quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Infraestrutura fica com mais da metade dos recursos previstos.


Gazeta Digital / Por:Valérya Próspero


     A bancada mato-grossese no Congresso está em clima de festa com a aprovação do orçamento do Governo Federal para 2012. A expectativa é que Mato Grosso receba cerca de R$ 665 milhões para as áreas de infraestrutura, turismo, saúde, educação e sistema Judiciário. O recurso ainda precisa ser sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT). A maior fatia do bolo ficou para a infraestrutura, que vai dispor de R$ 351 milhões, mais da metade do orçamento. O valor vai ser repartido em áreas específicas.
     O sistema rodoviário deve ficar com R$ 302 milhões, investidos na travessia urbana de Sinop, adequação da BR-163 na divisa de Mato Grosso com o Pará, na BR-174, que liga Juína (734 km de Cuiabá) até a divisa com o Estado de Rondônia, BR-070, de acesso a Cáceres, e a MT-100, além da construção do Anel Viário de Barra do Garças, previsto para sair do papel há mais de seis anos.
     Os outros R$ 49 milhões serão para a infraestrutura urbana. O foco são obras para a Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá (RMVRC). Ela foi criada há mais de dois anos por decreto do então governador e hoje senador Blairo Maggi (PR). A RMVRC tem seu núcleo composto pelos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio do Leverger, além de Acorizal, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Jangada, Nobres, Nova Brasilândia, Planalto da Serra, Poconé e Rosário Oeste.
     Uma das menores fatias do orçamento deverá ficar com o Judiciário, que vai receber quase R$ 15 milhões para a modernização da infraestrutura de tecnologias em Mato Grosso.

COMENTÁRIO MSD

ð  RODOVIAS : 302 MILHOES = 45,4 %  DO TOTAL , OU SEJA , 700 % EM RELAÇÃO A SAÚDE !!!!!
ð  REALMENTE , É PRA CLIMA DE MUITA FESTA MESMO !!!! QUE BOM, TEM BASTANTE DINHEIRO PRA SUPERFATURAMENTO E  PROPINAS !!!!!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Após 4 meses, secretário já se diz saturado da pasta da Saúde.



Por: Valérya Próspero

O secretário de Saúde de Cuiabá, Lamartine Godoy, admite estar saturado dos recorrentes problemas relacionados à pasta e chega a dizer que não “vê a hora” do prefeito Chico Galindo (PTB), de quem é sobrinho, dispensá-lo do cargo. Mesmo sem dar pistas se vai deixar o 1º escalão no próximo ano, o secretário confessou que o desgaste chega ao ponto de afetar suas atividades particulares, “Mas eu estou com o prefeito. Primeiro era para eu ter ficado apenas interinamente (com a saída do médico Antônio Pires) até o final deste ano”, reforça.

Na pasta desde setembro deste ano, Lamartine faz um balanço favorável de sua gestão, apesar de tantos problemas, e frisa a redução do número de pacientes crônicos na fila da ortopedia, que passou de 163 para 43 após sua entrada na pasta.

O secretário credita a drástica mudança a um mutirão que, segundo ele, acelerou a quantidade de cirurgias. A informatização do sistema presente no almoxarifado para controle de entrada e saída de medicamentos também foi outro fator apontado.

Lamartine também se “gaba” ao considerar que amenizou o desgaste sofrido pela prefeitura com o desabamento do teto do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPMC) ao conseguir “fechar” um acordo com a empresa Três Irmãos, da família do deputado Carlos Avalone (PSDB), para que a empreiteira arcasse com o custo de R$ 120 mil dos reparados feitos por outra empresa à obra inicial executada pela construtora ligada ao tucano. Segundo o secretário, com o dinheiro, acrescido de R$ 80 mil dos cofres do Alencastro, foi possível reformar o terceiro andar do HPSMC, que estava desativado e voltou a funcionar em meio à reforma da UTI. Ao todo, a obra custou R$ 207 mil.

COMENTÁRIO MSD

ð  Gestão pública é coisa séria, que tem a ver com vários requisitos, todos igualmente importantes. Um deles é  compromisso, envolvimento com o trabalho, é torná-lo prioridade e não um mero “bico pra ajudar (??) titio”.  Também precisa de competência, de conhecimento, para não ser enrolado pelos mal intencionados , para não passar por trouxa, fazendo cara de entendido. Tem que também  ter  muita disposição para encarar confrontos em defesa do que é certo,  ter peito de contrariar interesses corporativos. E tem que ser honesto para combater a corrupção, para não deixar roubarem o dinheiro da saúde. Faz tempo que não passa alguém assim por lá.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Atendimentos médicos que não duram mais do que 15 minutos tornam-se frequentes.



CONSULTAS A JATO



Por: Monique Oliveira e Luciani Gomes
Fonte: ISTO É

Atendimentos médicos que não duram mais do que 15 minutos tornam-se frequentes, o que provoca o erro no diagnóstico e na prescrição de remédios. O que você pode fazer se tiver sido vítima dessa prática

A cena é cotidiana nos consultórios médicos: entre o bom-dia e o até logo dados pelo profissional, passam-se apenas 20, 15 e, às vezes, inacreditáveis três minutos. Quando muito, dá tempo apenas para falar dos sintomas mais aparentes, pegar na mão uma lista de exames a ser feitos ou de remédios a ser tomados. Para que servem e quando mesmo devem ser tomados? Difícil lembrar, já que as explicações foram tão rápidas que nem deu para memorizá-las como se deveria. Também é evidente que o médico não teve tempo para avaliar com a precisão necessária o que foi prescrito. Trata-se de uma realidade cada vez mais frequente, tanto no Brasil quanto em outros lugares do mundo. Inclusive em consultórios particulares, essas consultas, que mais se parecem com um drive-thru de lanchonete, são registradas. E isso contribui para as estatísticas judiciais que mostram aumento nos casos de erros médicos.
A banalização das consultas a jato é tão grande que levou a uma distorção. Hoje, ser atendido em 15 minutos é considerado um privilégio. Um estudo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto, em São Paulo, deixou isso claro. Os pesquisadores acompanharam 480 consultas na rede pública e mediram, de cronômetro na mão, o tempo que cada doente passava no consultório. Logo em seguida, perguntaram o nível de satisfação com a consulta. Quem foi atendido entre 11,4 e 15 minutos considerou o atendimento excelente. Os que ficaram de 7,6 a 11,3 minutos acharam a consulta boa. Já os que permaneceram com o médico de 3,8 a 7,5 minutos consideraram-na regular e apenas os que ficaram de 0,1 a 3,7 minutos – ou seja, nem quatro minutos – acharam que foram mal atendidos.

Apesar dos efeitos nocivos das consultas-relâmpago, não há no Brasil uma regulamentação que determine o tempo mínimo que uma consulta deve ter. Há apenas um consenso entre os bons médicos de que é impossível fazer uma avaliação correta do paciente em menos de 25 minutos. “Não se coloca o tempo de consulta no contrato porque se supõe que o médico agirá com consciência ética”, afirma Rogério Toledo, diretor do setor de Proteção ao Paciente da Associação Médica Brasileira (AMB). Mas como fazer isso na rede pública, por exemplo, na qual cada médico tem pelo menos 16 pacientes marcados para prestar atendimento em uma jornada de quatro horas? Ou seja, dedicar a cada doente escassos 15 minutos? Esse tempo, aliás, é usado como marcador de produtividade na rede pública, de acordo com o Manual de Auditoria de Atenção Básica do Ministério da Saúde. O documento serve para analisar o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde e, segundo uma de suas fórmulas, serviço produtivo é aquele que atende em 15 minutos. Na rede conveniada, o parâmetro é que os profissionais atendam no máximo quatro pacientes por hora – ou seja, os mesmos 15 minutos para cada um.
O problema é que nem sequer a “regra” dos 15 minutos é respeitada. “Na rede pública há médicos que atendem em dois minutos, no corredor mesmo”, relata o médico Fernando Lucchese, diretor da Santa Casa de Porto Alegre. “Já ouvi colegas dizer que eram pressionados a atender em menos de dez minutos”, completa o proctologista aposentado Albino Sorbino, que durante anos trabalhou no Hospital do Servidor Público de São Paulo. A demanda na instituição pública comprometia o atendimento em seu consultório. “Eram, no mínimo, dois casos graves por dia”, lembra. “Não tinha como fazer essa consulta em 15 minutos e eu ficava sempre três horas além do meu horário.”

Pouco a pouco, começam a surgir indicativos dos danos causados pelas consultas rápidas. Um estudo feito pela Universidade de Ghent, na Bélgica, revelou um pouco das diferenças que ocorrem quando uma consulta é rápida demais ou acontece no tempo certo. Os cientistas analisaram 2.801 gravações de consultas realizadas em 183 hospitais da União Europeia e categorizaram as relações estabelecidas durante o encontro com o médico. Nos curtos, o tempo é dividido entre perguntas e instruções. Já nos longos, observou-se mais tempo gasto no levantamento de problemas psicológicos que podem estar relacionados aos sintomas e no fornecimento de orientações gerais ao doente. Este último, é claro, é o modelo mais ideal. “A consulta não é o momento de diagnóstico preciso”, explica o gastroenterologista Rogério Toledo, da AMB. “É o momento de se inteirar dos hábitos do paciente.”

Uma boa consulta envolve também a coleta do histórico do paciente, exame clínico completo, indicação detalhada de exames complementares, se necessários, e orientações terapêuticas baseadas em pelo menos mais de uma hipótese de diagnóstico. “Tarefa difícil para 15 minutos”, diz o infectologista David Uip, diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Há outros prejuízos quando esse roteiro não é cumprido. O tempo mínimo compromete a relação com o paciente e pode levar o médico a somente atenuar os sintomas sem tratar a doença. “O profissional vira um grande fazedor de receitas”, diz Lucchese, de Porto Alegre. O atendimento rápido também compromete a interligação de sintomas com situações, já que o paciente apenas responde a perguntas ou é dirigido pelo médico. “E é só deixando o paciente falar que se podem fazer conexões com uma sintomatologia que inicialmente não estaria relacionada à doença”, diz o cardiologista Múcio Oliveira, diretor de emergência do Instituto do Coração, em São Paulo. “O atendimento rápido vai comprometer o diagnóstico”, diz Rogério Toledo.
Outros riscos são sair da consulta sem entender como tomar o remédio – e tomá-lo errado – ou receber uma prescrição incorreta. No Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde, 50% dos remédios comercializados são prescritos, dispensados ou usados de maneira errada. E, segundo especialistas, 49% dos erros são feitos pelo médico, na hora da prescrição. “O profissional faz um diagnóstico apressado, errôneo, e receita o remédio errado”, diz Fernando Lucchese. “O erro nas prescrições é uma consequência inevitável dessa consulta que não privilegia o olho clínico.” Além disso, a pressa eleva a chance de o paciente se submeter a exames desnecessários, sujeitando-se, por exemplo, a receber doses de radiação emitidas por aparelhos de imagem, sem que fosse preciso.

A falta de coleta de dados e um histórico mal tirado podem levar inclusive à morte. No ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo indenizou uma família em R$ 30 mil por causa de um atendimento ruim em um hospital privado. Uma criança de 1 mês e 7 dias de vida, com pneumonia grave, voltou para casa apenas com uma prescrição de Novalgina. “Ela morreu de pneumonia porque o médico não coletou os dados suficientes na hora da consulta”, relata o advogado Vinicius de Abreu, representante da ONG Saúde Legal, entidade de defesa de pacientes.

Uma suposta falta de médicos poderia ser usada para justificar a pressa. Mas isso não é real no Brasil. Em outubro deste ano, os conselhos regionais de medicina registravam a existência de 371.788 médicos em atividade no País, um salto de 530% desde 1970, percentual cinco vezes maior que o crescimento da população. As razões apresentadas por entidades médicas para a disseminação da praga da consulta a jato repousam em outras esferas. Elas argumentam que a baixa remuneração dos profissionais é que provoca a necessidade de atender vários pacientes em um mesmo período. Isso fica mais evidente na rede pública, na qual os baixos salários não atraem muita gente. Como resultado, o número de médicos não seria suficiente para atender à demanda. “Não é novidade que faltam médicos nos serviços de urgência em hospitais públicos”, diz Aloísio Tibiriçá, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina.
Na rede conveniada, que hoje já atende 9% da população brasileira, menos médicos se credenciam aos planos de saúde também por causa da baixa remuneração. Há planos que pagam menos de R$ 30 por consulta. A consequência: muitos profissionais atendem mais gente do que deveriam para conseguir um rendimento satisfatório. “O médico precisa manter o consultório, mas com os valores pagos só consegue isso aumentando os pacientes por hora ou cobrando no particular”, afirma Márcia Rosa de Araújo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.
Essa realidade vem merecendo reação dos próprios médicos. Recentemente, verificou-se uma onda de paralisações entre os profissionais vinculados a convênios. Em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, os médicos Marco Leite e João Botelho decidiram fazer o contrário. Para mostrar à população como deve ser um atendimento impecável, reforçaram o time de profissionais em uma das Unidades Básicas de Saúde da cidade em um dia de atendimento. “Tivemos um reforço de oito médicos onde antes havia quatro”, diz João Botelho. E os pacientes finalmente foram atendidos corretamente.
É direito do médico pleitear salários mais altos. Mas os governos, os profissionais e as entidades que os representam devem ficar em alerta para não permitir que a baixa remuneração e a ausência de infraestrutura continuem a ser motivos para justificar a proliferação da prática das consultas expressas e suas consequências danosas aos pacientes. As entidades médicas deveriam também – inclusive para proteger os próprios profissionais – exigir das autoridades de saúde melhorias nos sistemas de saúde público e privado.

No âmbito particular, não há muita explicação para o fato de um médico receber o que quiser por uma consulta e atender seu paciente rapidamente. Uma das argumentações dos profissionais é a de que muitos trabalham em hospitais públicos ou conveniados durante o dia e acabam ficando com pouco tempo para atender à noite no consultório. Mas o paciente não tem culpa disso.

O que também contribui para a armadilha das fast consultas é uma formação médica baseada mais na técnica do que em um atendimento mais humano. Além disso, muitos médicos são oriundos de faculdades de qualidade ruim, de onde saem às vezes sem saber sequer como realizar um exame clínico correto. Atualmente, o Ministério da Educação supervisiona 17 cursos de medicina que obtiveram conceitos 1 e 2, considerados baixos, no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes. Entre elas estão quatro universidades federais.
Como não há, porém, uma determinação legal sobre o tempo mínimo de uma consulta, o paciente só poderá processar o médico quando houver um dano evidente e ficarem caracterizadas negligência, imprudência ou imperícia. “Não é porque a consulta foi rápida que o serviço foi mal prestado”, diz a advogada Joana Cruz, do Instituto de Defesa do Consumidor. No entanto, a curta duração da consulta pode ser um indício de que o médico agiu com negligência. “Nesse caso, o consumidor pode usar a curta duração como  contextualização”, afirma o advogado Alexei Marqui, especializado em direito do consumidor.

Para isso é necessário que o paciente produza uma prova de que o tempo di­minuto resultou em negligência. “Ele pode pedir um comprovante da duração da consulta para o médico”, orienta Marqui. Mesmo na ausência de prova, dependendo do caso, o juiz pode determinar a inversão do ônus da prova. Nessas circunstâncias, como o paciente é considerado leigo, a Justiça entende que seria mais fácil o médico produzir uma prova que o defenda do que o paciente oferecer uma prova que acuse o médico.

Mesmo sem um erro evidente, no entanto, vale registrar a queixa nas operadoras de saúde (para usuários de planos) ou no Ministério Público e secretarias de Saúde (pacientes da rede pública). O doente atendido por médico particular pode resolver na hora. A advogada especializada em saúde Rosana Chiavassa orienta só pagar a consulta depois do atendimento. “Dessa forma, se a pessoa considerar que foi mal atendida ou atendida rapidamente, é só levantar e ir embora sem pagar”, diz. Os indivíduos também têm a opção de recorrer à Justiça quando considerarem que a consulta expressa deixou consequências danosas à saúde.

A denúncia aos órgãos competentes pode ser uma boa opção para detonar um movimento em massa por consultas mais extensas. Foi a partir da pressão popular, por exemplo, que a Agência Nacional Suplementar de Saúde decidiu diminuir o tempo de espera para a marcação de consultas e exames por usuários de planos de saúde.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Para comitê, Governo forçou o caos na Saúde Pública

Estratégia seria uma forma de fazer a população aceitar implantação de Organização Social


Midianews / Lislaine dos Anjos
O deputado Pedro Henry, secretário licenciado, é o
articulador das organizações sociais em Mato Grosso



O Comitê em Defesa da Saúde Pública de Mato Grosso está intensificando as ações que visam a combater as tentativas do Município de Cuiabá e do Governo do Estado de terceirizar a Saúde Pública, com a contratação de Organizações Sociais de Saúde (OSS).

Para a entidade, os gestores deixaram o caos tomar conta dos hospitais municipais para que a população aceitasse melhor a privatização da Saúde Pública no Estado.
Em entrevista coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (12), na sede do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindmed), a diretora jurídica do Sindmed, Alessandra Mariano, afirmou que os gestores ainda não conseguiram argumentar o suficiente para convencer que a privatização da Saúde é a única saída para melhorar a situação.

Para ela, o Governo e a Prefeitura deixaram o sistema de Saúde Pública falir no Estado, para que a população veja as organizações como a única solução viável.
“Se a gestão atual não funciona, vamos trocar os gestores, os secretários de Saúde, não o modelo de funcionamento. Eles estão deixando o sucateamento do setor ocorrer para apontar as OS's como a última esperança da população. Se continuarmos desse jeito, daqui a pouco, vamos terceirizar a Segurança Pública e contratar vigilantes, no lugar dos policiais militares”, criticou a diretora.
Segundo Alessandra Mariano, o Estado está “comprando” o apoio de alguns médicos, uma vez que aqueles que atuam como plantonistas no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, por exemplo, recebem cerca de R$ 1,2 mil por um regime de 12 horas – ainda que não tenham a estabilidade de um concurso público –, enquanto os médicos que atuam nos hospitais municipais ganham cerca de R$ 400 pelo mesmo tempo de trabalho.
“O médico que está lá está comprado”, desabafou a sindicalista.

Ações de combate

A secretária do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Maria Ângela Martins, que também integra o comitê, reafirmou que as pautas de deliberação do Conselho estão trancadas. E, sem a votação de processos, como o plano de gestão de 2012, o Município de Cuiabá poderá perder repasse de verbas federais.

“Os repasses do Governo Federal somente podem ocorrer com o aval do Conselho”, afirmou.

Com dois processos já tramitando na Justiça, um no Ministério Público Federal (MPF) e outro no Ministério Público do Trabalho (MPT), o Comitê aguarda o posicionamento do prefeito Chico Galindo (PTB), quanto à aprovação dada na última semana pelos vereadores à lei que autoriza a estadualização do Pronto-Socorro de Cuiabá, para decidir se irão ingressar com mais uma ação judicial.

Desrespeito

Segundo o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e coordenador do Comitê, Reginaldo Araújo, a atitude do prefeito, de ignorar a posição contrária à contratação de OS's, dada pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS), mostra um desrespeito à legislação e ao princípio da democracia.

“De acordo com a Lei 8.142/90, que regulamenta o Sistema Único de Saúde, a opinião do Conselho deve ser ouvida. Se o Conselho disser não, nada pode ser feito”, argumentou.
Para o comitê, desde o início do ano, os gestores da Saúde no Estado e no Município têm desrespeitado os pareceres dados pelos conselhos municipal e estadual de Saúde. A presidente do Sindmed, Elza Luiz de Queiróz, avaliou como “triste” e “criminosa “ a ação do Estado.
“Mostra um total desrespeito aos órgãos de controle social. As unidades de saúde são de responsabilidade do Governo e eles não estão obedecendo à Constituição”, reclamou.

Para ela, a população ainda não se conscientizou da importância de lutar contra a privatização da Saúde.

“Acho que a população elege um governador e acredita que ele vai fazer o melhor para ela. Mas se eles (gestores) não têm competência para gerir... O que está acontecendo, agora, é uma ditadura de corrupção, e não mais uma democracia”, criticou.

Outro lado

O MidiaNews tentou contato com o secretário de Saúde do Estado, Vander Fernandes, mas ele não atendeu às ligações para seu celular.
A assessoria de imprensa não atendeu às ligações.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Conselho não aprecia mais qualquer matéria da Prefeitura enquanto não houver diálogo

Site: NO PODER
A aprovação da Câmara ao projeto do prefeito Chico Galindo (PTB) que permite a contratação de Organizações Sociais de Saúde (OSS) para operacionalizar o Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPMSC) e outras unidades de saúde, educação, cultura e assistência social parece ter sido a gota d’água para o Conselho Municipal de Saúde (CMS). Ontem, a entidade protocolou uma carta aberta no Ministério Público Estadual (MPE) informando que o trancamento de todas as pautas de deliberação do conselho. Entre elas, estão incluídas a avaliação do relatório de gestão do município e o planejamento das ações para 2012. Na prática, a iniciativa é um boicote à Prefeitura. A secretária do CMS, Maria Ângela Martins, explica que os conselheiros não voltarão a discutir nenhuma pauta até que a Prefeitura decida abrir o diálogo com a entidade, que tem competência assegurada pelo artigo 223 da Constituição do Estado para deliberar sobre questões de coordenação, gestão, normatização e acompanhamento das ações e serviços de saúde.

Em maio deste ano, quando se começou a se discutir a possibilidade de estadualização do HPSMC, o conselho reprovou qualquer alteração no modelo de gestão da unidade. Para os conselheiros, ao encaminhar a mensagem para a Câmara Municipal às pressas, o prefeito deixou claro que não se importa com as decisões do CMS e chega a atentar contra a democracia.
A prefeitura, no entanto, continua apostando na possibilidade de entregar a administração do HPSMC ao governador Silval Barbosa (PMDB).

Enquanto isso não acontece, o prefeito busca alternativas para transferir o comando da unidade. Assim, emplacou o projeto, semelhante ao estadual, que permite a contratação da iniciativa privada. A resolução do conselho, contudo, não tratava apenas da estadualização. Maria Ângela destaca que o CMS reconhece que o problema do HPSMC não é de gestão, mas sim da falta de leitos, por isso defende que a Prefeitura continue no comando da unidade.

O ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Soares, alerta que, com a sanção do projeto aprovado pela maioria dos vereadores, que aconteceu ontem, o prefeito viola a Constituição Estadual. A legislação estabelece que a decisão sobre a contratação ou convênios de serviços privados cabe aos conselhos municipais e estaduais.

Assim, ao contrário do que afirmou o secretário municipal de Saúde, Lamartine Godoy, de que as ações dos conselhos tinham caráter apenas de fiscalização, para levar adiante sua ideia de passar a administração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em fase de licitação, a uma OSS, Galindo terá que fazer as pazes com o CMS.

Caso contrário, Soares, que foi um dos constituintes, alerta que o Ministério Público Estadual (MPE) poderá ingressar com uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (Adin) sobre a proposta do prefeito, correndo o risco de ser considerado omisso. Além do MPE, podem questionar a validade do projeto partidos políticos com representação na Assembleia, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidades de classe, entre outros.

Irônico, ele diz que a atitude demonstra o desconhecimento de Galindo acerca da legislação, mas mostra que ele está bem afinado com sua profissão, a de corretor de imóveis e que a Câmara deu uma demonstração de subserviência a isso.

COMENTÁRIO MSD

>>  PARABÉNS AO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE POR CONTINUAR NA DEFESA DO SUS.

Conselheiro critica a ausência de transparência no Metropolitano

OLHAR DIRETO / Renê Dióz
O vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde, professor Carlos Alberto Eilert, cobrou nesta quarta-feira (07) transparência do governo em relação à gestão do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, administrado por uma Organização Social (OS). Além de criticar o fato de a Secretaria Estadual de Saúde (SES) não prestar contas até o momento este ano, Eilert cobrou do órgão a apresentação de relatório de gestão referente ao Metropolitano.
A alegada falta de transparência na gestão da OS foi motivo de discussão na manhã desta quarta-feira (07) entre Eilert e o ex-secretário estadual de Saúde, deputado federal Pedro Henry (PP) durante o programa Chamada Geral, da rádio Mega FM.
Eilert explicou que a única satisfação dada sobre a gestão da OS até o momento se resume a números gerais da soma de procedimentos realizados no Metropolitano. Não são especificados, segundo Eilert, os tipos de cirurgias realizadas.
Além disso, o conselheiro questiona a dinâmica de repasses mensaís da SES para a OS de acordo com os procedimentos realizados. Devido à falta de transparência da administração, o Conselho fica sem saber, por exemplo, se a OS deixa de receber proporcionalmente menos num determinado mês caso no período anterior não tenha cumprido o total de procedimentos previstos, explica Eilert, que preside hoje reunião ordinária do Conselho em Cuiabá.

COMENTÁRIO MSD 

>> ESTÁ OCORRENDO EXATAMENTE AQUILO QUE FOI DENUNCIADO PELO MSD E POR UM GRANDE NÚMERO DE PESSOAS E ENTIDADES SÉRIAS E HONESTAS QUE DESDE O INÍCIO SE POSICIONARAM CONTRA A “OPERAÇÃO OSS” DO SECRETÁRIO PEDRO HENRY, POR TODAS ESSAS RAZÕES AGORA COMPROVADAS : TUDO FEITO NA SURDINA, SEM DISCUSSÃO PRÉVIA, A IDÉIA EMPURRADA GOELA ABAIXO, SEM TRANSARÊNCIA, CUSTOS DOS SERVIÇOS MUITO MAIORES DO QUE OS PRATICADOS PELO SUS, CORRUPÇÃO DESLAVADA, ENFIM, O QUE ESPERAR DE UM PROJETO COM ESSA ORIGEM ?

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Comparando Chapada, Bonito e Pirenópolis.


LUIZ FERNANDO ROGÉRIO


O presente artigo é uma pequena contribuição para a Chapada dos Guimarães, vamos comparar algumas informações dos Municípios de Bonito (MS) e Pirenópolis (GO) com Chapada, em um contexto regional da Saúde. A região de Chapada hoje se encontra em descaracterização causada pela especulação imobiliária, devastação de suas matas e exploração da pecuária, queimadas entre tantos outros fatores de degradação não apenas ambiental, mas também social.

A população de Chapada era de 17.799 de habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE (2010). Pirenópolis 20.950 (Data SUS) e Bonito 17.851 habitantes, todas as três com clara aptidão ao turismo, todas com uma bela natureza e todas no Centro Oeste do Brasil. 

Não estou aqui comparando Chapada a Campos do Jordão nem a Gramado, quero demonstrar como realidades parecidas apresentam grandes distorções e como o poder publico tem que melhorar e muito seus serviços. 

A informação que mais me deixou assustado é que enquanto em Chapada dos Guimarães as principais causas de morte são os fatores externos tais como atropelamento, assassinatos, acidentes de carro, enfim fatores ligados a violência, totalizando 26% das causas de óbito, há ainda os casos letais de doenças do aparelho respiratório, que tem tudo a ver com queimadas, poeira e queima do lixo durante o período das secas e fungos, infecções no período das chuvas. 

Pasmem que um em cada quatro habitantes de Chapada vai morrer de causas externas, violentas, mas em Bonito esse índice cai para 9,2 e em Pirenópolis 8,4 em cada 100 habitantes.

O lixo coletado em Chapada é em torno de 50%, 30% é queimado, 12% é enterrado nas propriedades e o restante 6% é jogado a céu aberto. Pirenópolis tem uma coleta em torno de 60% e Bonito 75% de coleta de lixo. Aqui começa a diferença!

O Abastecimento de Água em Chapada dos Guimarães é mais ou menos igual nas três cidades. Sendo que em Bonito em torno de 80% da população recebe água pela rede geral, em Pirenópolis 70% e em Chapada apenas 60% da população ficando para trás nesse item também.

Segundo o Data SUS, ainda em 2009, Pirenópolis contava com 30 médicos, Bonito tinha 39 e Chapada no mesmo período contava com 22 médicos, 9 enfermeiros e 14 técnicos de enfermagem. Chapada com a metade dos médicos que tem Bonito.

Com relação à cobertura vacinal de imonobiológicos tais como BCG, Hepatite, Febre Amarela, Sarampo, Tríplice entre outras proteções, Bonito e Pirenópolis apresentam coberturas acima de 100%. Chapada no geral apresenta um bom indicador apesar de ficar a baixo os municípios comparados.

Alguns outros dados relevantes dizem respeito aos valores investidos na saúde: enquanto em Bonito a despesa com saúde por habitante é de R$ 371,93 em Pirenópolis é de R$ 155,64 e na nossa querida Chapada dos Guimarães é de R$ 231,10 ficando na média entre os três municípios comparados.

Um dado que me chamou a atenção, pois considero positivo e o cobertura do programa de saúde da família que em Chapada tem praticamente toda a população coberta o que mostra uma preocupação pelos gestores da saúde municipal em organizar o Sistema fato não verificado com os municípios comparados.

Algumas sugestões. 

Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Cultura e Turismo em parceria com a SEMA:
Mapear, monitorar, controlar e combater focos de degrada¬ção e comprometimento ambiental, incluindo os aspectos de saúde no processo de licencia¬mento ambiental, normalizar conjuntamente referências à qualidade da água ao abastecimento e do solo, bem como à poluição do ar; desenvolver ações conjuntas de promoção de ambientes saudáveis; implantar temas relacionados à saúde ambiental junto aos programas de educação ambiental; assegurar a participação do setor Saúde na implementa¬ção desenvolver capacitação de recursos humanos; Controlar focos de incêndio e desmatamento, cuidar do transporte de produtos perigosos e incentivar po¬líticas que utilizem meios de transporte menos poluentes e práticas que contribuam para a promoção da saúde.

• Secretaria Municipal de administração de chapada dos Guimarães:
Elaborar políticas de planejamento municipal com a inserção do enfoque da saúde ambiental;; desenvolver, em parceria com a saúde, programas, espaços saudáveis; desenvolver capacitação de recursos humanos; valorizar o uso de tecnologias limpas nas obras públicas; projetos de saneamento o enfoque da saúde ambiental; apoiar ações que garantam o acesso de toda população à água potável e aos demais serviços de saneamento; assim como atentar para o controle do meio ambiente, principalmente voltado a preservação da natureza.

• Secretaria Municipal de Educação, cultura, SEDUC e Ação Social
Priorizar conteúdos referentes à saúde ambiental como temas trans¬versais vinculados às disciplinas das grades curriculares em todos os níveis de ensino; estimu¬lar o desenvolvimento de estudos e pesquisas prioritárias para saúde ambiental; desenvolver a capacitação de recursos humanos, identificar, incentivar e popularizar os valores culturais referentes à saúde e ao ambiente,tomar providências em relação ao reconhecimento de doenças relacionadas a IRA. Utilizar meios de comunicação para a educação e a mo¬bilização da sociedade em prol da saúde ambiental.
Ministério Público e judiciário: Assegurar ao Cidadão e ao meio ambiente ser respeitado .
Por fim, considero que a população em geral também deve ajudar, cuidando das águas paradas e focos de dengue, evitando a queima dos lixos, cuidando para que o acúmulo de sujeiras evite proliferação de insetos ou outros animais transmissores de doenças, bem como cuidado do ambiente, que está instrinsecamente relacionado com a dimensão ambiental. Espero com essas poucas linhas contribuir para uma sociedade melhor para todos.

Luiz Fernando Rogério é empresário e especialista em Sistema e Serviços de Saúde pela UFMT-ISC. email: lf.roger@gmail.com

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ministério alerta para epidemia de dengue em Cuiabá.

Levantamento aponta para risco em 48 cidades sob risco no país; situação requer cuidados


Midia News / Euziany Teodoro
Ministro Padilha, da Saúde, alerta para o risco de epidemia;
lixo é maior foco do transmissor
A região Centro-Oeste ainda pode sofrer uma epidemia de dengue. O alerta é do Ministério da Saúde, com base no levantamento denominado "Índice Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa)", embora a região tenha apresentado o maior índice na redução de casos da doença em todo o país, chegando a 77% em relação ao ano passado. Cuiabá já recebeu o alerta oficial.
O Ministério da Saúde considera em situação de risco os municípios em que, a cada cem casas, mais de 3,9 apresentaram larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença. Este é o caso da capital mato-grossense. 
O responsável pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Município, Oscar Campos, informou que um levantamento feito na cidade apontou 15 bairros ainda em situação de alerta. Esses bairros estão sendo monitorados constantemente, desde 2010.
Como o Liraa apontou que o risco nesses locais ainda é eminente, o alerta tem que ser mantido, mesmo que a redução de casos da dengue tenha sido considerável em 2010. Foram 211 mil casos em Mato Grosso em 2010, contra 48 mil neste ano.
O levantamento foi feito em outros 653 municípios. O maior número de casos ocorreu no Norte e Nordeste. Até o fim de novembro, foram notificados 742.364 casos suspeitos de dengue em todo o país. Se comparado ao mesmo período do ano passado, houve redução de 25% no número de casos.

Focos por região
Os criadouros do mosquito são diferentes em cada região do país. No Norte e Sul, a maioria das larvas encontradas estava em resíduos de lixo. Nos municípios do Norte 44% dos imóveis tinham larvas no lixo, por exemplo.
No Nordeste e Centro-Oeste, os mosquitos encontrados estavam principalmente em reservatórios de água. No caso dos municípios do Nordeste, mais de 72% dos casos estavam em caixas de água, tambores e poços ligados ao abastecimento.
No Sudeste o problema da dengue está principalmente em depósitos domiciliares, ou seja, vasos, pratos, bromélias, ralos, lajes e piscinas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que o Liraa dá uma fotografia da situação da dengue no país, que pode mudar rapidamente, já que o mosquito tem uma alta capacidade de adaptação.
"O risco de ter epidemia é sempre uma combinação entre ter mosquito e ter pessoas suscetíveis para ter ou não a doença. O levantamento é importante nesse momento porque é um alerta para intensificar o cuidado. Para ajudar na mobilização da comunidade e resolver o problema onde está o foco do mosquito", afirmou.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ordem para entregar SUS às OSS estaria vindo de Brasília.

FIM DO SUS!

Site: http://www.nopoder.com.br/
Por: Sandra Carvalho
A determinação para que as unidades públicas de saúde sejam entregues à Organizações Sociais estaria partindo do Ministério da Saúde, com aval da presidente Dilma Rousseff. Esta foi a informação que um grupo de profissionais da saúde de Mato Grosso obteve em Brasília. Seria o fim do SUS no país, e um exemplo disso estaria ocorrendo no Estado de Minas Gerais, onde até as unidades da rede básica (postos de saúde) já são geridos por OSS.

Ou seja, a privatização da rede pública de saúde seria um processo sem volta. Os movimentos contra as OSS estariam nadando contra a correnteza porque o Governo Federal estaria disposto realmente a implantar um novo modelo de gestão. Seria por isso que o secretario de Saúde de Mato Grosso, Pedro Henry, estaria agindo com tanta propriedade.

Inclusive Henry teria encontrado uma brecha na ordem judicial para que o Hospital Metropolitano fosse retirado das mãos das OSS e por este motivo a unidade não teria sido devolvida à SES/MT. A Procuradoria Geral do Estado agiu rápido.

O último recurso seria o Supremo Tribunal Federal (STF) onde dois ministros já teriam se manifestado a favor das OSS e tudo leva a crer que os outros sete votem a favor do desejo da presidente Dilma Rousseff.

Pedro Henry já gastou 16 milhões com Metropolitano em quatro meses.

SACO SEM FUNDO

Site: http://www.nopoder.com.br/
Por: Sandra Carvalho
Hospital foi inaugurado com festa e
promessa de acabar com filas



A Secretaria de Saúde de Mato Grosso já teria pago 16 milhões para o Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (IPAS) em apenas quatro meses de atividade no Hospital Metropolitano de Várzea Grande. Só para se ter uma ideia do que isso significa em termos de gasto de dinheiro público, a mesma SES só passa R$ 1,5 milhão para o Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, que atende milhares de pessoas.

Com a alegação de economizar para os cofres do Estado, Pedro Henry insiste em entregar unidades públicas hospitalares a OSS, como se esta fosse a grande saída para acabar com a falta de leitos em Mato Grosso e as filas por cirurgias. E apesar de liminar da Justiça determinando a suspensão destes contratos, Henry continua investindo nas OSS (Organizações Sociais de Saúde).

O Conselho Estadual de Saúde inclusive reprovou o contrato de prestação de serviços da SES com a IPAS e inclusive decidiu que fará uma rigorosa fiscalização em toda documentação e levantou a possibilidade até mesmo da suspensão dos pagamentos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Após nota baixa, Unic demite diretores de faculdade.

Estudantes cancelam a paralisação, mas continuam cobrando melhorias no curso da instituição.


MIDIANEWS / KATIANA PEREIRA
Os médicos e professores Marcial Francis Galera e Pedro Reis Crotti, diretor e vice-diretor, respectivamente, foram desligados do quadro de funcionários do curso de Medicina Universidade de Cuiabá (Unic). A demissão ocorreu na semana passada e foi confirmada pelo Centro Acadêmico de Medicina João Alberto Novis (Cajan). A reitoria da universidade não dá entrevista e se recusa a falar sobre o assunto.

Os acadêmicos interpretaram que as demissões soam como uma medida de retaliação, devido à nota 2, considerada insuficiente, obtida pelo curso de graduação dem Medicina, na avaliação do Conceito Preliminar de Curso (CPC) do Ministério da Educação, conforme MidiaNewsrevelou.

Os estudantes também acredita que as denúncias que eles fizeram, sobre a baixa qualidade do ensino na instituição, também provocaram a demissão dos diretores.

O médico Marcelo Sepúlveda, que já faz parte da equipe de coordenação do curso, foi promovido ao cargo de diretor da Faculdade de Medicina. O presidente do Cajan, Igor Carlos Dueti, contou que uma reunião foi realizada na segunda-feira (27), com participação da nova diretoria e de alunos. Também esteve presente um dos diretores do grupo Kroton-Iuni, que controla a Unic.

"A reunião foi interessante. Estamos elaborando as nossas reivindicações, conversando com alunos. Nos garantiram que, primeiramente, irão atender às recomendações do MEC e, depois, as nossas. Não abrimos mão da retratação, que deverá ser feita pela faculdade", disse o estudante.

Os alunos decidiram ainda cancelar a paralisação de 24 horas que haviam prometido fazer, no Hospital Geral Universitário. O protesto estava agendado para essa quarta-feira (30), mas, devido ao desenrolar das negociações, os estudantes deram um voto de confiança para nova direção.

"Não queremos tumultuar o câmpus. Achamos que não tem necessidade de paralisar atividades, mas, caso as promessas não sejam cumpridas, vamos sim, protestar. Merecemos respeito, educação de qualidade e vamos lutar por isso", disse Igor Dueti.

Notas baixas e mensalidade alta.

Em uma nota enviada ao MidiaNews, no mês passado, para tentar contestar o resultado da avaliação do MEC - divulgado nos principais veículos de Comunicação do país -, a Unic alegou que a nota obtida no CPC (Conceito Preliminar de Curso) "não reflete apenas os investimentos em infraestutura, recursos didáticos pedagógicos e corpo docente realizados pela Unic, mas também o desempenho dos alunos no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes)".

Os alunos se revoltaram e exigiram uma retratação da instituição. "O desempenho dos alunos é somente 30% da nota, os outros 70% são de responsabilidade da instituição. O grande problema da Unic é que existe no câmpus uma educação totalmente capitalista e somos mais um número, uma soma de valores. A instituição tem se esquecido da responsabilidade social que o curso tem", disse Igor Dueti, em entrevista ao site, na semana passada.

O curso de Medicina na Unic foi autorizado pelo MEC em 2004 e tem duração de 12 semestres, com 8.640 horas aula.

O valor da mensalidade é R$ 4.308,86. Caso o estudante pague até o dia 5 de todo mês, terá um desconto de 6%, e o valor vai para R$ 4.050,33, conforme divulgado no site da instituição.

Sanções.

O curso de Medicina da Unic obteve nota 2 no Conceito Preliminar de Curso. Por esse motivo, 58 vagas para o próximo vestibular foram cortadas.

O curso, que oferecia 100 vagas, agora, depois da determinação do MEC, passará a oferecer 42 vagas. Para os alunos que já estão matriculados, não haverá nenhum prejuízo quanto à conclusão da graduação.

Além disso, foi instaurado um processo específico de supervisão, cujo objeto será o curso de graduação em Medicina. Dentro de 30 dias, a contar da ciência do despacho, a Unic deverá comprovar, por meio de documentos probatórios, as providências adotadas, como forma de cumprir as medidas cautelares administrativas impostas pelo MEC.
Caso haja o não cumprimento, ou falta de comprovação das adequações determinadas no despacho, será instaurado processo administrativo para aplicação de penalidade, prevista nos arts. 46, § 1º, da Lei nº 9.394/96, 10, § 2º da Lei nº 10.861/2004 e 52 do Decreto nº 5.773/2006.

Usuários do SUS têm 3,8 vezes menos médicos do que o setor privado.

Estudo feito em conjunto pelo Conselho Federal de Medicina e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo mostra quem, além da concentração no setor privado, os médicos estão, na grande maioria, localizados nas regiões Sul e Sudeste.

Por: Jones Rossi
Fonte: Veja.com
Uma pesquisa inédita, realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (Cremesp), mostra quem são, quantos são, e como estão distribuídos pelo país os médicos brasileiros. O estudo — Demografia Médica no Brasil — mostra dados negativos, como a concentração de médicos nas regiões Sul e Sudeste e nas capitais dos estados e o reduzido número de profissionais que trabalha no Sistema Único de Saúde (SUS), mas também traz notícias como a crescente presença feminina e o aumento proporcional da quantidade de médicos no país. Outra informação do documento evidencia com números um aspecto ja conhecido do brasileiro: usuários do sistema Único de Saúde (SUS) têm 3,8 vezes menos médicos do que o setor privado.

Os dados do estudo serão enviados a parlamentares e entregues aos ministros da educação, Fernando Haddad, e da saúde, Alexandre Padilha. A intenção é que o documento sirva de subsídio para políticas públicas de saúde e de ensino. “A publicação coincide com o surgimento de propostas do governo federal e do poder legislativo para enfrentar a escassez de médicos em áreas desassistidas”, afirma Renato Azevedo Junior, presidente do Cremesp.

A desigualdade regional é um dos principais problemas mostrados pelo estudo. A rigor, não faltam médicos no Brasil. São 371.788 para uma população de 190 milhões de pessoas. O que resulta em um número de médicos para cada mil habitantes de 1,91. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não adota um número específico de médicos por mil habitantes, mas, segundo o documento World Health Report 2006, países com menos de 2,28 profissionais de saúde por mil habitantes (e aí estão incluídos médicos, enfermeiras e parteiras) geralmente têm problemas em atingir a meta de 80% de cobertura especializada para vacinação e partos. Com 1,5 milhão de enfermeiros, certamente o Brasil está dentro do recomendado.

Além disso, o número de profissionais não para de crescer em números absolutos e em proporcionais. Entre 1970 e 2010 houve um salto de 530% no número de médicos, enquanto a população cresceu bem menos, 104,8%. O problema é que a maioria está concentrada nos estados da região Sul e Sudeste. Enquanto no Distrito Federal e no Rio de Janeiro essa razão seja de 4,02 e 3,57 médicos por mil habitantes, respectivamente, acima dos 3,4 da Alemanha, estados como o Maranhão, o Pará e o Amapá estão abaixo do preconizado pela OMS, com índices de 0,68; 0,83; e 0,96; próximos de países africanos. No total, a região Norte possui 0,96 médico por mil habitantes e o Nordeste 1,19. A situação é parecida no Centro-Oeste, com 1,99, e no Sul, 2,03. O Sudeste tem um índice de 2,61.

O interior dos estados também está em desvantagem em comparação com as capitais. Mesmo no Maranhão, onde o índice do estado é de 0,68 médico por mil habitantes, na capital a razão salta para 2,33. Segundo o estudo, isso acontece devido ao maior número de faculdades localizadas nas capitais e também ao maior número de postos de trabalho, já que essas cidades concentram hospitais, postos de saúde, clínicas e laboratórios. Essas facilidades fazem com que o índice de médicos por mil habitantes nas capitais brasileiras seja de 4,22, mais de uma vez superior à média nacional, de 1,95.

SUS versus setor privado — De acordo com a pesquisa, existem 354.536 postos de trabalho em estabelecimentos privados de saúde para atender 46,6 milhões de usuários de planos de saúde. Seguindo essa conta, que considera o fato de que, em teoria, esses postos médicos (um médico pode ter mais de um posto de trabalho, atendendo em um hospital público e em uma clínica privada, por exemplo) podem atender usuários de todos os planos de saúde, o estudo afirma que há 7,6 postos de trabalho para cada 1.000 usuários de planos de saúde. Em comparação, o Sistema Único de Saúde, com 281.481 postos de trabalho para 144 milhões de pessoas, tem um índice de 3,8 vezes menor que o setor privado.

Mudança de perfil — Em 1910, 22% dos médicos eram mulheres. Cem anos depois, as mulheres representam quase 40% do total. Mas a tendência é que, em breve, elas ultrapassem os colegas do sexo feminino. Desde 2009, as mulheres são a maioria dos novos médicos que entram no mercado de trabalho. Em 2010, representaram 52,46% desse total.

Entre os profissionais com menos de 29 anos, elas também são maioria: 53,31%. Nos acima dos 70 anos, apenas 18,08% são mulheres. Um sinal da profunda mudança que aconteceu nas últimas décadas e que deve se aprofundar nos próximos anos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Hospital Metropolitano: Denúncia aponta que a paciente recebeu alta mesmo passando mal e morreu na mesma noite.

CRM vai investigar morte

Por: Tania Rauber
Fonte: A Gazeta



Genecília ficou no mesmo quarto
que vítima e faz relato de
atendimento inadequado.Foto de João Vieira
O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai investigar a morte de uma mulher após a realização de uma cirurgia no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande. A denúncia foi feita por uma paciente que ficou internada e ganhou alta da unidade no mesmo dia em que a vítima. 
Presidente do conselho, Dalva Neves garantiu que será aberta uma sindicância para identificar o médico que fez o atendimento à paciente e se houve negligência. “Nós não recebemos nenhuma denúncia formal, mas a partir do momento que é divulgado pela imprensa nós abrimos uma sindicância para apurar. É o que vamos fazer”.

A denúncia foi feita pela estudante de música Genecília Aparecida de Ataíde Lacerda, 44. Ela conta que foi chamada para comparecer ao hospital no dia 19 de setembro para realizar uma cirurgia de vesícula. Na sala de espera encontrou “Vanildes”. As duas foram internadas na mesma enfermaria. No dia seguinte, Genecília foi levada para a sala de cirurgia e, após ser operada, foi transferida para o quarto. Nos corredores, encontrou Vanildes, que era levada para o centro cirúrgico. Ela retornou algumas horas depois, após passar pela cirurgia de hérnia. Genecília conta que era visível o péssimo estado de saúde da colega, que vomitou várias vezes após receber as medicações. “Antes de dormirmos, a enfermeira aplicou em nossas veias 4 seringas de remédio, uma de antibiótico e as outras de anti-inflamatório, dipirona e anti-vômito. Eu não tive muita reação aos remédios, mas a Vanildes vomitou muito”. A cena se repetiu outras vezes durante a madrugada, segundo ela.

No dia seguinte, após o banho, duas enfermeiras tiveram que colocar um dreno em Vanildes. Mas, poucas horas depois, elas receberam a notícia de que poderiam ir para casa, pois tinham recebido alta. “Entrou no quarto um homem vestindo calça jeans e jaleco branco com uma prancheta na mão. Ele nos cumprimentou e disse assim: Vanildes, Genecí- lia, estão de alta! Depois marcou um x no papel e se retirou”.

Ainda, segundo ela, o dreno colocado em Vanildes foi retirado por um enfermeiro, que reforçou o curativo no local da cirurgia e saiu. “Ela ainda tentou tomar um chá que foi servido, mas vomitou novamente. Eu apertei o botão da campainha, mas não apareceu ninguém para ajudar”.

Enquanto aguardavam os familiares para buscá-las, Genecília e Vanildes tiveram que sair do quarto porque os leitos precisavam ser ocupados por outras pessoas.

“Mesmo com nós lá dentro as faxineiras fizeram a limpeza e, de repente, chegou uma outra paciente recém-operada. Pedi uma cadeira de rodas para levar Vanildes até a recepção, mas nos disseram que não tinha disponível. Só conseguiram uma quando já estávamos chegando na recepção”.

O primeiro a chegar foi o irmão de Genecília. Ela conta que, antes de ir embora, ligou para o genro da colega. “Ele disse que já estava chegando. Peguei o número de telefone dela e fui embora. Ela ficou aguardando na cadeira de rodas perto da porta”.

Esta foi a última vez que Genecília viu Vanildes. No dia seguinte, ela ligou para saber se a nova amiga estava melhor, mas foi avisada pelos familiares que ela tinha amanhecido morta, provavelmente em consequência de uma hemorragia interna.

“Eles disseram que iam aguardar a necropsia para saber o que fazer. Fiquei revoltada, porque ela estava feliz. Tinha esperado 5 anos para fazer a cirurgia. Mas lá no hospital é assim: quando você entra o atendimento é vip, mas depois que corta, somos apenas uma meta a cumprir e escorraçados”.

A família de Vanildes não quis falar com a imprensa.


terça-feira, 29 de novembro de 2011

Soares quer saber porque OS recebe o dobro do PS de Cuiabá

Site: Olhar Direto
Por: Julia Munhoz

O ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Luiz Soares, questionou os repasses feitos pelo Governo do Estado ao Hospital e Pronto Socorro da capital, através da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Para ele não há justificativa plausível para a unidade hospitalar receber menos recursos que o Hospital Metropolitano de Várzea Grande, gerenciado por uma Organização Social de Saúde (OSS).

Segundo Soares, o Estado repassa mensalmente R$1,3 milhão para o pronto-socorro da capital, que possui 260 leitos, enquanto que para a OSS que administra o Hospital Metropolitano são pagos R$ 2,7 milhões, , segundo acentua, "para uma unidade que conta com apenas 10 leitos de UTI adulto e 52 de enfermaria".

O ex-secretário explicou ainda que os dados são oficiais da própria secretaria e que, em alguns casos o valor do repasse para o pronto-socorro de Cuiabá é divulgado a mais pois nele são incluídos os serviços de PSF (Programa de Saúde da Família) e os incentivos financeiros da farmácia básica.

Luiz Soares é um dos integrantes do Movimento Saúde e Democracia (MSD). Além dele também compõem o grupo os ex-secretários de Saúde de Mato Grosso, Julio Muller e Nei Moreira. O grupo esteve reunido nessa terça-feira (22) com os deputados estaduais para buscar medidas que possam equacionar a falta de leitos nos hospitais do Estado.


Outro Lado


O deputado federal Pedro Henry, que foi o grande mentor e responsável pelo repasse da administração dos hospitais às Organizações Sociais de Saúde (OSS), disse ao Olhar Direto que não irá polemizar o assunto, pois o histórico do trabalho desenvolvido pelas OSS, por si só, vai dar a resposta esperada pela sociedade.




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Usuária do SUS denuncia morte de paciente do Hospital Metropolitano

Site: www.nopoder.com.br
Por: Sandra Carvalho

O site "No Poder" recebeu o depoimento chocante de uma paciente do SUS que se chama Genecilda. Ela relata a morte de mulher conhecida como Vanildes dois dias após ter sido operada no Hospital Metropolitano de Várzea Grande.
O Hospital Metropolitano é público, mas foi entregue pelo governo do estado de MT para ser gerenciado por uma empresa privada (Organização Social de Saúde – OSS). Essa empresa recebe 3 vezes a tabela SUS para atender 60 leitos. O dinheiro que ela recebe é mais do que o estado repassa para todos os quase 600 leitos SUS dos hospitais de Cuiabá (Pronto Socorro, Hospital Julio Muller, Santa Casa e Santa Helena). Mesmo ganhando muito, a empresa que gerencia o Metropolitano só estaria realizando cirurgias mais simples, em detrimento das mais complexas.
Leia o relato na íntegra e veja Genecilda. Ela ainda compôs e interpreta uma música contra a privatização dos hospitais públicos.

DEPOIMENTO - SOBREVIVI AO HOSPITAL METROPOLITANO
No dia 19/09/11 entrei no HOSPITAL METROPOLITANO de Várzea Grande, e na sala de espera de internação cirúrgica, conheci Vanildes, pessoa com quem de cara tive uma grande afinidade, tanto que no tempo que passamos ali esperando que dessem entrada em nossa papelada de internação, conversamos muito e ficamos amigas.
Ficamos muito contentes quando nos colocaram no mesmo quarto, o número sete. Ali ficamos em quatro pessoas. A minha cama era bem ao lado da cama de Vanildes. A enfermeira do hospital nos deu camisolas, toalhas e meio copo de álcool, e nos instruiu para passar álcool no corpo quando terminássemos de tomar banho.
Depois do banho, mediram nossa pressão, que incrivelmente tanto a minha como a de Vanildes deu dezessete. Logo após, nos serviram jantar, mais tarde serviram também um chá com bolachas. Depois, na hora de dormir, a enfermeira nos deu um comprimido e logo adormecemos.
Na manhã seguinte nos avisaram que iríamos ser operadas, eu da vesícula e Vanildes de hérnia. Eu fui primeiro, me levaram em uma maca até uma sala onde fiquei do lado de varias macas com gente esperando por sua vez de ser operada. Não sei quanto tempo fiquei ali... para passar o tempo, puxei conversa com o colega da maca ao meu lado.
Um tempo depois me levaram para sala de cirurgia e fui operada. Quando acordei, estava em uma maca numa sala onde tinham várias macas com pessoas esperando para operar. Quando estavam me levando para o quarto, cruzei com a Vanildes que ia para a sala de cirurgia. Entrei no meu quarto às quinze horas, bem na hora de visitas, e Vanildes voltou para o quarto bem depois do horário de visita.
Na hora do jantar, nos trouxeram sopa, eu tomei um pouco, mais tive muita dificuldade de sentar, pois a dor era muita e Vanildes, assim que tomou a sopa, vomitou. A enfermeira a limpou e deixou uma comadre perto dela para o caso de querer vomitar novamente. Antes de dormirmos, a enfermeira aplicou em nossas veias quatro seringas de remédio: antibiótico, anti-inflamatório, dipirona e remédio anti-vômito.
Eu não tive muita reação aos remédios, mas a Vanildes assim que tomou, vomitou muito e a enfermeira a limpou novamente.
De madrugada a mesma coisa, a enfermeira de plantão nos aplicou os remédios e Vanildes vomitou novamente.
Ao amanhecer do dia 20.09.2011, fomos acordadas pela enfermeira, que pediu que levantássemos pra tomar banho. Vanildes precisou de duas enfermeiras para ajudá-la com o banho, pois ela tinha muita dificuldade em andar. Logo após o banho, as duas enfermeiras fizeram curativo e colocaram um dreno nela. Já eu carreguei meu suporte com soro até o banheiro e tomei banho sozinha. Houve uma troca de plantão e quem fez curativo em mim foi o enfermeiro que ia ficar durante o dia.
Momentos depois, entrou no quarto um homem vestindo calça jeans, uma camisa de cor e um jaleco branco, com uma prancheta na mão; nos cumprimentou e disse assim: “Vanildes, Genecilia, e (...), estão de alta”. Depois dessas palavras, esse homem marcou um “x” no papel dele e se retirou.
Assim que esse homem saiu, o enfermeiro de plantão entrou, tirou o dreno da Vanildes, tampou com um curativo bem reforçado o local da cirurgia dela e saiu do quarto.
Vanildes tentou tomar o chá que havia vindo pra ela e eu tive que socorrê-la com a comadre e depois limpa-la, pois apertei o botão da campainha e não apareceu ninguém pra ajudar, pois o botão não funcionava.
Logo após, nós duas ligamos para nossos familiares que ficaram de nos buscar às quinze horas, que era justamente no horário de visitas, e assim que fizemos essa ligação, a bateria do celular acabou.
A terceira moça do quarto que foi operada no mesmo dia em que nós, ficou esperando o médico que tinha operado ela pra receber alta. Ela só caiu na real depois que uma funcionária do hospital veio e pediu que desocupássemos os leitos, pois de acordo com os registros do HOSPITAL METROPOLITANO, já haviam dado baixa nos nossos nomes. Esta moça foi embora de ônibus.
Eu e Vanildes nos recusamos a sair, então mandaram as faxineiras limpar o quarto e, logo depois, chegou uma paciente recém-operada pra ocupar um dos nossos leitos. Pedimos então que a funcionária ligasse pra que nossos familiares fossem nos buscar urgente. Pedi uma cadeira de rodas pra Vanildes e a funcionaria disse que não tinha disponível no momento.
Eu e Vanildes saímos do quarto de braços dados pelo corredor do hospital, mas aí, antes de chegarmos à recepção, trouxeram uma cadeira de rodas pra Vanildes. Ficamos na sala de recepção do HOSPITAL METROPOLITANO esperando nossos familiares virem nos buscar. O meu irmão chegou primeiro, peguei o celular dele e liguei para o genro de Vanildes, que já estava chegando. Dei um abraço, trocamos telefone e nos despedimos. Foi a última vez que a vi.
Eu e Vanildes fomos operadas no dia 20.09.2011 e no dia 21.09.2011, de manhã, FOMOS DESPEJADAS DO HOSPITAL METROPOLITANO DE VARZEA GRANDE, SEM NENHUMA AVALIAÇÃO MÉDICA. E no dia 22.09.2011, VANILDES AMANHECEU MORTA em sua residência, com sangue escorrido pela boca. A causa da morte: HEMORRAGIA INTERNA.

Cartilha do Usuário do Sus