a pena conferir!!
A vasta experiência como gestor da Saúde permite ao ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), hoje professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso, Júlio Müller Neto, olhar para trás e rever com cuidado o processo de construção do SUS — do qual participou ativamente. Secretário municipal de Cuiabá no início da década de 1990 e, logo depois, secretário estadual de Mato Grosso, Júlio avalia que o sistema ainda não se curou dos males que o atingem desde sua criação: subfinanciamento e má gestão. Mas, para o professor, é “um jogo perverso” achar que a crise da assistência médico-hospitalar — equivocadamente chamada de crise do SUS — é da ineficiência do poder público. Hoje dedicado a docência e pesquisa, principalmente sobre a relação entre descentralização e democratização das políticas públicas de Saúde, Júlio diz que o SUS é pai, mãe, filho e irmão da democracia. “O SUS não é um mero plano de saúde, é um sistema que em última análise prevê a garantia do direto à saúde da população brasileira e implica uma nova modalidade de relação entre Estado e sociedade”.


RADIS - Novos modelos de gestão estão em debate e em embate, com as fundações, OSs, Oscips... Como os avalia e que modelo defende?

Júlio Muller - Para mim, esses não são modelos de gestão, são ferramentas, que podem agilizar alguns aspectos da gestão. Há diferenças muito grandes entre OSs [organizações sociais], Oscips [organizações da sociedade civil de interesse público], ONGs e fundações, mas de maneira geral a origem delas está no conflito entre administração pública — e a crítica que se faz a sua burocracia — e formas mais ágeis de administração. Não vejo esses instrumentos como a encarnação do diabo na Terra, que vêm para acabar com o público. Podem servir para determinadas situações de gestão. Entretanto, na Saúde, sobretudo no SUS, têm utilidade muito restrita. Quando foram criados, destinavam-se a áreas não essenciais do Estado que pudessem ser executadas por terceiros, logo, não se aplicariam à Saúde — mas foram implantados e continuam sendo. Quando se fez a lei das OSs, o SUS era ainda mais privatizado: a assistência médico-hospitalar e a alta complexidade sempre foram majoritariamente contratadas. O argumento de que a OS funciona porque o setor público é inoperante é no mínimo uma falsidade. É o contrário. Temos de fazer um debate com seriedade.


Leia entrevista na íntegra acessando arquivo em PDF no link: http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/106/PDF/Radis_106.pdf

domingo, 26 de junho de 2011

Hospitais públicos de SP gerenciados por OSS: Rombo acumulado é de R$147,18 milhões

Conceição Lemes


A saúde pública no Estado de São Paulo está sendo privatizada rapidamente, a passos largos.


O símbolo desse processo são as OSS: Organizações Sociais de Saúde. Significa que o serviço de saúde é administrado por uma dessas instituições e não diretamente pelo Estado.


Curiosamente no site da Secretaria Estadual de Saúde não há sequer uma lista com todos os hospitais, ambulatórios médicos de especialidades (AMEs) e serviços de diagnóstico administrados por OSS. É preciso garimpar na internet, nome por nome, para saber se o serviço X ou Y é tocado por OSS. É desafio até para pessoas acostumadas a pesquisar em Diário Oficial. Mas quem se der a este trabalhão – às vezes é preciso telefonar ao estabelecimento para ter certeza–, vai comprovar o óbvio: a terceirização, de vento em popa, da saúde pública do Estado de São Paulo.


O artifício é a lei complementar nº 846, de 1998, alterada pela 62/2008, do ex-governador José Serra (PSDB), que autoriza transferir às OSS o gerenciamento de todos os hospitais públicos paulistas, novos e antigos.


“Os hospitais gerenciados por Organizações Sociais são exemplo de economia e eficiência”, diz o site da Secretaria Estadual de Saúde.


A justificativa para a expansão das OSS é “a experiência de sucesso dos últimos dez anos”. Essa, especificamente, foi anexada ao projeto de lei que Serra encaminhou à Assembleia Legislativa paulista, permitindo às OSS gerenciar não só os novos estabelecimentos de saúde (como permitia a legislação em vigor desde 1998) mas também os já existentes (até então era proibido).


Leia reportagem completa clicando neste link: http://www.viomundo.com.br/denuncias/hospitais-publicos-de-sp-gerenciados-por-oss-a-maioria-no-vermelho.html


COMENTÁRIO DO MSD

- Esta matéria da jornalista Conceição Lemes é demolidora, desnudando a real situação das OSS em São Paulo. Os números mostram o absoluto descontrole dos gastos e que a produção de serviços não acompanha os custos. Ressalta também a pouca transparência da gestão, já que ninguém sabe de nada, ninguém informa nada...


- Interessante como as OSS tem uma enorme vocação religiosa, basta ver as denominações .....



sábado, 25 de junho de 2011

Falta de UTI acaba em prisão

Raquel Ferreira/A Gazeta

O coordenador da Central de Regulação do Estado, Jessé Mamede, foi preso porque o único leito pediátrico de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) livre de Mato Grosso não podia ser ocupado por determinação da Justiça, que reservava a vaga para uma criança que passará por uma cirurgia somente na próxima terça-feira. Também por determinação judicial, um bebê de 34 dias precisava de uma UTI e a falta do leito resultou na prisão.

A diretora da Central de Regulação de Cuiabá, Criciane Mendonça, conta que o menino F.E.C.R. é do município de Vila Rica (1.259 km a nordeste da Capital) e chegou ao Pronto-Socorro de Cuiabá em estado gravíssimo de saúde, com problema de cardiopatia e foi internado na sala Amarela pediátrica. O bebê não veio regulado, mas recebeu todo atendimento necessário.

Como o estado de saúde é grave, a Justiça determinou que o menino fosse transferido para uma vaga de UTI para que passasse por uma cirurgia emergencial, que deveria ter ocorrido na manhã de ontem. A remoção ocorreu somente no período da noite quando a vaga foi liberada.

Segundo Criciane, a diretoria da Femina informou que a única vaga de UTI pediátrica livre não podia ser ocupada por determinação da Justiça, que havia reservado para outro menino de 8 anos, que passará por um procedimento de retirada de tumor da cabeça.

A diretora destaca que a assessoria Jurídica da Secretaria de Estado de Saúde (SES) entrou com recurso no plantão do Tribunal de Justiça, mas teve o pedido indeferido. "A Justiça não leva em consideração a opinião médica. O leito ficaria desocupado até terça-feira, sendo que uma outra criança poderia morrer".

Criciane conta que o menino de 8 anos que fará a cirurgia tem quadro de saúde mais estável que o bebê, estava respirando livremente e não tinha necessidade imediata da UTI.

"Tentamos conversar, mas não adiantou. A Central de Regulação não cria vagas, apenas dá o acesso. Infelizmente não temos leitos para todos e é preciso ter sensibilidade para avaliar quem precisa mais. Normalmente, a Justiça não analisa o parecer médico, ignora os documentos e isso é muito grave. Nos deparamos com essa situação com frequência".

Somente na tarde de ontem, a Promotoria da Infância e Juventude conseguiu reverter o quadro. O coordenador Jessé chegou a ser levado para o Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Planalto, onde foi lavrado um termo circunstanciado e terá que se apresentar à Justiça.

Ontem à noite, Criciane estava preocupada com a transferência de F.E.C.R. que apresentava quadro de saúde instável e corria riscos durante o trajeto que, pela Justiça, deveria ocorrer imediatamente. "Vou pedir que os pais do bebê assinem um termo autorizando e se responsabilizando dos riscos que essa criança corre. Ela está muito frágil e a remoção é arriscada".

COMENTÁRIO DO MSD:

- Pois é, estourou na bu... do coordenador, que agiu corretamente, pois tinha um paciente real e gravíssimo naquele momento, não sendo concebível na cabeça de ninguém em sã consciência ficar com uma vaga de UTI reservada para uma cirurgia que irá se realizar depois de 4 dias .... Pobre Jecé, pagou por fazer o correto... Não será o primeiro. Triste judiciário que determina uma decisão absolutamente imbecil como essa.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fila de espera é a mesma quase 2 anos depois

Jornal A Gazeta publica hoje:

Nada mudou no Sistema Único de Mato Grosso (SUS) 1 ano e 7 meses após a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde (CPI). Na divulgação do relatório final, feita pelo deputado Walace Santos Guimarães (PMDB), ele afirma que continua a fila de espera de 130 mil pessoas por procedimentos médicos, como exames e cirurgias. Visitas de debates com representantes do setor apontaram que há ineficiência, má gestão do governo e "subfinanciamento" no serviço público ofertado à população.


O relatório da CPI da Saúde conta com 33 itens de recomendação para o governo do Estado adotar e melhorar a oferta de serviços à população. A greve de médicos e o caos dos Prontos-Socorros de Cuiabá e Várzea Grande no final de 2009, quando a Comissão foi formada, motivou a abertura da investigação.


Entre as ações estão a adequação física de unidades hospitalares, que foram flagradas "sucateadas". O fortalecimento dos consórcios intermunicipais de saúde com a oferta de apoio aos municípios também é apontada como ação a ser desenvolvida, pois ajudará a diminuir a demanda por atendimento na Capital.
É solicitada a inauguração imediata do Hospital Metropolitano de Várzea Grande (HMVG), onde será possível 500 cirurgias ortopédicas por mês. Dois hospitais, da Mulher e da Criança, este com a previsão de mais de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), também são requisitados.

O relator Walace diz que levará as recomendações ao governo do Estado após a aprovação do relatório em plenário para buscar a eficiência no atendimento. Mas admite que "praticamente nada" mudou no serviço à população. O número de pessoas em fila de espera continua e o primeiro item do relatório final é zerá-la. O deputado diz que a melhoria no atendimento passa por atendimento e pede mais celeridade na tramitação da Emenda Constitucional 29, que trata do financiamento do setor no país, além de uma gestão para ordenada no Estado.


A cobrança também é feita ao governo federal. Walace diz que em Várzea Grande há apenas 23% de cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF) e em Cuiabá a abrangência é semelhante. A ampliação do PSF é necessária, pois trata-se de atendimento básico.

COMENTÁRIO DO MSD:

- Engraçado o deputado Walace residir em Várzea Grande e não saber que a rede de saúde de Várzea Grande é muito menos estruturada que Cuiabá. Blefa o deputado quando diz que a cobertura do PSF de VG é semelhante à de Cuiabá. Enquanto a rede básica da Capital cresceu 100% entre 2008 e 2009 (quando a SMS era gerida por Luiz Soares), a de Várzea Grande não cresceu nem 1%. Sem falar que e em Várzea Grande as policlínicas não tem pronto atendimento e nem funcionam 24 horas, como ocorre em Cuiabá. Aliás, uma grande parte dos pacientes atendidos em Cuiabá são de Várzea Grande!

- O tal “Fila Zero”  pelo visto foi um “zero a esquerda” , pois não serviu para nada, apenas uma ação midiática com finalidade eleitoral, mais uma das enganações DA SES – MT e do desgoverno do Estado.

Conselho tenta evitar a estadualização do PS

Jornal A Gazeta publica hoje:

O Conselho Municipal de Saúde pediu a intervenção do Ministério Público Estadual (MPE) no processo de estadualização e implantação de uma Organização Social de Saúde no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá. Os conselheiros alegam que o processo está sendo realizado mesmo sendo contrário às resoluções aprovadas pela plenária do conselho, que deveriam deliberar sobre as ações em saúde no Município. Outra questão é a não homologação das resoluções, que aguardam apenas a assinatura do secretário Municipal de Saúde, Antônio Pires, que também é presidente do conselho.

Vice-presidente do Conselho e representante do Sindicato dos Servidores Municipais de Cuiabá, Maria Ângela Martins, explica que nas últimas reuniões o conselho decidiu que a estadualização ou transferência da gestão do PS para uma OS aconteceria à revelia do conselho, o que vai contra a lei do Sistema Único de Saúde.

O resultado foi baseado em uma discussão entre os membros e ainda não foi publicada porque o secretário não assinou o documento.


Também está pendente de assinatura a resolução que acaba com a presidência nata, na qual o cargo de presidente é sempre ocupado pelo responsável pela pasta. Maria Ângela esclarece que caso haja a mudança, o líder do conselho deverá ser escolhido entre os membros após a votação. A alteração, na avaliação da vice presidente, pode trazer mudanças significativas já que os interesses do governo podem não estar mais no posto máximo do conselho.

O promotor Alexandre Guedes disse que recebeu o documento ontem e vai analisar antes de falar sobre o assunto.


Entenda o caso - Na última reunião do Conselho, realizada no mês passado, o secretário informou que não precisava da aprovação da plenária para entregar a instituição à gestão estatal. Ele argumentou que o prédio já é de propriedade do Estado e cabe a ele determinar o tipo de gestão.


A afirmação gerou revolta entre os membros que rechaçaram a possibilidade de estadualização. Eles dizem que o Estado nunca teve interesse pela gestão e a proposta repentina era oportunista para expansão do modelo de OS, considerado por eles privatização.

Outro lado - A Secretaria Municipal de Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que o secretário ainda aguarda a entrega da ata. Conforme o órgão, ele está dentro do prazo legal para análise da documentação sobre as resoluções. (Caroline Rodrigues)

COMENTÁRIO DO MSD:

- A truculencia demonstrada pelo secretario Pires  nas suas relações com o Conselho Municipal  de Saúde demonstra  seu descaso pelo processo democrático de gestão  que é essencial para o SUS  e é uma imposição constitucional a todos os gestores públicos da área. Quem despreza  o debate democrático não pertence ao ambiente da saúde .

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Luta do MSD vai parar no Fantástico: Hospital Público Estadual Já!

Há um ano e meio o Movimento Saúde e Democracia (MDS) vem defendendo um grande hospital público estadual em Cuiabá como a solução para o caos em que se encontra a saúde em Mato Grosso. Esta semana, O Fantástico, e depois a TV Centro América (que produziu a reportagem local), traduziu nacionalmente esta necessidade ao mostrar o que eles chamaram de o maior elefante branco de Mato Grosso: a obra do Hospital Central, paralisada há décadas em Cuiabá.

A questão da necessidade de um grande hospital público estadual é um debate inevitável, mas que, pelo que parece, o Governo do Estado não está disposto a encarar. O ex-governador Blairo Maggi chegou a retomar a obra do Hospital Central em 2003. Gastou dinheiro público, entretando a obra foi novamente paralisada.

Quem sabe agora, tendo a ferida exposta em nível nacional, naturalmente com repercussão internacional tamanha a velocidade com que a informação circula hoje no mundo, as autoridades públicas deste estado se envergonhem da situação de falência em que chegou a saúde em Mato Grosso e abram as discussões em torno do hospital público estadual.

Vemos como um grande avanço a manifestação da Procuradoria Geral do Estado em prometer, na mesma reportagem da Rede Globo, lutar pela retomada da obra do Hospital Central, até porque já existe uma decisão judicial e que até hoje não foi cumprida. E também a adesão a esta luta pela sociedade em geral por compreender que não é privatizando o SUS, entregando-o à iniciativa privada, às Organizações Sociais, que os problemas serão solucionados.

A luta do Movimento Saúde e Democracia continua e ainda mais fortalecida. É o clamor popular ecoando pelos quatro cantos. A cada dia o MSD recebe a adesão pública e até mesmo a imprensa, que antes estava focada em problemas pontuais da saúde, agora cede suas manchetes à questão macro do SUS em Mato Grosso por compreender, em tempo, que a única saída para o caos é o Hospital Público Estadual.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Faltam pediatras nas policlínicas de Cuiabá

Os médicos estão pedindo demissão da rede pública de saúde em Cuiabá e obrigam os pais a fazerem uma peregrinação em busca de atendimento. Na escala de plantões, que fica exposta na parede das Policlínicas, espaços estão em branco e apontam a falta dos profissionais. A técnica em nutrição escolar, Valdirene Pereira Gomes, 32, precisou pegar 8 ônibus e passar pelas unidades do Planalto, CPA, Verdão e Coxipó. Em nenhuma conseguiu assistência para o filho, que tem 7 anos e estava com náuseas, dor de cabeça e garganta inflamada. A solução encontrada pela mãe foi apelar para remédios caseiros e fazer a automedicação com ajuda de um farmacêutico.

Ela conta que as atendentes informavam que não havia pediatra e que o clínico geral não atendia crianças. As servidoras aconselharam a mãe a procurar outras unidades, onde havia o mesmo problema.

A escassez não está apenas no serviço de emergência. O ambulatório também está com atendimento restrito e as pessoas precisam acordar muito cedo e ficar por horas na fila para conseguir uma vaga. A doméstica Maria Josinalva da Silva, 30, afirma que apenas uma vez por semana as consultas são marcadas e apenas 40 vagas são disponibilizadas na Policlínica do CPA.

COMENTÁRIOS DO MSD:

Em 2009 os profissionais de medicina, funcionários do Município de Cuiabá, fizeram uma greve por melhores salários. Ganharam a parada e receberam aumentos significativos e que garantirão aos estatutários uma boa aposentadoria. Hoje, no Governo Chico Galindo, que não explica pra onde foi o dinheiro repassado pelo Ministério da Saúde para o SUS/Cuiabá, pela falta de transparência e pela suspeita gestão financeira, os médicos, prestadores de serviços (contratos temporários) estão pedindo desligamento por falta de condições de trabalho. É crise de má gestão e de descompromisso com o SUS/Cuiabá e com 85% do povo cuiabano que é usuário do SUS.

Cartilha do Usuário do Sus